“Thank you, George.”

A segunda temporada de 24 é uma das minhas favoritas, e uma que refletiu perigosamente acontecimentos bem próximos aos reais. Na ficção, um artefato nuclear foi detonado em solo americano, fato que levaria os EUA a uma guerra. Com o passar dos episódios, descobrimos que o plano todo havia sido concebido por um consórcio americano, com investimentos no ramo petrolífero, justamente para induzir uma guerra no Oriente Médio e assim valorizar ainda mais o petróleo produzido por eles. Já na, digamos, vida real, George W. Bush acabou invadindo o Iraque (um dos 10 maiores exportadores de petróleo do mundo) sem o aval da ONU e sem motivo aparente (até hoje não foi provado que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa). Além de aumentar o orçamento bélico dos EUA, a invasão do Iraque em 2003 praticamente dobrou o preço do barril do petróleo na época. Com certeza alguém ganhou muito, mas muito dinheiro com isso.

E por que desta introdução toda? Uma lembrança que me marcou muito foi quando no dia 19 de Março de 2003, os EUA invadiam o Iraque, e duas semanas antes, no dia 04 de Março foi ao ar o episódio 2×15 de 24, que termina com a bomba nuclear explodindo nas proximidades de Los Angeles. Eu que já estava viciado na série, comecei então a surtar com os caminhos que iriam levar até o finale desta segunda temporada, comparando a realidade com a ficção. E é justamente sobre este episódio que resolvi escrever. Sou o colaborador do Serie Maníacos, Tiago VC, e este é o texto mais longo que já escrevi.

Antes de mais nada vamos relembrar os acontecimentos desta temporada até agora.

Anteriormente em 24 Horas:

Tony, tem um minuto? Pra que? **GEORGE MASON** Chegou a hora de entregar o cargo. Aqui estão os códigos de acesso da CTU e da “Division”. A partir de agora você é o novo diretor da CTU, Tony.

Você vai me deixar sair daqui agora. Eu sei que a bomba não explodiu. **KIM BAUER** Eu só queria alguma companhia. Então por que você mora aqui? Meu lugar é aqui. O meu não. Pegue esta arma. Tem pumas lá fora.

Roger Stanton confessou que sabia sobre a bomba há semanas. **PRESIDENTE DAVID PALMER** Você tem que confiar em mim, David. Sua presidência está sob risco. Deixe-me ajudá-lo. Não, você vai embora. E se você resistir não terei escolha senão prendê-la.

Me dê seu distintivo, Kate. Não! Não acredito que teria coragem de atirar em mim. **MARIE WARNER** Aaah! Onde está a bomba, Marie? A verdadeira! Vai pro inferno, seu infeliz. Não vou te contar nada.

Por que quer que minha equipe saia daqui do aeroporto tão rápido? A bomba ainda está aqui não está? ** JACK BAUER ** Times A e B iniciem uma varredura em todos os galpões do aeroporto. A bomba está aqui, eu repito, a bomba está aqui.

Quinze horas se passaram desde a primeira informação (lá na Coréia do Sul) sobre uma bomba nuclear nos EUA, e finalmente a CTU a encontra. Mas ela não pode ser desarmada. Os “vilões” de 24 são um capítulo a parte, como em camadas, vamos descobrindo os verdadeiros cabeças ao longo da temporada, aos poucos, e eles são bem inteligentes, sempre com seus planos de contingência afinados. Bom, já que não pode ser desarmada, o jeito é colocar num avião e detoná-la bem longe da cidade. A fila de voluntários para fazer um kamikaze com o avião é bem longa, só que não. E lá vai o Jack de novo.

Enquanto isso, no núcleo da Casa Branca, se discute qual o melhor (ou menos pior) lugar para se detonar uma bomba nuclear. E assim, em três minutos, temos uma breve aula com Mike Novick e Lynne Kresge explicando as consequências de uma detonação no oceano ou no deserto. 24 também é cultura. Do presidente Palmer eu sou fã, não tem jeito. Como senador ele já era perfeito em seus ideais e atitudes, e depois de ser manipulado pela vadia da Sherry por 20 anos, agora ele aprendeu como poucos a ler as reais intenções de quem está ao seu redor. Eric Rayburn e Roger Stanton que o digam.

