É triste pensar que este pode ter sido o último episódio de Fargo. Uma série quase impecável, que até o momento nos trouxe grandes histórias e excelentes episódios. Seu formato tinha tudo para fazer com que a série fosse mais longeva, visto que a cada temporada muda quase tudo: enredo, personagens, elenco. O que não muda é a satisfação em acompanhar cada uma destas histórias. E com Somebody to Love, Fargo encerra de forma digna sua terceira temporada.

Uma das principais qualidades de Noah Hawley é ser um bom contador de histórias. E como todo bom contador de histórias, ele consegue brincar com as expectativas do espectador como ninguém. Apesar de em certo sentido o episódio não ter fugido muito do padrão estabelecido nas temporadas anteriores para encerrar a história (como os maus serem punidos e os bons recompensados – fazendo a trama ser quase maniqueísta nesse sentido), ainda assim ele consegue nos trazer algumas surpresas. Ainda que algumas mortes tenham sido esperadas, como os comparsas de Varga, Nikki (não significa que eu tenha gostado) ou de Emmit, todos encontrando a morte como uma punição por seus atos – seguindo um padrão mencionado mais acima – há espaço para o roteiro nos surpreender, tendo como principal exemplo o final ambíguo, em que não sabemos se quem levará a melhor será o Pedro ou o Lobo.

O plano de Nikki ocorreu quase que inteiramente como previsto, reforçando a ótima estrategista que ela é. A personagem já merece todos os créditos por ser a única que de fato deixou Varga encurralado. O desenvolvimento dos personagens foi uma das principais características da temporada, com todos vivendo seus altos e baixos. Destaque para Gloria, que sem dúvidas, foi quem mais cresceu desde o início (e não apenas em sua profissão), talvez à exceção da própria Nikki. Como foi dito na review passada, estava claro que Hawley tinha total controle sobre sua obra e sabia exatamente onde cada personagem estaria em cada um dos episódios.

Fargo 3x10: Somebody to Love [Season Finale]
Fargo 3×10: Somebody to Love [Season Finale]
A direção de Keith Gordon foi muito bem executada, conseguindo dimensionar cada momento dos personagens na tela. Seja com Varga em um ambiente claustrofóbico e mal iluminado que era o elevador, seja com Emmit minúsculo em tela, mostrado de longe, em seu momento mais baixo, logo antes de ser confrontado pela Nikki, o diretor consegue exprimir cada sensação com seus planos e movimentos de câmera, reforçando sua habilidade na função, já que é dele alguns dos melhores episódios não apenas de Fargo, mas também de outras séries que ele já dirigiu.

Outro destaque do episódio é a trilha sonora. Novamente Jeff Russo faz um excelente trabalho, conseguindo pontuar os momentos de tensão com batidas secas e percussão, bem como inserindo notas mais longas e melódicas em cenas mais longas e contemplativas. Nos dois casos, consegue compor a cena de forma orgânica, reforçando os sentimentos em tela.

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Apresentando um fechamento adequado para uma temporada consistente (ainda que não unânime), Fargo se despede em alto nível, deixando os fãs com uma sensação de vazio pela possibilidade de a série não retornar. Caso ela volte, nos encontramos nas reviews da quarta temporada. Se não, foi um prazer poder fazer a cobertura dessa série, e obrigado a todos que leram e contribuíram nos comentários com detalhes, esclarecimentos e opiniões.

REVISÃO GERAL
Nota:
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fargo-3x10-somebody-to-loveFargo se despede de forma coerente com o que apresentou até o momento, coroando mais uma excelente temporada. Roteiro e direção são os principais destaques deste episódio final.