“One of these things is not like the others. One of these things just doesn’t belong. Can you tell which thing is not like the others by the time I finish my song?”

Spoilers Abaixo:

Aproveitando o trecho dessa canção da Vila Sésamo que já foi utilizada em Fringe (2×04 – Momentum Deferred) para dar dicas de que Peter não pertencia ao lado A, chegou a hora de percebermos que mais alguém não está exatamente aonde deveria.

O episódio dessa semana levantou um debate muito interessante. Sabe aquela sensação de que você não se encaixa ou não pertence a certo grupo de pessoas? Então. Você pode estar no universo errado.

No Caso de Lincoln, que ganhou praticamente um episódio exclusivo, foi mais ou menos isso o que aconteceu. Ele se sentia deslocado da grande família feliz tão exaltada por Walter. Seus instintos diziam que, talvez, ele estivesse buscando conforto onde jamais encontraria e que era preciso deixar esse ambiente para espairecer. Ao fazê-lo, sem qualquer pretensão, chegou ao seu objetivo.

O drama apresentado foi realmente muito bom. Aprofundou um personagem relativamente novo e nos mostrou como o universo trabalha de formas estranhas para encaixar cada peça em seu lugar. Só existe um Peter Bishop e agora, só existe um Lincoln Tyrone Lee. Se isso não foi perfeitamente arquitetado, não sei o significado da palavra destino.

Fringe tem brincado, desde seu inicio, com esse tipo de conceito, o que deve desagradar a alguns fãs. A leitura sobre destino pode ser utilizada para cada trama pessoal e cada desenvolvimento dos personagens. Gostem disso ou não.

Como eu, particularmente, nunca fui muito ligada à figura de Lincoln, esse episódio foi uma oportunidade surpreendente de conhecê-lo e até de gostar mais dele. Não sou mais indiferente. A busca dele por saber mais sobre si mesmo e seu lugar no mundo causou identificação e simpatia. Infelizmente, para que isso acontecesse, a versão B de Lincoln teve de morrer.

A interação entre Lincoln A e B foi muito bacana. Essa curiosidade de tentar saber como você se diferencia de, no caso, você mesmo, é absolutamente natural e é algo que às vezes, faz falta no roteiro. É bom saber que temos alguém que, de certa forma, é um porta-voz do público, afinal, se eu pudesse conhecer minha versão B, faria mil perguntas e tentaria saber tudo o que existe de igual ou diferente, os detalhes que definiriam cada uma.

Além das diferenças de personalidade entre os Lincolns, uma coisa fica clara. Lincoln B tinha muito mais determinação profissional, mas nunca agiu em relação a seus sentimentos por Bolívia. Já o Lincoln A… Fica óbvio que ele se voluntariou para a reunião sobre David Robert Jones para estar próximo de Bolivia ou de uma versão aproximada de Olívia, na verdade.

Lincoln descobriu um pouco tarde seu interesse pela colega de trabalho. Ele, inclusive, rejeitou convites dela para sair, caso alguns tenham esquecido. Com a chegada de Peter e a troca das memórias, Lincoln perdeu o lugar definitivamente, mas agora, tudo deve se encaixar para ele, com a escolha de ficar do lado B, ajudando Bolivia a lidar com a perda do amigo e colega de trabalho. Sentimento que, aliás, permeia toda a obsessão de Lincoln com os shapeshifters 2.0.

O caso dessa semana foi absolutamente bem costurado com a trama central. O problema de Lee era o mesmo de Canaan, o primeiro shapeshifter 2.0 criado por Jones e que “deu errado”. Já havia sido estabelecido que essas novas criaturas eram humanos, capazes de alterar seu DNA, por meio daquela “língua” ou “cordão umbilical”. Jones está, obviamente, criando um exército de mutantes, de diversos tipos e usando-os para provar que a ciência pode superar Deus.

Não por acaso, escolheram justamente um nome bíblico para Canaan, que seria o neto de Noé. Para quem relacionou a cena final do episódio anterior à arca que carregou um casal de cada animal da Terra, pode vibrar, porque parece que o caminho que estão percorrendo é esse mesmo. Além do mais, Canaan é o nome da terra prometida, aquela onde corre leite e mel (hoje correspondendo à área de Israel).

O que Jones não poderia esperar é que seu primeiro “filho” fosse se voltar contra ele, abrindo a brecha necessária para que a Fringe Division (ou ambas) descubram que há mais infiltrados do que se pode prever. Nina Sharp B é uma delas (embora ainda precisem explicar sua origem direitinho, já que nesse novo mundo a Nina B poderia muito bem existir e ser vítima de um shapeshifter), assim como Broyles.

Aliás, fiquei tensa naquela cena em Asterix entra na sala do Coronel prestes a revelar que sabe de algum podre. Imaginei que ela fosse dizer que, de acordo com as probabilidades, ele era um shapeshifter, mas depois, comecei a acreditar que ela era apenas a portadora da notícia sobre a morte de Lincoln B.

Para quem estava com saudade do Lado B, esse foi um episódio mais feliz.  Parece que os esforços entre os universos começam a funcionar e várias áreas com âmbar já estão sendo liberadas. Tivemos a revelação de algumas novidades, como uma moeda chamada fillmore (provável referência ao 13º presidente americano, Millard Fillmore), a notícia de que Batman (o “rato voador”) por lá se chama Mantis (ou louva-a-deus) e ainda uma visão privilegiada de um jornal muito parecido com o Profeta Diário, de Harry Potter. Não pude deixar de rir ao ver as fotos interativas na manchete.

O Observador estava um pouco traiçoeiro dessa vez, bem ao fundo da cena em que Lee escolta Canaan, sendo atingido, em seguida. Às vezes a aparição é tão distante e veloz que fica difícil de flagrar o momento certo.

O Glyph Code da semana é DREAM, sonho, em português. Na mesma hora lembrei do 3º episódio da segunda temporada, “Do Shapeshifters Dream About Eletric Sheep?”, curiosamente interligado com “Momentum Deferred”, que citei logo na abertura do texto, além de estar conectado com a descoberta do que são, de fato, os shapeshifters. A ligação com o livro de Philip K. Dick, “Do Androids Dream Of Eletric Sheep?” e o filme Blade Runner, também estão de volta.

No entanto, vale ressaltar que o Glyph é sempre referente ao próprio episódio e nesse caso, ele diz respeito a Canaan e seu sonho de ser algo único. O primeiro de um novo tipo de seres humanos. Canaan também perseguia o sonho de ser importante para alguém e fazer a diferença no mundo.

É lógico que eu não me despediria sem falar dela, que foi a grande estrela do episódio. Acharam que eu passaria a review toda sem mencionar Gene? Achei por bem deixa-la como “grand-finale” porque convenhamos, foi um erro estratégico colocarem aquele mugido super chamativo logo de inicio. Depois, tive problemas para prestar atenção ao drama de Lee.

Quem consegue procurar Observador e descobrir coisas escondidas quando Gene aparece de botas e roupa oficial do FBI, incluindo boné? Fiquei imensamente feliz com o retorno de nossa MUUUUUsa, que foi uma verdadeira diva ao sair de cena e ir para seu “dia de pastar”, dando um espacinho para que Lincoln finalmente pudesse aparecer.

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