Acho que sentiremos a falta deles.

Spoilers Abaixo:

Antes de qualquer explanação sobre o fantástico episódio dessa semana, permitam-me extravasar: VIVA! FRINGE GANHOU A 5ª e ÚLTIMA TEMPORADA! Não é possível mencionar minha felicidade. Tudo o que eu mais queria era que Fringe tivesse um final planejado e, mesmo que seja horrível pensar que a despedida está próxima, não dá para desejar muito mais do que isso. Essa oportunidade de encerrar as coisas de forma apropriada é algo raro na TV, especialmente na Fox, então, comemoro e aguardo as intensas emoções da temporada final, que será analisada minuciosamente por aqui. Quero que Fringe termine chutando bundas e provando que é a melhor ficção científica da TV nos últimos anos.

Quando testemunho episódios como o da semana passada, tenho certeza disso. E esse sentimento se confirmou com ‘Worlds Apart’, outro momento sensacional dessa 4ª temporada, capaz de ir além do roteiro bem escrito, criando em nós, espectadores, emoções fortes.

Aposto que a grande maioria de vocês chorou feito um bebê na despedida do lado B. Eu sei que eu me debulhei em lágrimas e aplaudi de pé esse elenco maravilhoso, especialmente John Noble. Esse homem é o grande injustiçado das premiações de TV. Há quatro anos ele merece reconhecimento e agora, mais do que nunca. Felizmente, acredito que os elogios dos fãs devem cumprir esse papel. As nuances que ele apresenta para Walter e Walternativo vão além de qualquer expectativa. John Noble merece ser ovacionado por seu trabalho em Fringe.

Não quero, no entanto, ser injusta com Anna Torv. Fiquei bastante emocionada com os diálogos entre Olivia e Bolivia, conversando sobre seus respectivos mundos e a admiração de uma pela outra. Essa é a típica reação de momentos de resolução, em que a compreensão das diferenças é maior do que qualquer problema do passado. No caso, a dificuldade em ser gentil seria mais de Olivia, que lembra de tudo o que aconteceu na ocasião da troca. Bolivia, porém, não tem ideia do se passou na antiga timeline (no que diz respeito a Peter, é claro) e, portanto é até natural que a despedida dela fosse assim.

Essa sequência toda foi feita e pensada para nos deixar tristes. Cada tomada em cada personagem, os olhares e até as palavras não ditas foram milimetricamente pensados. Tanto é que a não aparição de Lee no episódio anterior ficou explicada. Se a ponte foi fechada para salvar os dois universos e ele escolheu o lado B, é natural que não faça parte do episódio em 2036, simplesmente porque ali, naquele universo, ele não existe.

Devo, no entanto, expressar minha impressão de que essa pode não ser a última vez que vimos o pessoal do lado B. Acredito que, até o fim da série, todos eles vão voltar de alguma forma, porque ainda teremos 15 episódios (contando com a Finale dupla desse ano) para desenvolver a história com Jones e possivelmente William Bell. Se os dois estiverem na jogada ao mesmo tempo duvido muito que o lado B não seja envolvido novamente.

Falando em Bell, vale dizer que o episódio trouxe uma boa dica de que ele está envolvido em tudo isso. Na foto aí de baixo, que é um easter egg daqueles, dá para ver, no destaque, um sino e todo mundo sabe que esse é o símbolo de Belly. As evidências são cada vez mais fortes. Só não sei se Leonard Nimoy deixou de ser chato (#VOLTANIMOY) e vai realmente dar o ar da graça em Fringe. É muito estranho vê-lo citado o tempo todo e até digitalizado no âmbar, sem que o personagem volte de verdade. O único holograma funcionando no momento é o do Tupac.

A forma com que explicaram o que Jones pretendia fazer foi tão cheia de termos científicos (que não sei o que significam, mas parecem difíceis) e didática, ao mesmo tempo, que me impressionei. Só entendi mesmo quando Walter demonstrou a coisa toda no Quebra Gelo.

