Vale tudo.

Spoilers Abaixo:

Quando June foi morar com Chloe, passou a viver sob a expectativa constante de qual nova maldade viria  com o sol da manhã. Ainda que, de fato, no mundo de Chloe a palavra “maldade” seja apenas um eufemismo para “oportunismo”. Quando você pode fazer uma coisa, faça. O custo é avaliado depois que a ressaca passa, e assim os dias encontram seu sentido.

 Com esse pensamento em mente, June tirou esse episódio para exercer seu maquiavelismo, se aproveitando das loucuras de Chloe para tirar alguma vantagem. Mesmo que essa tenha sido uma decisão que partiu de uma constatação: as duas estão presas num ciclo de repetições. Mas, inesperadamente, quem decide sacudir essa rotina não é Chloe.

Não se pode culpar June por querer fazer seu sonho Wall Street acontecer, embora possamos culpá-la por chegar a sonhar com tal coisa. Esse episódio serviu para mostrar que os valores da moça são inerentes ao que ela é, e nem mesmo dependem de exemplificação de vida. Os roteiristas vão certeiros nessa direção, quando resolvem tornar a mãe da moça, a mentora maquiavélica de James. June tomou a decisão de tentar ser inescrupulosa, mas como prevíamos, ela acabou voltando atrás.

Chloe continua sendo uma alegoria. Ela acaba, mesmo necessária, sendo a erva daninha do progama, protagonizando impropérios que fogem completamente da realidade. Claro que se trata de uma comédia, e nem todo mundo vai ficar interessado em saber como ela faz pra viver sem trabalhar, como ela escapa de todas as consequências de seus atos, e como se tornou essa pessoa totalmente desprovida de humanidade. O apogeu das falsidades dramaturgicas de Chloe foi no episódio em que conseguiu passar um tempo fingindo ser editora de uma das revistas mais importantes do planeta. Sabemos que no fundo é tudo alegoria, mas se tudo ficar alegórico demais, perde a necessidade de ser visto e compreendido, e aí ver um episódio de Family Guy faz mais sentido nesse propósito.

 A trama dela nesse episódio, apesar de tudo, estava dentro do permitido como aceitável. Não é aceitável para o nosso mundo, mas para o dela ter cegueira alcóolica é o de menos. Enquanto ela, June e James seguem trabalhando com a analogia do “vale tudo”, vamos notando que Apartment 23 precisa entender que há um limite para o que você pode fazer, antes que o público comece a se sentir ludibriado.

Retomaram o plot de James indo para o Dancing With the Stars. E Dean Cain aproveitou pra dar mais uma passada. James, mesmo sem o Creek, ainda consegue salvar todas as suas cenas com uma impagável disposição para a autodepreciação. E as brincadeiras com o universo das subcelebridades sempre dão certo. O sabor que ficou, admito, foi de piada requentada, mas no mundo de comédias problemáticas em que vivemos, esquentar o que já deu certo pode acabar sendo a melhor saída para manter-se no ar. Vale tudo para os atores, para os personagens…. Até para a sala dos roteiristas.

 De volta aos episódios de Apartment 23, após meu inferno astral físico, para constatar que apesar de audiência baixa, a série continua a mostar que merece um lugar na programação. Essa possibilidade de cancelamento – que tem virado quase uma certeza – é realmente lamentável, uma vez que o humor e a inteligência desse programa deixam muitos de seus concorrentes pra trás. Um cancelamento seria, inclusive, um soco irônico na cara de Van Der Beek. Gosto tanto dele que torço ainda mais para que o moço não tenha essa decepção. Porém, ninguém pode dizer que eu não avisei… Renunciar ao mundo de Dawson’s Creek foi uma péssima, péssima decisão.

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