O valor de um homem não é medido por onde ele vive, mas como ele vive”
Escapar. O mais comum e utópico desejo de todo prisioneiro. Como não pensar numa forma de fugir quando ao contar os dias, você percebe que ainda faltam 30 anos pela frente? As maneiras legais para sair são praticamente impossíveis… Condicionais, apelações, clemência. O plano impossível de saltar o muro tende a dar lugar a formas de escapes mais palpáveis, como a heroína, o álcool. Mas nada se compara a mais espetacular das fugas. Cavar um túnel sempre foi e sempre será a mais clássica. O problema é que uma vez que você está livre, a vida do lado de fora pode não ser tão simples como se imaginava. Ou pior, atravessar o túnel pode não ser tão simples como se imaginava.
A segunda temporada de OZ talvez seja a menos apreciada pela maioria dos fãs. Confesso que quando a assisti pela primeira vez, também tive essa sensação. A necessidade de explorar novos caminhos, apresentar novos personagens e tramas sem perder a qualidade apresentada na temporada de estreia era o grande desafio. Pois bem, ao assistir novamente cheguei a conclusão que nunca podemos morrer abraçados com a primeira impressão. A temporada é muito boa, com um final épico. Os primeiros episódios, que davam a impressão de uma temporada mais lenta, na realidade pavimentaram o terreno para acontecimentos muito relevantes pelo resto dos anos. O episódio final, com 70 minutos, provavelmente tenha sido o mais violento e marcante de toda a série!
Para iniciar essa review, não podíamos escolher outro senão o grande protagonista dessa temporada: Vern Schillinger. Um dos prisioneiros mais cruéis de Oswald esteve em baixa por um tempo. E nesse período ele sentiu na pele por várias vezes como é ser a vítima, e não o agressor. O motivo era óbvio, a possibilidade de liberdade condicional estava muito próxima. O grande problema era conseguir ficar longe de problemas tendo uma coleção infinita de inimigos. Sem a condicional, Vern não tinha mais nada a perder, e voltou a ser o velho Nazista que todos amam odiar. E o seu principal alvo voltou a sentir na pele, e nos ossos, do que ele é capaz. A “Operação Tobi” foi finalmente concluída, e com sucesso. Pior para Beecher, que acaba destruído, física e psicologicamente. Após desenvolver sentimentos por Keller, ele descobre que foi enganado desde o começo e vê aquele por quem se apaixonou quebrar seus braços e pernas. Vern recuperou com maestria o prestígio da Irmandade Ariana, além de deixar uma clara mensagem do que acontece quando alguém resolve enfrentá-lo. Como se não pudesse melhorar, o novo responsável pelos guardas, Karl Metzger, também é Ariano e passa a trabalhar em conjunto com a Irmandade.
Utilizando de sua posição, Metzger não mediu esforços em ajudar sues irmãos. Após Mack descobrir que Rebadow e Busmalis tinham cavado um túnel e estavam prontos para fugir, ele e outro Ariano são transferidos para aquela cela, claro, com a ajuda do novo guarda. Só que ninguém imaginava o quão perigoso Busmalis poderia ser. Cavar um túnel não é apenas fazer um buraco na terra. Toda a dedicação, trabalho e esforço significam mais que isso. Agamemnon se envolve, cria um relacionamento com o túnel. Ele é como uma namorada, que inclusive tem nome: Lizzie. E como um namorado ciumento que se preza, se a garota não for dele, não será de mais ninguém. Busmalis propositalmente deixa falhas nas estruturas e ao tentar atravessar o túnel, os Nazistas são soterrados.
Antes de finalizar a temporada dos Alemães, não podemos deixar de mencionar Robert Sippel. Schillinger não aceita o simples fato de dividir o teto com alguém que tenha histórico de abuso infantil. Vê-lo cumprir sua sentença perante a lei não é o suficiente para Vern. O antigo padre merece saber como os Arianos lidam com os pedófilos. Sua punição? Nada muito pesado… Um simples ritual de crucificação no ginásio. Vern destruiu todos que passaram em sua frente e certamente foi o grande protagonista da temporada.
Tão arrepiante quanto a crucificação, foi ouvir vários gritos desesperados sem sabermos de onde vinham. Fomos poupados da cena, mas não do terror ao ver Rivera banhado em sangue ao perder seus olhos. Miguel fez exatamente como ordenado por El Cid. Embora seu tom de pele não seja marrom o suficiente, será que ele ainda precisa provar fidelidade aos Latinos? O maior inimigo de Miguel sempre será sua enorme instabilidade emocional. Em situações críticas, essa instabilidade não o permite raciocinar com inteligência. Fazer o padre Mukada de refém é mais uma prova disso. Alvarez sabe que enlouquecerá se ficar sozinho, se for rejeitado pelos seus irmãos. Mas atacar Rivera pode significar exatamente a mesma coisa. Essa agressão provavelmente o colocará na solitária para sempre, assim como seu avô. Miguel resolve um problema criando outro maior ainda. Enquanto isso, Rivera precisa de uma transfusão de sangue urgente, e para conseguir a transferência de Cyril a Emerald City, Ryan faz a doação. Que altruísta! Não bastasse ser o responsável pela prisão de seu irmão, descobrimos também que a lesão cerebral de Cyril aconteceu em mais uma das aventuras irresponsáveis de Ryan. Devido a isso, ele tem a mente de uma criança de cinco anos. Agora na mesma cela, Ryan pretende protegê-lo. Se ele for cuidar de Cyril como cuidou até o momento…
Quem definitivamente recobrou o caminho certo, e o fez em grande estilo foi Kareem Said. Aceitar a tentadora proposta de clemência e liberdade iminente concedida pelo governador, um homem que Said repudia e tem lutado constantemente contra, causaria um enorme mal-estar entre os Muçulmanos e o faria cúmplice do sistema, sistema esse que ele tanto deseja destruir. Ainda assim, Kareem poderia argumentar em seu próprio favor, que uma vez livre, estaria muito mais capacitado a ajudar seus irmãos. E essa não seria a primeira vez que ele estaria distorcendo sua fé em benefício pessoal. É claro que não podemos culpá-lo por ter pensado a respeito. O impossível sonho de escapar de repente se transforma num tapete vermelho estendido com as portas abertas a sua disposição. Embora tenha se perdido durante o percurso, na hora de tomar uma grande decisão, aquela que certamente trará grandes consequências, ele demonstra ser aquele grande líder que já conhecemos, um homem que havia comandado brilhantemente uma rebelião, um homem que não aceita a clemência concedida por um criminoso.
Para finalizar, a grande interrogação fica por conta de Adebisi. Estaria ele se convertendo a uma seita africana que sacrifica crianças? O que de fato ele absorveu de Jara? Adebisi parece ser outra pessoa, alguém pacífico e livre do vício. Por outro lado, o Italiano Nappa pretende manter a sociedade com os Negros, e sabe que para o bem dos negócios, Adebisi precisa se livrar desse “encanto” ao qual Jara o submeteu. E nada como eliminar o problema na fonte. Após assistir Kenny esfaquear Jara, Adebisi fica transtornado, num estado indecifrável, indescritível. Ele termina a temporada na ala psiquiátrica, ao lado de Peter Schibetta, apresentando sinais de loucura. Após tudo que vimos Adebisi fazer, só posso concluir seu atual momento como uma grande interrogação.
Alguém disse uma vez que: “O valor de um homem não é medido por onde ele vive, mas como ele vive”. Aposto que essa bela frase seja muito antiga, dita num mundo que ainda não tinha sido apresentado ao sistema carcerário.














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