Para resumir, o homem queria chocar os dois mundos e criar seu próprio universo, onde ele controlasse cada forma de vida. Complexo de Deus é até pouco para definir essa megalomania de Jones. O modo como ele sobreviveria a esse novo Big Bang tem origem e explicação no episódio 4×12 “Welcome to Westfield”, quando vimos aquela cidade sumindo e um único ponto em que as coisas se salvaram.

A trajetória de Jones tem sido pontual. Ele testou cada possibilidade e se preparou muito para dominar dois mundos com a ajuda do anfilicio e até das crianças tratados com Cortexiphan. É por isso que não acredito que ele não tenha algo planejado para o fechamento da ponte entre os dois mundos. Jones não deixaria que isso o abatesse quando está tão próximo de realizar o que planejou.

O retorno ao drama do cortexiphan foi excelente. Toda aquela história de que as crianças estavam sendo preparadas para uma guerra não poderia ficar solta. Era mesmo um prato cheio para aproveitadores e “falsos profetas”. Walter e Bell, ao justificar seus estudos dessa maneira, abriram precedentes para um desastre de proporções imensas, tanto que afetaram dois universos.

Foi bem importante o retorno de Nick Lane – provavelmente o mais marcante dentre os “cortexiphados” – não só pela ligação direta dele com Olivia. A empatia reversa que ele desenvolveu foi muito bem colocada, até porque, na primeira aparição dele, em “Bad Dreams” (1×17), o cara quase promove um suicídio coletivo, que só é impedido por causa de Olivia.

Mais tarde, ele começa a controlar suas capacidades e até se envolve com Sally (a primeira a aparecer, em Sidney), mas desde “Over There Part 1”(2×22) eles não eram vistos. Inclusive, vale lembrar que havia um ‘Campus de Recuperação Experimental’ mantido pela Massive Dynamic, que passa a ajudar todos os objetos de estudos do cortexiphan a desenvolverem e controlarem seus poderes. Sally Clark, inclusive, começa a dominar a pirocinese.

Com os acontecimentos reescritos pelo sumiço de Peter, nada disso aconteceu e, portanto, fica a ideia de que mesmo a ação da Máquina do Apocalipse não foi em vão. Percebam que sem a utilização da dita cuja nada disso estaria acontecendo agora e não dá para achar que a “ocasião fez o ladrão”. Não quero dizer que Jones planejou tudo, até porque, ele já estava mortinho, mas a possibilidade de que William Bell seja o grande comandante de tudo vai se concretizando.

Dentre as curiosidades (ou erros) do episódio, temos o passaporte de Nick Lane, que originalmente teria nascido em Jacksonvile, em 1979, mas agora aparece como nascido em Cambridge, em 1981. Como Nick é reconhecidamente um fugitivo quando o conhecemos, há a possibilidade de o passaporte ter sido falsificado ou de a mudança na timeline ter alterado sua data de nascimento. Embora me custe dizer, acho que foi descuido de produção mesmo, porque essas coisas podem acontecer até numa série que pensa em todos os detalhes, como Fringe.

Nosso amigo Observador também marcou presença, como sempre, para garantir que o mundo seja dominado em 2015. Ele aparece antes mesmo da abertura rolar, quando Sally Clark está na costa de Sidney Harbor, se posicionando para o inicio dos terremotos, explicados pelos cientistas como “causados pela radiação solar”. Fringe sempre vai me fazer duvidar do noticiário daqui para frente.

O Glyph Code é ALIVE, na tradução, vivo. Não sei se está ligado diretamente a Nick Lane, que estava desaparecido (e sem status de vivo ou morto definido) desde que Walter e Olivia foram resgatar Peter do lado B ou se a palavra estará relacionada com o próximo episódio, já que desde o episódio anterior os códigos passaram a se referir ao que vem por aí e não apenas ao conteúdo mostrado naquela semana. Como minha obsessão por Belly está imensa, continuo apostando que o Glyph é sobre ele. Se sinos tocarem, lembrarei de sair correndo.

P.S* Pagando para ver como as famigeradas TORRADAS vão resolver toda a trama dessa 4ª temporada.

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