Quando os os flashbacks são o que há de mais interessante.
Acompanhamos Sayid no seu auto-exílio após a tortura de Sawyer num episódio que funciona tanto para a introdução de novos elementos da mitologia da série quanto para a conclusão de alguns mistérios abertos lá atrás. Um pouco de Jack-Kate-Sawyer também se contorce para dentro do texto, mas de modo geral, o episódio se compromete em manter o foco em Sayid.
Sayid é capturado por Danielle Rousseau, a mulher que enviou o sinal da transmissão de 16 anos atrás e logo percebe que ela não está completamente (ou minimamente) sã. Rousseau não é a mais cativante das personagens e depende do carisma de Sayid para não quebrar o tom.
Por mais que o roteiro pudesse ser muito mais especial se tivesse sido mais monogâmico com Sayid, as cenas com os outros sobreviventes não deixam de ser sensibilizantes.
Hurley, numa tentativa de trazer diversão à “vida” melancólica na ilha, constrói um campo de golfe e os sobreviventes têm de, novamente, encarar uma crua realidade: estão ali para ficar.
O triste ponto da narrativa é que ela é convencional demais. O departamento de efeitos visuais, por exemplo, abusa do blur para simular a tontura de Sayid e ocultar a identidade de Rousseau. O episódio se preocupa mais em seguir todos os padrões da indústria do que em ser reflexivo (como o título sugere que é).
Passamos muito pouco tempo à sós com Sayid e os flashbacks agradam mais do que as suas interações com Rousseau. A história de Sayid e Nadia é belíssima e eu facilmente abriria mão das cenas com a francesa por mais momentos do pobre casal. O amor trágico entre o soldado e a terrorista é atropelado pelas estúrdias de Rousseau e isso é imperdoável.
Lost não demonstra qualquer intenção de fundamentar coerência entre todos os seus personagens. Alguns são indivíduos comuns, outros têm origens épicas. É uma estratégia discutível, por mais que seja seguida por essencialmente todos os personagens que têm grandeza entre suas qualidades.
Enquanto Claire é só uma grávida e Jack um médico com daddy issues, Sawyer e Kate são criminosos de alta classe. Tenho o pressentimento de que isso virá a ser um sério problema no futuro.
Solitary é um episódio que pode desapontar quem espera por uma oportunidade de se trancar no labirinto mental de um único personagem. O roteiro parece não confiar no seu lead-role e não saber balancear as cenas com Rousseau e os flashbacks. Um episódio que só não é reprovado porque contém alguns preciosos minutos de Sayid e Nadia.
Enquanto isso, no indecifrável epílogo da mente…
(?): Rocha Negra? Os Outros? Doença? Se Rousseau passasse menos tempo sendo chata e respondesse de uma vez as questões que ela mesmo levanta, o episódio teria 10 minutos de duração. Mas será que os companheiros de Rousseau estavam mesmo doentes ou ela é que estava totalmente fora de si quando os matou?
(.): Sawyer se entregando ao convívio e apostando no jogo de golfe foi muito bonito. Espero que o próximo episódio dele chegue logo.
(!): A transição da tacada de Jack para o arremesso de faca de Locke foi ótima!















