Depois de vários erros enfim surge um acerto?

Episódios como La Serpiente fazem com que ainda seja possível ter alguma esperança em FTWD. Tudo ficou encaixadinho dessa vez e fica bem perceptível que a artificialidade dos conflitos e dos personagens do rancho que estão segurando o potencial da série. Que venham mais horas como essa, pois a temporada ainda pode ser salva.

Focar os acontecimentos dessa semana em Victor, Daniel e Madison trouxe um ar de frescor já bastante necessário. Esses são três dos personagens que estão há mais tempo na série e são os três que mais estão conscientes das difíceis decisões que o novo mundo pode os levar a tomar. E o melhor de tudo: eles não têm medo de estar nesse papel. O mundo pós-apocalíptico é cinza e somente os que se entregam a esse “forçado daltonismo” que conseguem sobreviver. E como bem sabemos, se forçar a ver as coisas da maneira antiga, como Lola, a líder da represa, insiste em fazer, só pode levar a uma mais do que segura morte.

A partir daí, vemos que cada um que forma essa tríade que representa o atual núcleo da série (bem, junto de Nick, mas este passa por um mau momento, deve-se dizer) se entregou aos seus instintos mais primitivos, às características que mais os definem em seus âmagos, e aprenderam a usá-las como força motriz nesse mundo com regras ainda tão pouco definidas. Madison vestiu mais do que nunca sua armadura de mãe. A essência materna se potencializou de tal maneira que ela até já esqueceu como ser si mesma, enterrando os seus desejos e anseios, e foi exatamente isso que a fez se adaptar tão bem à nova realidade. É isso que a mantém viva. Importante frisar, entretanto, que a sua maior força também é sua maior fraqueza. Ela precisa adquirir um discernimento dos momentos em que esse “amor” a deixa cega e vulnerável, e é por isso que Victor, seu único amigo, é peça essencial ao seu lado. É ótimo tê-los juntos novamente e espero que isso se mantenha por muito tempo.

Já o senhor Strand tem sua maior força na sua astúcia, na sua mente de serpente e não foi à toa que o episódio foi intitulado em sua homenagem. Victor praticamente manipulou todo o enredo desde o reencontro com Madison até a obtenção da tão desejada fonte de água. A sua capacidade de identificar brechas e saber como usá-las ao seu favor é admirável, algo que foi claramente mostrado na explosão do carro de água, mas também sutilmente referido na cena em que fingia não saber espanhol enquanto calmamente obtinha informações da conversa dos dois ajudantes de Lola. Sua visão fria e reptiliana é única em meio a personagem tão movidos pelo calor das emoções, o fazendo uma peça valiosa e colaborando para sua sobrevivência até hoje.

E, por fim, há Daniel, que a princípio pode parecer possuir uma certa frieza, mas não é algo como a que exibe Victor. O que o move e o mantém vivo no novo mundo é a sua ira. A raiva que sente e a maneira como consegue manipulá-la ao seu favor é o seu diferencial. É uma raiva que sente de si mesmo, das suas experiências, do que fez ao longo da vida e que pode ser bastante autodestrutiva se mal canalizada. Talvez por isso sua relutância em reencontrar sua filha, já que imagino que essas emoções o levem ao estado de instabilidade em que se encontrava na segunda temporada, algo que quase resultou em sua morte.

Apesar do início terrível dessa segunda metade da atual temporada, FTWD nos apresenta uma volta por cima nessa incrível montanha russa de qualidade. Semana que vem nos focaremos no rancho e, pelo título do episódio, principalmente na relação dos irmãos Jake e Troy assim como de Alicia e Nick. Esperemos que essa oportunidade sirva pra que essas relações sejam aprofundadas (algo muito necessário aí), apesar das limitações de talento óbvia de boa parte do elenco que ficou no rancho.

Em Tempo de Asco: Quem conseguiu passar por toda a sequência que envolveu o desmembramento do zumbi entalado no esgoto e o posterior banho na corrente de merda sem se retorcer de nojo?

Em Tempo de Salvação: Acho que o personagem mais mal utilizado da série é Alicia. Toda a sua consciência como filha abandonada, frente à clara preferência de sua mãe por Nick, podia ser bem mais explorada. Ainda na esperança de um arco mais gratificante para a personagem.

Em Tempo de Potencial: Vejo um grande potencial em Walker, bem maior do qualquer um dos dois irmãozinhos do rancho. Seria genial se os roteiristas escolhessem desenvolvê-lo em vez de apenas pintá-lo como uma caricatura de nativo americano que protege seu povo e ressente o homem branco.

REVISÃO GERAL
Nota:
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