The Flash revela a identidade de Savitar em I Know Who You Are, mas será que compensou a espera?
Spoiler alert: não compensou. Faltando apenas três episódios para a conclusão de seu terceiro ano The Flash finalmente revelou quem era o vilão por trás da máscara, o terceiro evento do tipo desde a estreia da produção do Corredor Escarlate. E da mesma maneira que seus antecessores, descobrir quem era o grande e ameaçador do ano terminou de maneira insossa e sem nenhuma recompensa real. Na altura do campeonato a única resposta possível para o que o Flash se tornou é: a Warner mandou destruírem o personagem antes do lançamento de Liga da Justiça, porque nada, nenhum tipo de crescimento ou amadurecimento justifica a sucessão de decisões erradas e questionáveis que os roteiristas tiveram nos últimos dois anos da série.
O real problema de Flash é que suas revelações, tão “aguardadas” e antecipadas pelos telespectadores, sempre terminam da mesma maneira: sem nenhum impacto emocional real. Sim, para os personagens foi um choque perceber que Harrison Wells era o Flash Reverso, que Jay Garrick na verdade era o Zoom e que o Barry é o Savitar (neste caso só para o Barry, por enquanto), mas estes segredos e surpresas só criam momento para os personagens dentro daquele mundo. Para quem está do lado de fora muitas vezes a resposta vem através de outras mídias e paralelos, com pouca ou quase nenhuma conexão com o derradeiro momento da verdade. E então o que deveria ser o ponto chave, se transforma em um grande ‘a tá’.
Após dezenove episódios The Flash revelou quem estava dentro da armadura do deus da velocidade, o próprio Barry Allen. Esta não apenas é a prova de que o Barry é o pior em qualquer realidade ou linha temporal, como também vai contra toda a história que a série desenvolveu no episódio passado. Esta é uma nova versão do herói de Central City, mas de qual Terra? Com uma cicatriz no rosto e sem o clima emotivo de 2024, Savitar por algum motivo culpa a si mesmo por seu sofrimento e, mostrando que o Barry jamais aprenderá a não se intrometer com a linha do tempo, decide voltar para o passado e matar a mulher que ele ama, justamente o evento que o transforma em um homem miserável no futuro. E então o que deveria ter sido um momento chocante se torna em algo inacreditavelmente fora de tom e confuso.

E o pior é que o episódio não consegue se manter dentro da esfera pessoal da vida de Barry e de sua tentativa de impedir a si mesmo – que confusão. Grande parte do capítulo é centralizado em discursos de “você consegue”, “esse não é o caminho” e no meio de toda aquela tempestade emocional ainda tiraram um tempo para trabalhar a vida amorosa do Joe (?), em um dos piores momentos possíveis para desviar da trama. Com a filha próxima de ser assassinada por um velocista conhecido como o deus da velocidade, Joe prefere passar parte do seu tempo treinando para uma corrida, resolvendo seu dilema sentimental e vivendo como se nada realmente trágico estivesse para acontecer – o mesmo vale para Wally.
Este é o grande erro de Flash atualmente. A série adentrou em um campo de depressão e escuridão tão grande, que ao tentar quebrar a barreira usando personagens menos calejados (apesar de igualmente envolvidos com o pesar) ela termina “perdendo tempo” e se desviando do caminho sem nenhuma justificativa convincente. Tanto é que apenas algumas semanas da morte da irmã e com um velocista maníaco a solta, o outro velocista da série, Wally West, aquele que estava treinando para impedir o Savitar de matar sua irmã, decide ir para outra dimensão passar um tempo com a namorada. E neste ponto The Flash me perde quase totalmente, afinal é apenas a constatação de que a série está tentando se levar a sério enquanto brinca com sua temática. É preciso decidir o que quer ser, algo que Arrow fez nesta atual quinta temporada e que está fazendo toda a diferença para a qualidade da produção.
O que realmente valeu a pena dentro do episódio foi poder ver Nevasca agindo como vilã, com direito a ‘escorrega de gelo’ e alguns quase assassinatos. Só que mesmo com a potencial vilã a série também falha. É interessante ter a Nevasca como alguém tão diferente da Caitlin, já que além de oferecer para a atriz, Danielle Panabaker, uma nova roupagem para sua personagem, também garante uma importante “virada de eventos”, uma que é muito mais eficaz do que a revelação da identidade do vilão. Só que Flash não é corajosa o suficiente para fazer de Nevasca algo definitivo. Criaram a ilusão de uma força capaz de corromper Caitlin, mas já neste episódio mostraram que talvez ela não seja tão má assim. É um clichê bobo e previsível, um que Flash poderia deixar de lado.
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No final a série do Corredor Escarlate é covarde. Ninguém consegue realmente encarar os problemas como deveriam, de frente. Barry sempre está procurando uma saída fácil, ao invés de atacar a doença em sua origem. Nevasca é anunciada como vilã, pintada como irreversível e depois visitada por uma potencial trama de redenção. Flashpoint Paradox, o evento que poderia ter reformulado todo o mundo do Barry e amigos, se tornou apenas um espectro de seu potencial. Enquanto Flash continuar se escondendo atrás de vilões mascarados, saídas fáceis e desprezo pelos próprios problemas que cria, todo o caráter emergencial que querem impor terminará exatamente como a descoberta de que Barry é seu grande vilão – previsível.
Easter eggs e outras informações em I Know Who You Are:
– Quão estranho é ter um cardápio secreto com o nome do Zoom como drink? Seria o mesmo que ir até o Starbucks e pedir o especial ‘maníaco da cruz’. Próxima temporada o Jitters será o grande vilão.
– Onde está a Força da Aceleração que não prende o Barry de uma vez por todas ou tira seus poderes? Não tão sapiente como gosta de imaginar, essa tal Força.
– Tracy fez ótimas referências a Exterminador do Futuro, ao se intitular Sarah Connor e também a Origem dos Guardiões, ao chamar Caitlin de irmã do Jack Frost. Felizmente nenhuma menção a Elsa, de Frozen.
– Quanto a comparação de Tracy, Cisco e HR preferiram nomeá-la Miles Dyson, o homem anunciado em Exterminador do Futuro 2 como o criador da tecnologia que se tornaria a Skynet.















