Os problemas acabaram de começar.
Quando a situação é um caos instaurado e o governo chega com suas forças militares, das duas uma: ou eles conseguirão acalmar todos e instaurar a paz e a tranquilidade naquele local ou o modo truculento no qual agem acabará trazendo revolta na população e aí é só questão de tempo para mais revoltas acontecerem. Em Fear The Walking Dead, acontecerá cedo ou tarde a segunda opção, e esse episódio só ilustrou o que pode vem por aí.
Em tempos de crise, qualquer informação ocultada pode gerar um problema maior para quem está no controle e se nos primeiros episódios Madison quase teve que lidar com uma filha morta por preferir ocultar informações, agora quem prefere esconder da população inúmeras informações são os militares, agindo como se fosse questão de tempo para a normalidade voltar. O problema é que ela não vai voltar e quanto tempo as pessoas confinadas levarão para agirem contra os militares? Os sinais de insatisfação já começaram e ao invés de o General tentar reverter a situação, passando tranquilidade à sociedade, ele age de forma contrária, calando todos que querem ser ouvidos e não há nada pior em situações complicadas do que não ter voz. Travis por outro lado se preocupa com sua vizinhança e mesmo sem ele querer, acaba tendo o posto de líder por conta da sua postura, mas quanto tempo essa liderança continuará quando ele for de encontro aos militares?
É da natureza do ser humano questionar e perguntas surgem sem terem respostas. Madison então busca essas informações quebrando as leis e descobrindo que na verdade a história não é como os militares contam. Os militares mataram inúmeras pessoas, eles quebraram as leis, e Madison também as quebrou quando ultrapassou os limites da cerca. Em um mundo como aquele ainda há leis de certo ou errado? Essa pergunta é o que permeia todos, mas sobrevivência é a principal lei e agora vale tudo. Cadê aquele senso de moral que existia quando tudo estava em ordem? O governo deveria agir como agente pacificador nesse caso e não como agente amedrontador, porque se já é difícil lidar com uma população em tempos normais, imaginem em tempos obscuros no qual ninguém sabe realmente o que está acontecendo.
A inserção da médica para analisar todos os remanescentes colocou mais lenha nessa fogueira, porque ninguém sabe para onde os doentes estão sendo levados e se eles estão sendo tratados ou se o governo está dando um fim em todos que ameaçam ser um problema futuro. Por mais que Travis sempre tente olhar pela ótica otimista, não desconfiar de um grupo armado que age com truculência e autoritarismo é muito ingênuo da parte dele. Os sinais estão todos ali e é preciso interpretá-los para ter o mínimo de desconfiança dos militares. A levada de Nick deve ser a fissura necessária para que os personagens se unam silenciosamente e tentem abater a força militar.
Com a ida de alguns personagens para o tal hospital, será que nos próximos episódios teremos um vislumbre do que anda acontecendo por lá ou só teremos a visão do que ocorre do lado de dentro da cerca? Fear The Walking Dead tem seu ritmo próprio e muitos podem estar se perguntando cadê os zumbis e a ação, mas precisamos lembrar que é todo o início de algo que acompanhamos já consolidado em The Walking Dead. A tensão continua lá e a qualquer momento diversas possibilidades podem acontecer de modo que cause um salve-se quem puder, mas enquanto esse momento não chega, o roteiro vai de forma calma e cautelosa costurando a história de forma mais que satisfatória.
P.s.*: Ofelia podia ter arranjado um militar mais bonitinho para se distrair, né?!
P.s.**: Agora com Nick em um suposto hospital será que ele será internado ou mostrará mais uma vez que é muito esperto e fará o seu próprio estoque de drogas?
















