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E de pouco a pouco, Veronica Mars vai me conquistando.

Spoilers abaixo!

Como eu disse na review anterior, o maior trunfo do piloto foi conseguir criar uma atmosfera que soasse crível. Aqui, nesses dois episódios, ela abraça um lado mais irreal e ainda assim, num modo que casa completamente com as histórias. Como, por exemplo, as alucinações do Duncan no terceiro episódio. Elas foram uma maneira batida e aleatória de mostrar o sofrimento dele, mas o erro não foi tão grande pois a ideia, mesmo no seu núcleo sendo péssima, teve uma execução impecável, não saindo de tom em nenhum segundo.

Mesmo com esse e outros pequenos erros. Credit Where Credit’s Due e Meet John Smith foram bons episódios. Cada um deles, de uma maneira especial, usou bem outros elementos de sucesso do piloto e desenvolveram os personagens rapidamente e com consistência, algo que poucas séries conseguem realizar com duas horas de história. Com essa solidez que o roteiro transmite, eles ganham passes com os telespectadores. Pequenas notas de confiança que permitem as surpresas e outras esquisitices – que lentamente se tornam a marca registrada da série. Outro ponto forte que se encaixa bem nisso, é como eles caracterizam Veronica, a detetive.

Junto com uma personagem brilhante, vem um campo minado. Pistas básicas do seu campo não podem passar despercebidas, e ás vezes, o roteiro precisa que o contrário ocorra para fluir. O que acontece? Eles precisam esconder essa dica vital do protagonista com outra camada de história e isso acaba virando uma cômica tentativa dos roteiristas em tapar um buraco que está vazando água, só para criar outro e aí em diante. Séries inteligentes conseguem subverter o problema (Doctor Who, Justified), outras acabam se destruindo por causa dele (The Mentalist, as últimas temporadas de House). E em qual categoria Veronica Mars se encaixa? Acho que pelos meus elogios não é novidade, mas ela se encaixa na primeira. Mesmo esperta, Veronica nunca tem uma epifania em que o caso todo é compreendido de uma vez só, pelo menos não até agora. Ela o descobre aos poucos, juntando todas as peças em um só lugar, nunca se tornando o foco da investigação particular, como é costume em outras do gênero.

Ao invés disso, ganha a sua própria história, que de migalha em migalha se torna fascinante: o assassinato de Lily Kane. Já sabemos que ela cruzou um sinal vermelho duas horas depois da suposta hora da morte e que a dinâmica da família não mudou muito depois disso. São os candidatos mais prováveis e eu realmente espero que eles consigam evitar que no fim o assassino seja realmente o pai, a mãe ou o Duncan em algum tipo de reviravolta bizarra.  E se eles decidirem seguir esse caminho, que ao menos tenham uma boa desculpa.

P.s.: Por mais que eu aprecie a maneira como eles são resolvidos, os casos precisam de uma apimentada, não? O do primeiro episódio tirou um personagem inédito da cartola pra ser resolvido e o do segundo se inclinou muito na solução que várias pessoas já haviam acertado minutos antes.


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