A convite do History, o Série Maníacos foi à Budapeste conhecer os bastidores e entrevistar o elenco da série X Company, que estreia no dia 19 de setembro, às 22h.
Dos mesmos produtores de Orphan Black e dos criadores de Flashpoint, X Company expõe uma história real nunca antes contada na televisão: o papel do Canadá na Segunda Guerra Mundial.
Os primeiros astros do elenco que sentamos para bater um descontraído bate papo foram Evelyne Brochu e Connor Price.

Evelyne Brochu ganhou grande notoriedade quando entrou para o elenco de Orphan Black em 2013, no papel de Delphine, ao lado de Tatiana Maslany. Em X Company ela interpreta Aurora Luft, a líder da equipe, uma agente assombrada pela perda em um mundo pré-feminista, que muitas vezes a subestima por causa de seu gênero. E ela não se importa em explorar isso para conseguir uma ajudinha em qualquer situação e completar sua missão.
Em pessoa Evelyne Brochu é ainda mais bela, dona de um tom de voz sereno e extremamente educada. Ela estava no meio das gravações, mas parou tudo para me receber e ainda fez questão de usar um figurino original da série para a entrevista.
Bastante empolgada pela exposição que X Company está recebendo na América Latina e sempre gesticulando, Evelyne conta que seu maior desafio no papel de Aurora foi criar uma líder durante a era pré-feminista e cita uma sequência específica no segundo episódio, em que o diretor pedia para ela ser uma líder mais dura e incisiva, mas ela tinha medo de a sua personagem perder carisma com o público, um pensamento totalmente não feminista dela mesma, que precisou ser trabalhado durante a temporada.
Michel Arouca – Você já assistiu alguma outra série protagonizada por uma espiã mulher, como Alias talvez?
Evelyne Brochu – Não, estranhamente eu nunca assisti, mas o que me inspirou muito foi um livro escrito por uma mulher que participou ativamente da resistência e lá tinha a frase que me marcou: “Quando você quer lutar contra o diabo você precisa conhecer o diabo”. É uma espécie de comprometimento que você tem que estar disposto a fazer para alcançar seu objetivo. Mas acho que agora eu realmente deveria assistir outras séries com espiões [risos]. Ouvi falar de Agent Carter da Marvel, outra série com protagonista feminina forte que vai estrear é Supergirl… Eu adoro.
MA – Você fica aqui em Budapeste até o fim do ano gravando X Company, antes disso você estava em Toronto fazendo Orphan Black… Quando você volta para a sua casa em Montreal, parece estranho? São apenas dois meses durante o ano todo no final das contas.
EB – Sim, é realmente muito estranho e dessa vez eu senti mais ainda, porque você acaba criando raízes em todos os lugares. Parece que uma parte de você sempre fica para trás, ainda mais quando você está fazendo algo que realmente se importa, como X Company. Eu me lembro que tive apenas quatro dias de transição entre as filmagens de X Company e Orphan Black e eu estava dizendo “obrigado” em húngaro para a equipe de Orphan Black e morrendo de saudades do meu elenco de X Company… Foi bem confuso [risos]. Ainda mais porque o mesmo diretor trabalhou comigo em ambas as séries, então meu cérebro deu um nó.
MA – O quão feliz você ficou quando Tatiana Maslany foi indicada ao Emmy desse ano?
EB – Eu fiquei histérica, gritando. Eu estava aqui em Budapeste quando fique sabendo e fiquei muito feliz por ela. Ela é uma atriz estonteante e eu tenho muita admiração por ela. Eu aprendi muito com ela. A Tatiana é uma parceira incrível e uma líder incrível. O set de Orphan Black é maravilhoso, uma paz enorme. Me sinto muito abençoada por fazer parte de duas séries fantásticas, com equipes fantásticas. Eu fiquei muito, muito muito feliz por ela.
MA – Eu também [risos]. Eu não a conheço, mas fiquei muito feliz também [risos].
MA – É possível encontrar alguma semelhança entre Aurora e Delphine?
EB – É engraçado você perguntar isso, porque recentemente uma fã me mandou um tweet dizendo que provavelmente Aurora e a vó de Delphine [risos]. E isso realmente funcionaria, pois ambas possuem grande poder de foco, são corajosas, se sacrificam pelos outros e as duas falam francês [risos]. Mas em alguns pontos elas são bastante diferentes. Delphine tem uma mente mais analítica e Aurora vai mais pelo instinto e pela emoção. Eu tenho uma técnica quando quero me transforma em Delphine… Eu fecho os olhos, digo “au chante” e pronto, encarno a personagem. A técnica da Tatiana para mudar de personagens é dançar. Ela sempre da uma dançadinha antes [risos].