A CTU, com seu sangue americano e orgulhoso, não aceita a ajuda de Yusuf (um agente do Oriente Médio). Foi ele quem entregou uma caixa com pertences de Sayid Ali, entre estes pertences uma gravação contendo a conversa de Ali com membros do alto escalão de três governos. Esta gravação vai ser o ponto chave dos próximos nove episódios rumo ao season finale. Bom, nesta temporada não bastasse uma loira fazer parte do grupo terrorista, como também Yusuf e Reza se mostraram inocentes. Tchau estereótipo que todo mundo do Oriente Médio é terrorista (tchau não, melhor um até breve, pois ele volta nas próximas temporadas).

O que dizer de Kim Bauer? Se na primeira temporada ela surpreendeu sendo forte em alguns momentos, e completamente imbecil (como todo adolescente) em outros, neste segundo dia tivemos um festival de tramas absurdas e embaraçosas, como presa numa armadilha de puma, conhecer um caçador que mora numa cabana com um bunker, e ser refém de (pasmem!) um outro louco no supermercado, tudo isso em menos de 24 horas. Os pontos altos da trama de Kim nesta temporada (fora o pós-banho com a camisa branca – um clássico!) foram: o momento em que descobrimos o corpo de Carla no porta-malas do carro, quando Kim dá dois tiros à queima roupa em Gary Matheson (com Jack gritando do outro lado da linha), e na emocionante despedida com o pai.

Um dos personagens que mais marcaram em toda a série foi George Mason, mesmo aparecendo em apenas 27 episódios. Na primeira temporada ele chegou a ser drogado e chantageado por Jack, pois estava sempre em seu caminho. Agora diretor da CTU, tão logo foi descoberto um possível ataque nuclear em Los Angeles, George surta e resolve fugir da cidade para se salvar. Antes disso, ao parar para investigar um galpão acaba se contaminando com plutônio. E é quando restam apenas alguns minutos para Jack mergulhar o avião, que descobrimos que George havia embarcado também. Destaco a ótima atuação de Xander Berkeley principalmente com os sintomas de contaminação: não só a tosse (isso até eu consigo fazer), mas toda a postura e fraqueza que vêm resultado da radiação. O cara ficou acabado! A conversa dos dois no avião é praticamente um monólogo de George, e é sensacional ao colocar um dedo grande na ferida de Jack:

“O mais difícil já foi feito, você decolou, saímos da cidade… O que resta? Voar em linha reta, nivelar e depois mergulhar? Não é? A não ser que você queira morrer. Você sempre quis morrer desde a morte de Teri… Com tudo que te aconteceu no último ano até que a morte não parece má ideia… Você sai gloriosamente como um dos maiores heróis de todos os tempos, deixa os problemas para trás… Parece o jeito mais fácil de fugir. Você ainda tem uma vida. Se quiser ser um herói eis o que você tem que fazer: você sai deste avião, junta todas as peças, ache um meio de se perdoar pelo que aconteceu com você e com sua mulher, se acerte com sua filha e continue servindo seu país. Pra isso sim é preciso coragem”.

Contagem regressiva. Às 10h56min vemos Jack saltando de paraquedas antes de o monomotor iniciar o mergulho suicida. Nos últimos um minuto e meio acompanhamos os momentos finais de George rumo à sua redenção. E a bomba explode no deserto de Mojave. O presidente Palmer observa o cogumelo à bordo do Air Force One. E o relógio, que desta vez não teve o tique-taque mudo, marca 11h00min. RIP George Mason.

Esta temporada tem outros momentos espetaculares, vários deles do confronto Jack X Nina: Jack interrogando Nina, Nina a ponto de executar Jack (com perdão presidencial para isso), além deles temos David Palmer sendo afastado do cargo de presidente (pela 25ª emenda), a traição de Mike (que tranca Lynne numa sala e conspira contra David), a tortura de Roger Stanton e lá no começo do dia, com o ataque a CTU. Isso explica porque minha maratona desta temporada durou dois dias.

Outras considerações:

– Que raiva da Sherry!! E da Nina!! E da Carrie!! E de todas as “bitches” desta temporada.

– Legal ver rostos bem conhecidos fazendo pontas como o Daniel Dae Kim, o Jin de Lost; Dean Norris, o Hank de Breaking Bad, Michelle Forbes, a Maryann de True Blood; Alan Dale, de Lost, Once Upon a Time, The O.C.), e tá bom, né.

– Coloco a 2ª temporada no mesmo nível da 1ª, 4ª, 5ª. Estas quatro estão no topo da minha lista. E na de vocês?

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