
A vingança é um prato que se come frio, mas ela é absurdamente deliciosa!
Quem não gosta de humor, e mais ainda quando este senso hilário é sagaz, bem explorado e na medida ideal? Impossível resistir, assim como “Trash”. E este é o episódio de nossa coluna flashback, que retorna com Saffron e sua sensualidade, para um dos episódios, que em minha opinião é, definitivamente, o mais engraçado de Firefly.
Tudo começa com um reencontro para lá de intenso, Malcolm estava realizando seu contrabando tradicional com um de seus velhos amigos Monty, quando este confessa ao colega que acabara de se casar. Surpresa de Mal e nossa maior satisfação, quando esta nova esposa revela-se como Saffron, ou melhor, Bridget. Aliás, devo confessar que o reencontro desta dupla transcende o clássico, com a tradicional sacada de armas ao mesmo tempo, um emblema do velho oeste. “Então vocês já se conhecem.”. E como se conhecem Monty! Christina Hendricks está de volta, e em minha opinião, ela nunca precisaria ir embora.
Trash inicia com Malcolm destruindo o casamento de Monty e Bridget, (com direito a desabafos do tipo “Você partiu meu coração!”), e como consequência, nossa brilhante, bela e maléfica cobra traidora precisa voltar à ativa. Para começar ela precisa salvar a sua pele, não permitindo ser abandonada em uma rocha sem vida no meio do universo. Mas como convencer Mal de que salvá-la valeria a pena? Vamos ser sinceros e confessar que o capitão possui uma enorme queda por Saffron e que ela sabe disso, precisando apenas encontrar uma desculpa qualquer para que o homem amoleça seu coração.
E qual seria a desculpa senão um belo golpe, ainda mais, quando a vítima trata-se de um agente da Aliança. Isso é irresistível, mais do que o próprio charme da mulher. Pois então, Serenity tem uma nova missão: “Confiar” em Saffron e elaborar um belo furto com direito a participação de toda a tripulação, incluindo Inara.
É impressionante o quanto Joss Whedon sabe explorar os plots secundários da série, como por exemplo, os relacionamentos do protagonista com as mulheres, ou a sua falta de tato para tê-los. O André Fellipe já comentou isto e eu concordo perfeitamente, em como os diálogos são sensacionais, tanto com Christina Hendricks quanto com Morenna Baccarin, com a primeira temos a transparência da atração retratada com diálogos ambíguos e agressões passionais. Enquanto que com a segunda temos a demonstração (ou melhor, a falta dela) de um sentimento maior, onde Inara (como uma perfeita romântica) aguarda uma posição mais clara do capitão. Ela se faz de difícil, mas o homem tem tantas dificuldades em entender as mulheres que nem percebe o quanto “nossa acompanhante” quer ser galanteada e viver o seu “conto de fadas”, exatamente para compensar o fato de que ela conhece o outro lado da moeda, (onde a sua companhia tem objetivos claros e preço estabelecido).E é muito legal, o quanto apesar de inocente, Malcolm acerta em cheio quando põe Inara como membro essencial de seu trabalho, tentando assim, provar que ele a vê além de sua profissão.
Mas se Malcolm tem problemas para entender o que sente por Inara e por Saffron, a tripulação de Serenity sabe exatamente o que pensar desta segunda. Wash desabafa tentando entender o que aquela mulher está fazendo na nave. Jayne demonstra mais uma vez que enquanto ele for pago ele estará feliz. Enquanto Zoe confirma a confiança que tem em seu capitão, mas que nem por isso deixa de ser rancorosa, acertando um belo cruzado de esquerda na mulher.
Porém, “águas passadas não movem moinhos”, a tripulação segue em frente com o plano que se resume em invadir a residência de Durran Haymer – Dwier Brown – (um dos maiores colecionadores de artefatos da Terra Antiga), e roubar sua Lassiter (uma original pistola a laser, precursora de toda a tecnologia a laser moderna). Para facilitar a intenção do roubo, sabe-se que Haymer é da Aliança e que possui inúmeros artefatos por ser especialista em armas biológicas. Destruindo assim, civilizações e mantendo a integridade dos objetos.
