Morte é a verdadeira condicional, a verdadeira clemência”

Todas as pessoas inseridas num regime democrático têm direitos e deveres reconhecidos e protegidos pela constituição. Alguns se mostram muito inteligentes em defender seus direitos, enquanto a grande maioria é especialista em se esquecer dos seus deveres. Mas nos Estados Unidos, existe o “último direito”, que está acima de qualquer pessoa. Isso significa que o Estado pode te matar. Você pode ser literalmente executado pelas “mãos da justiça”. E cabe ao governador o poder de tamanha decisão. O detalhe é que um homem que sequer conhece o condenado, e que nunca se encontrará com ele, decidirá se ele merece continuar respirando ou ser abatido como um animal perigoso. A pena de morte resolverá os problemas da sociedade? Ou será como matar moscas e baratas, sempre que uma se for, surgirão outras, maiores e piores?

A verdade é que nunca haverá unanimidade de opiniões quanto a esse assunto. Que o diga a equipe de funcionários em OZ. Sister Pete, freira, que por suas convicções é totalmente contrária, se junta aos manifestantes e é demitida. McManus é outro que não concorda com a pena capital. Seus ideais o fazem acreditar na reabilitação do ser-humano, e o sistema carcerário é parte dessa engrenagem. A mudança de comportamento de Keane após sua conversão evidencia essa possibilidade. Não bastasse se sentir impotente com relação a pena capital, Tim descobre que sua namorada, a Dra. Nathan, será a médica presente na execução de Jefferson. Como alguém que faz um juramento de salvar vidas é capaz de participar na execução de uma? McManus perde sua companhia para o jantar e acaba descobrindo em Diane uma pessoa mais sensível ao assunto. Podemos afirmar que o mundo seria um lugar melhor se o assassino de 39 mulheres fosse executado? A resposta parece ser tão óbvia que até mesmo o padre Mukada, também contrário a pena de morte, passa a considerar. A complexidade do assunto pode ser resumida com a pergunta feita por Leo Glynn: “Não matarás” e “Olho por olho”. Será que Deus está falando pelos dois cantos da boca?

Jefferson Keane, já preparado para a execução, pronuncia suas últimas palavras. Elas de fato deixam claro o quão questionável a pena de morte pode ser. Um homem totalmente arrependido gostaria de poder se redimir de seus três assassinatos. Mais complexo ainda, mesmo que recebesse a clemência, o que poderia fazer a respeito? Como se redimir com três mortos e famílias totalmente devastadas? A verdade é que a tão esperada ligação nunca aconteceu. Pelo contrário, o governador era uma das pessoas da plateia a assistir com satisfação a execução de Jefferson. Aos seus familiares, restou apenas a possibilidade de dizer o último adeus.

Em vez de se afastar da sangrenta guerra entre Negros e Italianos quando teve a oportunidade, Ryan O’Reily, responsável direto pela morte de Keane, se mostra disposto a permanecer no olho do furacão. Ele percorre uma linha muito tênue, e qualquer desiquilíbrio pode ser fatal. Mas não há como negar que até agora todos os seus passos estão sendo muito precisos. Seu principal objetivo é enfraquecer Negros e Italianos, a medida em que se aproxima dos principais líderes do tráfico. Dessa vez, uma simples conversa com os Negros faz com que D’Angelo, número 2 dos “Carcamanos”, sofra um “pequeno acidente” e fique fora de combate. Nino fica sem seus homens de confiança, enquanto Ryan se coloca a disposição. Negócios a vista entre eles. Outro que teve que lidar com uma dolorosa morte foi o Latino Miguel Alvarez. Após desenvolver amor por seu filho recém-nascido, ele vê os aparelhos da criança serem desligados. Dentre os cinco estágios da morte, ele surpreendentemente demonstra estar vivendo o final do processo, aquele menos doloroso: a aceitação. Na realidade é difícil determinar como ele de fato se sente, pois ao se cortar propositalmente fica evidente que ele ainda demonstra uma enorme instabilidade emocional. A partir de agora veremos sua interação com os outros presos.

Por fim, podemos afirmar que a eficácia do sistema penitenciário é tão questionável quanto a pena de morte. Casos como o de Tobias Beecher são a prova disso. O sistema penal muitas vezes demonstra ter o papel inverso ao de seu propósito. A prisão termina de destruir o pouco de esperança e dignidade que restou para alguns. Tobias não é um criminoso, é mais um daqueles que cometeu apenas um erro em toda sua vida. A prisão irá restaurá-lo? Muito pelo contrário. Em pouco tempo, ele sofreu diversos abusos, recebeu o pedido de divórcio de sua esposa e começou usar heroína. Com a expectativa de fazer reviver o advogado dentro dele, uma vez que teve sua licença cassada, ele tenta intervir em favor de Keane. Tentativa frustrada. OZ aos poucos vai o transformando.

Enquanto nações desenvolvidas debatem a pena de morte, aposto que nosso país jamais a implantará. E conhecendo bem o lugar que vivo… Melhor assim.

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