MA – Você gosta da parte física de X Company, como atirar com armas e explosões?
EB – Eu adoro, e aliás, recentemente eu desenvolvi um músculo novo na minha perna de tanto ficar correndo com salto alto [risos]. Sem falar que as cenas de ação me ajudam a manter a forma, o que é sempre muito bom [risos]. Eu gosto de desafios, fazer algo que eu nunca fiz antes e fazer bem. Gosto muito disso.
MA – Você atira bem na vida real?
EB – Aparentemente sim [risos]. Eu nunca fui boa em esportes, mas me destacava em dança e ginástica, por isso eu nunca me imaginei dirigindo caminhões de 1940, atirando com armas, lutando e fazendo manobras com facas. É muito gratificante quando você precisa fazer todas essas coisas e acaba fazendo bem e gostando do processo.
MA – Com todas essas virtudes de Aurora você acha que ela pode ser um bom exemplo para as mulheres?
EB – Com certeza, e ela já é um exemplo para mim. Todos nós precisamos de heróis e mesmo nos dias de hoje, ainda existe uma visão machista muito predominante na nossa sociedade. Patti Smith é a minha maior referência, ela é puro amor, arte e liberdade. É por isso que Orphan Black também tem um enorme valor para as mulheres. A importância dessas personagens não vem da atenção que um homem finalmente vai prestar nelas. Vem das decisões que elas tomaram para resolver determinadas situações. Eu me sinto muito abençoada, porque eu posso participar de coisas que são muito maiores do que eu. Muito me param na rua e dizem: “Obrigado por Delphine” e eu entendo esse impacto nas pessoas. Até hoje a homossexualidade não é aceita em muitas comunidades, então na verdade eu é que digo “obrigada” por aos 15 ou 16 anos você ter coragem de ser você mesma.
MA – Ok Evelyne, nosso tempo acabou, mas muito obrigado por me receber. Foi um prazer enorme.
EB – Eu que agradeço, até a próxima. Vamos lá tirar fotos juntos [risos].
Connor Price é o mais jovem e tímido do elenco, sua primeira grande oportunidade em Hollywood foi interpretando o filho mais velho de Russell Crowe e Renee Zellweger no filme A Luta pela Esperança (2005), de Ron Howard. Mais recentemente ele apareceu com frequência em Being Human, como ator convidado em Alphas, Saving Hope, Flashpoint e até fez uma participação especial na 10ª temporada de Supernatural.
Connor conta que uma das grandes satisfações em filmar os episódios de X Company, é a autenticidade das locações ao ar livre de Budapeste, pois a produção raramente usa painéis ou fundos verdes com efeitos especiais para ambientar a maior disputa bélica da história.
Por ser canadense, ele admite que se sente um pouco constrangido pela falta de conhecimento prévio sobre o Camp X, mas Connor rapidamente se tornou um grande estudioso da Segunda Guerra Mundial assim que foi escalado para o papel de Harry James. Ele diz que pesquisou tudo sobre o treinamento dos espiões que passaram pelo verdadeiro Camp X, que inclui até mesmo o escritor Ian Fleming, criador do lendário James Bond.
Michel Arouca – Durante as gravações você fica empolgado com as cenas de ação? Como é para você atirar com diferentes armas e explodir as coisas?
Connor Price – Sim, é muito divertido. Eles levam as cenas com armas muito a sério aqui na Hungria. Nós tivemos que fazer cursos específicos para aprender a forma correta de empunhar armas de fogo, a forma correta de recarregar as armas antigas que usamos… Eles são muito rígidos e preocupados com a segurança, então não podemos nunca andar com o dedo no gatinho durante os intervalos e temos que lembrar de sempre apontar as armas para o chão. Mesmo com balas de festim, o barulho e o coice são idênticos aos das armas com balas de verdade e isso ajuda no realismo da série, pois não precisamos fingir que estamos atirando para depois as balas serem adicionadas como efeitos especiais.
MA– Da para notar mesmo, faz toda a diferença e as cenas de ação realmente ficaram bastante realistas.
CP – Ter esse nível de realidade nas gravações é ótimo não apenas para nós que estamos atuando, como também para as pessoas que estão assistindo.
MA – Eu notei que os produtores de X Company adoram explodir as coisas. Tem várias cenas com explosões durante a primeira temporada.
