Juan Pablo Escobar Henao, que posteriormente adotou o nome de Sebastián Marroquín, acaba de lançar o documentário Escobar al Descubierto, e durante a coletiva de divulgação fez críticas a série Narcos, da Netflix, entre outras produções inspiradas na vida de seu pai.

O primogênito de Pablo Escobar explicou que pretende contar a verdadeira história do narcotraficante mais famoso do mundo, sem repetir os erros de outras produções que, segundo ele, glamourizam os fatos e glorificam seu pai, o que ele considera uma irresponsabilidade e desserviço à sociedade, pois inspira jovens a seguir o mesmo caminho baseado em histórias que não correspondem à realidade, enquanto sua família quer usar os fatos para conscientizar sobre a violência.

Ele afirma que Escobar era muito mais cruel do que o personagem exibido em Narcos, produção que define como “muito hollywoodiana, muito americana” e alfineta:

“A apresentação da plataforma nos deixa sem saber se é Pablo Escobar ou James Bond. Ele era um bandido que tinha que se esconder em casas onde passava fome, frio, calor, sem geladeira, com vazamentos… Embora tivesse US$ 4 milhões em dinheiro. As mensagens foram perdidas na série”.

Sebastián se ofereceu para colaborar com a produção da Netflix e foi recusado com alegação que “já conheciam a história, sabiam melhor do que ele”. Mas agradece a plataforma de streaming por, de qualquer modo, ter lhe ajudado a vender livros. Resposta irônica a qualquer um que lhe acuse de tirar proveito do seu pai. Ele reconhece que o nome “Pablo Escobar” atrai atenção, gera polêmica e vende produtos, mas enfatiza: “Como filho, tenho mais direito de falar dele e da minha família do que a Netflix”.

Na lista de produções desaprovadas pelo primogênito de Escobar tem a série colombiana Escobar, El Patrón del Mal, que Marroquín chama de “versão fraudada que deu errado” e o filme Loving Pablo, inspirado no livro Amando Pablo, Odiando Escobar, que apesar de não ter assistido, ele lamenta que Javier Bardem e Penélope Cruz tenham desperdiçado talento em uma obra baseado nas palavras de “alguém sem credibilidade”. No caso, a jornalista Virginia Vallejo com quem o chefão do tráfico teve um caso.

Já no documentário criado por Sebastián Marroquínque também é co-produtor e narrador, a sua verdade será exposta através de fotos e vídeos inéditos, documentos que contradizem a polícia e depoimentos, incluindo o de sua mãe Victoria Eugenia, a Tata. Casada com Pablo por quase duas décadas, ela foi a pessoa que melhor o conheceu na intimidade e falará pela primeira vez sobre o assunto, após anos de silêncio.

Ele próprio admite que se sentiu mais à vontade para falar depois que muitos inimigos de seu pai foram mortos e expor os acontecimentos em sua verdade mais crua não significa falta de amor por seu progenitor, pelo contrário, ele faz questão de lembrar com carinho tudo que o pai representou e lhe ensinou, mas explica que o amor não o cegou. Sempre encorajado a estudar e não herdar o império da droga, Marroquín acredita que “o pai não teria sido metade do que foi sem ajuda da corrupção”. Para ele, Pablo Escobar só se envolveu com a política porque isso lhe garantiria reconhecimento e impunidade.

Escobar al Descubierto estreou nesta segunda-feira 5, no canal espanhol DMAX com audiência acima da média. Até o momento, não há conhecimento sobre transmissão do documentário no Brasil.

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