Depois de uma premiere decepcionante, Friday Night Lights mostra serviço.
Spoilers abaixo:
“State”
“On the Outside Looking In” é um episódio bem mais forte que “Expectations” por estar ciente de si. Ele tem a função de ser um segundo episódio de uma temporada final que possui muito mais personagens do que pode lidar, assume isso e cumpre a lista de tarefas que lhe foi designada da melhor maneira possível: evitando acumulação, movendo as várias histórias tranquilamente e de quebra, tendo em seu fim o início de uma jornada que a própria trilha sonora trata como épica e que é iniciada com uma simples e poderosa palavra que qualquer fã da série conhece o significado e esboçou um sorriso quando leu.
Durante o decorrer da hora, Eric Taylor estava tão focado em acalmar os ânimos da sua equipe que acabou esquecendo do fator vira-lata que define a mesma e como pode ser usado para multiplicar a força de vontade dos garotos. Eles nunca tiveram apoio na quarta temporada e agora que o recebem (não só da escola, mas de toda a cidade) decidem usá-lo da melhor e mais ampla maneira possível ao mesmo tempo em que se elevam a um nível que não corresponde à realidade. Claro, salto alto é perigoso e enquanto esse é o pensamento inicial e natural do Coach, logo ele descobre que essas regras não se aplicam aos Lions, que talvez esse infantil senso de “todos estão contra nós” seja o gatilho para transformar o time em tudo aquilo que pode ser. “State” é uma jogada de mestre pois foca os jogadores na bola e os atiça, não esquecendo de encorajar o senso de superioridade essencial pra quem acabou de sair da sarjeta.
Outra empreitada profissional, que se prova sem sucesso até o momento, é a de Tami. Uma coisa que me incomodou no episódio anterior foi como ela parecia alheia ao desinteresse – que Jason Katims, em uma decisão infeliz, insistiu em generalizar e abordar de maneira branda – dos colegas de trabalho nos seus projetos que visam ajudar todos os alunos de East Dillon nas mais variadas áreas. Assim, foi bom constatar a volta da perspicácia de uma das minhas personagens favoritas e observar as tentativas dela de consertar a situação, se sentindo excluída pelos outros professores e ignorada por Epyck. Pequeno progresso é feito no final de ambas, mas creio que não devemos levar isso como um grande sinal… Outras séries já fizeram histórias parecidas, os finais delas foram tristes e a maneira mórbida como Friday Night Lights está tratando a sua indica um caminho igual. Pelo menos isso pode acabar sendo um destino isolado já que em duas outras histórias personagens fogem da eventual tristeza, ainda que de maneiras estranhas.
Jess busca aceitar a “fama” de Vince deixando ele ter uma animadora, só para depois perceber que não gosta nem um pouco disso e acha esse aspecto da tradição futebolística do Texas errado; Julie, perdida em um novo ambiente, se deixa encantar até pela mínima noção de orientação representada pelo professor auxiliar. São histórias aparentemente não relacionadas que se conectam de modo sutil pelo medo da solidão, de não ter alguém para lhe pegar ao cair – um sentimento que foi bom ser abordado depois de tantas perdas. Claro, na vida pessoas vêm e vão, mas elas sempre deixam cicatrizes, grandes e pequenas. Aqui, as duas garotas (e o próprio Vince) tentam evitar mágoas futuras mesmo estando inconscientes dessa busca durante um período.
Semana passada, teorizei que o papel de Julie seria reduzido no decorrer da temporada e enquanto ele é de fato um pouco avulso, aprecio muito o tema e as ramificações dele em sua vida, pelo menos até agora. As chances dessa história se tornar irritante são grandes e isso é algo que diz bastante sobre a temporada. Tenho a estranha sensação de que ela pode sair do controle a qualquer momento, se perder em histórias sem sentido e acabar manchando a bela imagem desse grande drama. O que dizer, por exemplo, das cartas que Vince recebe de diversas universidades? É bom agora, funciona e ajuda a aproximar ele da mãe, põe um pouco de alegria no meio de tanta tristeza, mas e nos próximos episódios? É um processo que nós já vimos com outros personagens e não vejo como possa trazer algo original ou válido a essa altura do campeonato.
Nessa fundação errática, Friday Night Lights consegue satisfazer. E ainda que não esteja confiante sobre o que virá depois, a excelência desse episódio é o suficiente por enquanto.
Outras observações
– Becky aprendeu a lição! PTC, você já pode dormir tranquila agora.
– Estranhamente tocante a cena da imagem que ilustra essa review, tanto pelo estádio dos Panthers e aquele azul familiar quanto pela conversa que mostra a exclusão sofrida pelo Coach depois da terceira temporada. É também um pequeno retrato da realidade suja e instável do futebol americano colegial.
– Gostei de como eles conseguiram trabalhar a “infração” na trama, servindo para gerar uma revolta que vai impulsionar ainda mais os Lions nos próximos jogos e, eventualmente, na grande final (considerando que essa é a última temporada, não vejo uma maneira melhor do espírito de superação da série ser abordado). Também foi bom ver o Matt Lauria recebendo material carismático para interpretar já que o Luke acabou sendo, em poucos momentos da quarta temporada, um grande pé no saco.











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