Duplo twist carpado.

Spoilers Abaixo:

Seja você entendido ou não nas maravilhas da Ginástica Olímpica, com certeza já entendeu o que eu quis dizer com a frase que abre esse texto. Só não entendeu quem ainda não assistiu ao episódio final de Emily Owens M.D., essa série fofa que, de mansinho, ganhou nosso coração. Infelizmente, estávamos contando os dias para o final, já que a produção da série foi cancelada ainda no final de 2012. É triste encarar o final, inclusive, porque esse episódio foi excelente e deixa em todo mundo um gostinho de ‘quero mais’. Infelizmente, quem gosta de tramas mais amenas e com foco apenas em diversão leve e descompromissada não anda com sorte. A maioria das séries desse tipo está desaparecendo e somente procedurals tem tido algum futuro.

Embora a trajetória de Emily Owens M.D. seja curta, a série progrediu imensamente. As diferenças são notáveis, em ritmo, timing, interpretação, roteiro. Houve um período de adaptação no começo, o que é natural, mas pode comprometer o sucesso da série. É exatamente o caso. Acredito, de verdade, que se o inicio tivesse contado com mais agilidade o resto se acertaria e as pessoas se renderiam à produção. Percebe-se que não houve pretensão em ser uma grande série médica, apenas uma boa comédia romântica e esse papel Emily Owens M.D cumpriu.

Fiquei bastante impressionada com essa Series Finale. Episódio intenso, engraçado e que nos deixa completamente confusos. Ainda não consegui digerir tudo o que aconteceu e talvez, o fato de saber que acabou por aí, seja o fator principal. Como entender o que aconteceu com o trio principal? Fiquei completamente chocada com a ousadia desse roteiro.

Até agora, as reações tem pendido para um único lado, a respeito da cena final. Não consegui encontrar ninguém que tenha achado o máximo o que rolou entre Emily e Will. Não depois da cuidadosa construção da relação dela com Micah. Apostaram nas cenas mais fofas e engraçadinhas entre eles e tudo que Will teve que fazer foi bater à porta de Emily.

A gente até compreende que fica difícil não agarrar Justin Hartley quando ele aparece, no meio da noite, com aquela cara de “ou vai ou racha”, mas sei lá… No fundo acho que tem uma ponta de decepção em mim pela atitude de Emily. Eu sei que ela era apaixonada por Will e estava esperando por isso, só que no fim, virei #TeamMicah. E admito isso mesmo sabendo que Will não tem qualidades apenas físicas/visuais. Ele também era um cara extremamente legal. Acho que essa questão permeou bem a série. A dificuldade de escolher entre dois caras que são muito bons para ser verdade. Só em série ou filme mesmo. Na vida real, ajoelhe e reze se encontrar um que se encaixe.

É absolutamente complicado não torcer um pouco para ambos, Micah e Will. Como não morrer de amores por cada conversa entre Micah e Emily? Cada cena deles nesse episódio final foi linda e empolgante. Torci para que não deixassem o assunto de lado nessa última semana e acho que valeu a pena. Aquela sequência do almoço é uma graça e dá vontade de rever. Por outro lado, Will parece tão absolutamente alheio ao término com Cassandra que fica mesmo a impressão de que ele escolheu Emily. Ela queria ser a primeira opção, e foi. Não só de Micah, mas de Will também, de certa forma. Acho que é por isso que ela não resistiu e se entregou ao homem que viu como seu ideal por tanto tempo. Se essa relação iria durar e dar certo? Uma incógnita que ficará para sempre com todos nós.

Em termos de fechamento da série, é claro, tudo deixa muito a desejar, porque nada foi planejado. Esse é o lado ruim de produções interrompidas, até porque seria difícil planejar alguma coisa com apenas 13 episódios. Ficamos com Bandari sumida (naquela viagem com o marido), com Cassandra forçando muito a barra naquele choro por Will (não acreditei e cheguei à conclusão de que não é implicância minha, a atriz é terrível), Tyra sem de fato ter sido desenvolvida além da imagem de amiga que desafia Emily e a mãe de Micah, caindo na mentira da filha e decidindo ir para o tratamento alternativo de câncer só por achar que seria vovó.

Aliás, sempre achei a trama da mãe de Micah bem comovente, mas a presença dessa irmã chata e gritalhona deixou tudo um pouco estragado. Não teve graça (e a intenção era essa, podem acreditar) e tirou muito da suavidade e da dramaticidade. Os outros casos médicos apresentados foram bons e interessantes. Essa característica se manteve desde o Piloto e é algo a ser destacado. Muito bacana o caso do homem com tumor que perde parte da memória e esquece da morte do filho e de seu divórcio.

O erro médico cometido por Will também funciona, porque ele havia se envolvido com a paciente, mas tudo fica por isso mesmo e só dá para imaginar o que teria acontecido e os rumos que a série teria tomado. As possibilidades são muitas, especialmente quando colocamos essa Series Finale em perspectiva. Sinto que a série tinha muito para mostrar e muito para desenvolver. Infelizmente, não para dizer que o cancelamento foi uma decisão precipitada. Do ponto de vista comercial, não havia o que fazer. Sendo assim, fico genuinamente triste por ter acabado, mas guardarei boas lembranças da curta experiência com Emily Owens M.D.

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