Saffron possuía todo o plano para entrar no complexo e roubar a arma, ela só precisava de ajuda para sair com o item. Kaylee surge com a ideia de jogá-lo no lixo e redirecionar a carga para um vale deserto. O plano era perfeito, Malcolm e Saffron apenas precisavam cuidar para não serem flagrados no ato (do roubo), e foi a única coisa que eles não se cuidaram, Haymer encontra os dois enquanto praticam o crime. E para surpresa de todos, mas nenhuma novidade, Saffron (ou Yolanda) também é esposa de Durran.
Como temos subjetividade nesta cena, ainda que o foco seja o furto da arma, a única discussão que não ocorre é tratar sobre o artefato, exceto a confissão de Malcolm, entendendo que admitir o crime é o menor dos pesares diante do fato de que ele também é casado com Saffron. A interpretação do trio é muito boa, equanto Dwier Brown representa o marido traído, magoado. Nathan Fillion é o amante que tenta se esquivar da situação de qualquer jeito, até o desabafo em dizer que a galáxia inteira é casada com a mulher.
Por fim, o “casal” consegue escapar e temos a revelação do lado humano de Saffron, ela se abre com o capitão provando o quanto era apaixonada por Haymer, ainda que não o suficiente para abandonar a sua vida de golpes. Um dos diálogos mais inteligentes do episódio é quando ele diz que quando a dor da moça passar ela voltará a ser a pessoa que sempre foi. E enquanto ele a consola, a dor já passou e ela segue com sua trama em enganar o bobo mais fácil que ela já encontrou.
E se em “Our Mrs. Reynolds” Christina Hendricks e Morenna Baccarin fizeram a alegria da rapaziada, (segundo nosso amigo André Fellipe). Em “Trash”, Nathan Fillion decide compensar este lado para a mulherada, em uma cena engraçada, ambígua e extremamente deliciosa (em todos os sentidos). Saffron o deixa no deserto praguejando e absolutamente nu. Eu confesso que da primeira vez em que vi este episódio pensei que Malcolm havia perdido sua chance de vingança, mas como a mesma é um prato que se come frio, quem saboreou com mais prestígio esta reviravolta foi Inara, que observava de camarote as artimanhas de sua rival e torna-se a última cartada de nosso capitão. “E que cartada!”.
Às vezes penso que se Firefly não tivesse sido cancelada logo no começo, Christina Hendricks poderia se tornar figurinha carimbada da série, pois eu consigo enxergá-la tranquilamente como parte da tripulação de Serenity apimentando a vida de todos, além de ser uma rival a altura de Inara, seria um belo triangulo amoroso.
E após um enredo de contrabandos, reencontros, brigas, paixões e reviravoltas, a tripulação de Serenity sai vitoriosa no que se resume em uma única frase do capitão Reynolds “Um bom dia”, e pode por “bom” nisso capitão, com certeza!
Observações Finais:
Eu amo ver um casal literalmente brigando, e acho que não sou a única. A mistura de raiva com tensão sexual é responsável por captar os melhores momentos de filmes, séries, novelas etc. E aqui não foi diferente, o inicio do episódio explorando uma bela luta entre Malcolm e Saffron já te faz se endireitar no sofá e dizer: “Este episódio promete!”.
O desabafo de Monty “Você quebrou meu coração em mil pedaços” enquanto partia em sua nave, rendeu ótimas risadas.
Inara dizendo que Malcolm é um batedor de carteiras. “Nossa Inara, não maltrata nosso capitão assim!”.
A química entre Nathan Fillion e Christina Hendricks é fantástica, confesso que fico rindo que nem uma boba enquanto assisto aos dois.
Simon aumentando o remorso de Jayne ao descobrir que ele o traiu em Ariel, mas que mesmo assim ele jamais o tratará mal ou tentará se vingar, é um desabafo capaz de destruir qualquer plano futuro do “cowboy”, ainda mais sabendo que River é capaz de “matá-lo com a mente”.
No próximo episódio de Firefly: Conheceremos um pouco mais do passado do Capitão Malcolm e de Zoe em suas histórias de guerra.














