O retorno da terceira temporada foi como bem se esperava.
Difícil. Acho que essa é a melhor maneira de adjetivar o ato de assistir a um episódio de FTWD. E num episódio duplo então…. Hajam pausas pra tomar fôlego, abrir a porta da geladeira ou forçar um ida no banheiro. A série se deparou com o mesmo problema da sua série-mãe: ela encontrou uma fórmula, se adaptou à ela, e agora não consegue mais sair dessa caixinha. E é uma caixinha entediante. Bastante.
A primeira metade da temporada do rancho já mostrava que tinha tudo pra ser a pior até agora. Com novos personagens pouco cativantes, conflitos desinteressantes e um texto sofrível, a série cometeu seu maior pecado ao tirar Travis de cena, privando-nos da única tridimensionalidade que havia na história. Agora o peso de tudo está sobre os ombros de Madison, e é um peso que já se mostra mais do que ela pode carregar. A personagem de Kim Dickens é claramente “construída” (fotocopiada talvez) para ser uma versão feminina do Rick. Sua expressão sisuda, sua crescente força para tomar decisões questionáveis, seu instinto em defender a família, tudo reverbera os comportamentos do xerife de TWD. Aliás, é um exercício interessante tentar criar paralelos entre os personagens das duas séries (Nick/Daryl), (Maggie/Alicia), (Carol/Daniel). Quantos pares mais vocês conseguem criar?
Agora, já entrando no mérito dos acontecimentos desses dois novos episódios em si, é perceptível que foi iniciada a fase de convergência das personagens que se separaram há algum tempo. Victor e Madison se reuniram, enfim dando ao personagem de Colman Domingo algo mais interessante pra fazer do que falar com um astronauta russo num barco destruído (!), e o encontro posterior deles com Daniel é questão de tempo já que este possui o bem mais precioso no árido ambiente em que tentam sobreviver. Espero que o reencontro do elenco dure bastante tempo, já que isso pode proporcionar conflitos mais orgânicos e, consequentemente, possibilitando nosso maior envolvimento com a história (algo ausente há algum tempo). Essa divisão por núcleo não faz bem pra série e sua única função é conseguir criar mais pano pra manga e possibilitar a existência dos exagerados 16 episódios na temporada (um problema que também se vê em TWD).
Falando em conflitos orgânicos, tudo que tem acontecido no rancho faz ranger os dentes de tão pouco crível. As atitudes de Nick frente aos conflitos dos dois grupos recém unidos, e o personagem de Troy em sua totalidade, parecem acontecer simplesmente para o enredo poder continuar se movendo. É difícil acreditar nas suas atitudes e não há qualquer alma no que põe em cena. Mais uma grave característica da falta de presença da personalidade de um diretor.

Dando como exemplo o clássico “Breaking Bad”, era incrível como cada episódio conseguia refletir a visão do diretor que estava por trás dele. Isso proporcionava uma identidade única a cada parte da história, oferecendo um ar de novidade e surpresa na maneira como o texto chegava à tela. Um episódio dirigido por Michelle MacLaren era facilmente reconhecido como sua obra, por exemplo. Já nas séries de zumbi da AMC, tudo parece ser feito por uma máquina de dirigir, não há identidade, é tudo sanitizado para que siga o que os produtores e a emissora desejam e assim recebam o produto esperado. Renegando a ferramenta da direção, que poderia ajudar a camuflar o péssimo texto e a melhorar a performance dos atores, à escanteio, por conta do medo da mudança e o apego ao produto padronizado.
É uma pena que uma série que foi vendida há 3 anos como um olhar alternativo ao universo de “The Walking Dead” tenha acabado se tornando uma fotocópia mal-acabada do original. Ainda temos mais seis episódios pela frente e sem muito o que esperar ou pelo que torcer. E então percebemos que estamos no fundo do poço quando começamos a sentir falta do Cris e desejar que ele volte dos mortos.
Em Tempo de “Surpresa”: Quem mais aposta num encontro entre Travis e Troy no futuro? Depois da volta de Daniel, acho que tudo é possível agora.
Em Tempo de Profundidade de um Pires: O que mais se sabe de Ofélia além de ela ser a filha de Daniel. Num mar de personagens mal construídos, essa se destaca por sequer um desenvolvimento mal feito ter.
Em Tempo de Comparações: Será que eles puseram FTWD antecedendo TWD pra que a série de Rick não pareça tão mal dentro de uma comparação?
Em Tempo de Elogio: Pra não dizer que não fiz um elogio sequer, a ideia da “cidade do escambo” foi até interessante.
Em Tempo de Final Escroto: Sabe a melhor maneira de exemplificar a falta de credulidade em atitudes? Assista ao final desse episódio e tente não rir da epifania que uniu os dois grupos do rancho, depois de um hora e meia de tensão, e os fez trabalharem juntos.