CP – [risos] É verdade, principalmente o meu personagem, por ele ser especialista em explosivos, ele adora explodir as coisas. Começando logo no primeiro episódio com aquela explosão da ponte. Uma habilidade específica que eu precisei aprender para esse papel foi o código Morse. Eu estudei a forma correta de segurar os aparelhos, a postura, como o braço precisa ficar e todos os detalhes para deixar o mais autêntico possível.
MA – Durante quatro meses você fica aqui em Budapeste para filmar X Company e depois disso você volta para casa no Canadá, faz uma ponta em Supernatural… O que mais você costuma fazer durante esse período fora de Budapeste?
CP – Eu gosto muito de jogar hockey, sou apaixonado por fotografia e fiz um ano da faculdade de cinema um tempo atrás em Toronto, onde peguei gosto por dirigir curtas-metragens e ficar do outro lado da câmera.
MA – Você já esteve em muitas séries de ficção cientifica, como é participar de algo mais realista como X Company, algo que realmente aconteceu no mundo real?
CP – Muito boa essa pergunta. A verdade é que mesmo algo sendo Sci-Fi, no mundo daquele personagem, aquilo é real para ele, mas para essa série em específico tem sido realmente muito diferente, porque quando você lida com um assunto real como o holocausto, você percebe que àquelas coisas terríveis aconteceram com pessoas na vida real e isso me afeta emocionalmente. Não é a mesma coisa que estar em uma história onde alienígenas querem dominar o mundo. Saber que estamos mostrando em X Company a realidade, é algo muito forte.
MA – Qual é a melhor coisa para você de interpretar um espião da Segunda Guerra Mundial?
CP – Ótima pergunta. Pessoalmente, a melhor coisa de se interpretar um espião foi o conhecimento que eu obtive sobre o que uma pessoa como Harry teve que fazer naquela época. Seja aprendendo sobre código Morse, ou rádio e até mesmo algumas invenções bacanas, como o par de óculos em que você usa a haste para abrir fechaduras. Eu mergulhei nas técnicas necessárias que uma pessoa como o meu personagem iria precisar saber durante a guerra. Isso foi muito empolgante.
MA – Qual foi a sua sequência favorita de filmar durante a primeira temporada?
CP – Definitivamente a explosão da ponte no episódio piloto. Primeiro pela explosão em si, claro e depois porque fomos até a Sérvia filmar a cena, a única vez que viajamos para fora de Budapeste durante as filmagens da primeira temporada.
MA – É esquisito ter que fingir que uma ponte acabou de explodir em cima da sua cabeça quando você aperta o botão do detonador?
CP – [risos] Sim, é engraçado ter que reagir a uma explosão enorme que só aconteceu com efeitos especiais e na hora você precisa fingir o espanto de quase ter morrido.
MA – Aliás, essa cena da explosão da ponte foi muito bem-feita. Qual foi a sua reação quando você assistiu ao episódio finalizado pela primeira vez?
CP – Achei demais, ainda mais por se tratar do primeiro episódio. Você nunca sabe o que esperar enquanto está gravando, mas depois que eu assisti e pude conferir os efeitos, a trilha sonora… Fiquei muito feliz com o resultado.
MA – O nome do seu personagem é Harry e você usa esses óculos de Harry Potter. Rola um bullying dos seus colegas de elenco?
CP – Sim [risos]. Eles só me chamam de Harry, eles não me chamam de Connor, então eu meio que já abracei esse personagem a atendo quando eles me chamam de Harry mesmo nos intervalos. Vale lembrar que o meu Harry veio antes do Harry Potter [risos].
CP – Você já assistiu quantos episódios?
MA – Eu já assisti a temporada toda.
CP – O que achou?
MA – Gostei muito, principalmente do piloto. Eu não espera um primeiro episódio tão ágil.
CP – Nós vamos direto para a ação.
MA – Exatamente, ficou ótimo. Eu costumo assistir a todos os pilotos da fall-season e raros pilotos são realmente bons. Esse me impressionou.
CP – Que legal, fico muito feliz.
MA – Ok Connor, muito obrigado, parabéns pela série.
CP – Obrigado Michel, foi um prazer.
X Company estreia dia 19 de setembro, às 22h pelo History. Quer saber mais? Confira aqui o nosso artigo sobre a visita que fizemos ao set de filmagem do Camp X, uma experiência incrível. Fique por perto porque ainda temos entrevistas com Dustin Milligan, Warren Brown e Jack Laskey, que serão publicadas nos próximos dias.


















![[Exclusivo] Conversamos com Jack Laskey, Warren Brown e Dustin Milligan de X Company](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2015/09/X-Company-capa-218x150.jpg)





