Depois desses dois episódios, começo a ficar legitimamente preocupado com Entourage.

Spoilers Abaixo:

Eu já havia mencionado na review passada, a minha preocupação com a aparente falta de foco da série perante sua eminente conclusão. Por que novos problemas estavam sendo lançados sendo que existem inúmeros conflitos deixados em aberto nesses últimos sete anos? Simplesmente não consigo me sentir seguro com o caminho que Entourage está trilhando no seu Km final.

O fato de Vince voltar a ser alvo das lentes e flahs dos paparazzis, é muito bom para trazer um personagem recorrente que gosto muito: Shauna, a assessora de imprensa mais bocuda e estressada de Hollywood. Ela merecia ter um pouco mais destaque, mas pelo menos deu para matar um a saudade.

Ari usando Dana para fazer ciúmes na esposa foi algo que eu não esperava. Eu realmente acreditava que ele estava perseguindo uma paixão antiga, em uma pessoa que consegue compreender melhor do que ninguém sua vida corrida. Essa aparente decisão de Ari em usar Dana mostra que ele é muito mais frio do que imaginávamos ou muito mais apaixonado pela esposa do que imaginávamos. A participação do chef Bob Flay foi rápida e divertida. Não esperava que ele fosse dar as caras em Entourage. Outra sequência envolvendo Ari, que dessa vez me deixou decepcionado, foi a terapia de casal. Sinto como se o humor não fosse mais prioridade em Entourage. Tudo está muito dramático. A terapia de casal sempre foi usada para os melhores momentos humorísticos de Entourage e uma das minhas cenas favoritas de toda a série envolve a terapia. Essa do vídeo abaixo, lá na terceira temporada com a mesma psicóloga.

O outro conflito que saiu do nada e já foi resolvido nesse episódio, foi sobre o exame de drogas que Vince teria que fazer. Achei muito desnecessário a tentativa do roteiro em criar uma tensão, que obviamente não tinha como ir para o caminho negativo. Era óbvio que Vince iria passar no teste. A série não tem mais tempo para focar em mais uma queda do astro. Foi apenas uma sequência de mais uma cagada de Vince, mais um sermão de Eric, mais uma maluquice de drama (Beber vinagre? Oi?) para no final tudo ser resolvido como uma piroca de borracha.

Ok, admito que dei muitas risadas com a reação de Scott ao ver a piroca de borracha. Parecia uma criança com brinquedo novo, mas no geral, esse foi um desperdício de episódio.

8×05: Motherfucker

O sentimento de que Entourage desistiu de ser comédia ficou ainda mais forte depois desse episódio. Em “Whiz Kid” tivemos pelos menos a cena da piroca de borracha para dar risada, mas dessa vez, nada funcionou no departamento do humor.

Embora eu não tenha dado risada ou me divertido como antigamente, é impossível não abrir um sorriso ao ver Melinda Clarke em cena. O fato de ela “interpretar ela mesma”, mas misturado com lado ficcional da série, é algo sensacional. Aliás, fiquei surpreso por ela topar participar de uma metalinguagem tão descarada, afinal, Melinda sempre faz o papel da MILF malvada em tudo que é série, e mesmo “interpretando ela mesma” foi interessante essa jogada de que ela seria uma MILF malvada na vida real. E com uma MILF no pedaço, lá foi Eric dar uma de Motherfucker e cumprir o título do episódio.

Dois episódios atrás, Turtle havia dito que queria abrir um negócio por conta própria e até recusou dinheiro de Vince, mas foi só o astro conseguir uma entrevista com a Vanity Fair que lá estava o jabá do próximo projeto de Turtle na camiseta de Vince. Fico em dúvida se essa incoerência de Turtle é um tropeço do roteiro ou se foi algo proposital para mostrar que ele nunca vai conseguir sair 100% da aba de Vince.

Falando na entrevista para a Vanity Fair, não sei bem o que pensar desse novo interesse romântico para Vince faltando três episódios para a série acabar. Foi tudo muito aleatório e ao mesmo tempo óbvio (sério que a jornalista tinha que ser uma loirinha-dentucinha-delicinha com um sotaque daqueles?). A única coisa que salvou nessa storyline foram as revelações sobre o pai de Vince que a série nunca tinha revelado até então.

Drama estava decidido a se livrar do péssimo substituto de Dice na animação Johnny’s Bananas e se mostrou extremamente “altruísta” ao oferecer parte do seu próprio salário para Dice ter a grana que queria. Usei as aspas, pois na verdade Drama está fazendo isso como um investimento a longo prazo, afinal ele acredita muito no sucesso de Johnny’s Bananas e sabe que precisa de Dice para esse sucesso ser real. Tenho certeza que foi muito mais difícil para Drama abandonar a animação depois de ouvir do próprio produtor que a CBS tem interesse de fazer dele o grande astro, do que dar parte do seu salário para Dice.

Para variar, a história de Ari foi a mais interessante e já estava na hora de esse divórcio ser mencionado. Ari sempre vai viver nessa espada de dois gumes: ser o melhor agente do mundo e prover tudo do bom e do melhor para sua família e trabalhar incansavelmente para isso. Essa sempre foi uma batalha de Ari na série e a gota da água foi furar o passeio na Disneylândia com seus filhos. O cenário criado para Ari furar com o passeio foi o mais humilhante possível: ele teve que dar prioridade para um roteiro escrito por um amigo de Taylor Lautner ao invés de passear com os filhos.

Gostaria muito de poder escrever mil maravilhas sobre a temporada final de Entourage e dizer que a série nunca esteve tão engraçada e digna de terminar no auge, mas infelizmente, a situação não é essa.

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