Criamos monstros todo dia, mas não sabemos lidar com (quase todos) eles.

Falling Water continua no mesmo ritmo que apresentou desde a estreia, sem muitas surpresas ou desafios. Apesar de alguns arcos atraírem minha atenção, outros plots chegam a beirar uma desorganização sem fim. O problema é que com apenas três episódios a narrativa deu a impressão de ter entrado num padrão e não prometeu em momento algum se irá quebrar alguma regra. Aos poucos vamos conhecendo cada vez mais do passado obscuro de Tess; Burton segue enfrentando as negociações turbulentas do seu trabalho; e Taka mergulha cada vez mais numa investigação que sempre termina inconclusiva. Eu realmente gosto do show e da ideia por trás da trama, mas fica sempre um sentimento de vazio inexplicável. Vamos ver aonde tudo isso vai levar…

Burton é – entre os protagonistas – o que mais avançou na questão de compreender o background das organizações envolvidas com essa ideia comunicativa dos sonhos. Ele também é o que mais está exposto as conexões de todas as histórias e acredito que o desenvolvimento dele irá focar aos poucos na iniciativa Topeka (ou culto) e as negociações por trás da empresa The White Sand. Apesar de tudo, ainda tudo se encontra nebuloso demais para compreender qual o papel de cada instituição na história e confesso que isso me irrita um pouco. Não custa deixar mais claro quem está lutando contra quem? É como se estivessem tentando fazer um projeto Dharma acontecer dentro de um cenário empresarial sem revelar necessariamente o sentido disso. Frustrante, apenas.

Tess, por outro lado, foi a personagem que mais teve desenvolvimento forte e auspicioso, centralizando na criação da sua personalidade versus relação familiar. É compreensível observar a frieza dela com relação ao mundo como resultado de uma infância documentada e analisada por 137 caixas que sua mãe psicóloga realizou. Tess, diferente dos outros dois, teve uma vida sendo tratada o tempo todo como objeto de estudo, e talvez por isso que ela encare os sonhos de uma forma bem mais fluente e racional.

O momento mais interessante para o público talvez tenha sido a morte do embaixador da Bélgica, que minutos antes estava sendo sufocado no sonho compartilhado de Tess, Burton e Taka. Uma boa pista de que os sonhos são fortes influenciadores da realidade e esta dinâmica promete ser reveladora daqui pra frente. O problema é que a série nunca ajuda em decodificar todo o simbolismo para o telespectador e isso – para um show de grandes conceitos e filosofias – pode ser um tiro no pé.

Falling Water está cheio de monstros que o roteiro querendo ou não criou, e até agora não conseguiu lidar com todos eles.

PS1: Cada vez mais estou convicto de que a mulher misteriosa que Burton vê existe mesmo. Principalmente quando ele pergunta para ela para onde que ela vai quando o sonho termina e ouve a seguinte resposta: “Que mentira você quer que eu fale?”

PS2: Taka continua sendo o plot que menos gera interesse em mim. As vezes dá vontade de pular as cenas, mas daí eu lembro que posso perder algumas pistas importantes… 

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