Quando uma série de TV trabalha com a ficção, ela possui uma liberdade de desenvolvimento bem maior do que outras produções, no caso do sobrenatural, não há necessidade de seguir aquele modelo que cansamos de ver na tv ou cinema, é preciso ter o diferencial.
O segundo episódio de Frequency trabalha exatamente isso, a percepção do mundo diante das mudanças causadas pelo sobrenatural, que no caso é a possibilidade de mudar o passado, as reações que acontecem no presente existem porque Frank está vivo, as consequências são devastadoras, July está morta, Daniel não conhece Raimy.
Mas as consequências menores também aparecem, a cada tentativa de Raimy de tentar salvar a sua mãe através de Frank, gera problemas interferindo o fluxo do tempo que em vez de ajudar, acaba atrapalhando. A tentativa de capturar o Rouxinol no passado é um fracasso, porque a cada reviravolta no caso, no presente o suspeito acaba indo para mais longe possível, Raimy sentiu isso no final. A tentativa frustrada do Frank para salvar seu casamento colocando July para falar com a própria filha no futuro e sem sucesso, foi a prova de que a série não pretende se arrastar no plot sobrenatural, afinal, Raimy sabe que provavelmente não poderá salvar a sua mãe e senti o clima de “deixa como está”, afinal ela precisa capturar o assassino no presente e não no passado.
E olhando para esse tipo de narrativa, fico contente que a série não se arrastou no óbvio e agora está definindo parâmetros importantes. A série é sobre pessoas, sobre uma família, recriar laços perdidos. Lógico a mitologia da série é o que move a história, é o tempero certo, mas na panela errada. A CW não tem um histórico bom para desenvolver uma história assim. A maquiagem ainda pesa visualmente e estruturalmente essas falhas se tornarão mais evidentes, o enredo começa a ser construído lentamente, o que também me incomoda e assim, personagens começam a aparecer menos, ou nem aparecer.
Raimy está sozinha e não compartilha o segredo com mais ninguém, de certo modo entendo a preocupação desses detalhes terem consequências maiores e seu vizinho não parece ser ajuizado o bastante, sua vida está uma desordem e ser rotulada como louca não é uma possibilidade que ela queira passar agora.
Como disse antes, as consequências de se investigar o caso no passado, é maior quando vemos os resultados no presente, Stan é o suspeito com mais cara de suspeito que existe seja qual o papel que ele faça. Ele está na cola de Frank e tem um papel crucial nessa história e mesmo sendo intimidado por Frank, ele conseguiu contornar a trama e de alguma forma ele terá um papel no presente bem maior do Raimy imagina.
Como a série pretende se desenvolver lentamente, tenho certeza que o jovem sequestrador Goff, não é o Rouxinol, as cenas que sucedem a presença de Frank e Satch tentando interrogar o garoto, serviram como pista para Raimy seguir em outra direção do caso. O garoto sim é perturbado, mas a mãe é super protetora, não duvido que ela esteja por trás de alguns crimes. O problema é que essa interferência causou o efeito borboleta esperado, a vítima conseguiu escapar mesmo? Ou ela foi em direção do Rouxinol no pântano? Enfim, muitas perguntas que a série coloca justamente para confundir e criar o entusiasmo necessário para a série seguir em frente.
Com esse episódio morno, só repito algo da review anterior, espero sinceramente que a série não se perca, se por um lado o sobrenatural te dá uma margem grande de conteúdo para trabalhar, por outro, enfeitar demais a história pode causar uma reação negativa. Agora é hora de desenvolver mais seus personagens principais para criarmos o laço necessário com a história, afinal temos um elenco bom e uma história legal que merece ser contada devidamente.






















