Após meses de longa espera, incertezas, notícias animadoras sobre o futuro e uma campanha de divulgação extremamente fraca e duvidosa, eis que se faz presente entre nós a nova temporada da série de ficção mais longeva de todos os tempos: Doctor Who voltou! E ao que parece, Chibnall resolveu mexer uns pauzinhos e ousar na sua derradeira despedida. Ao começar pelo formato dessa nova temporada, construída em torno do evento que serve como um subtítulo para a série: o Fluxo. Tido como a maior ameaça já enfrentada pela Doutora, essa leva de episódios contará com um enredo focado em uma grande história, apostando em uma narrativa contínua ao invés de um arco trabalhado de forma mais sutil e espalhado durante os episódios. Chibnall assumiu praticamente sozinho a construção dessa temporada, prometendo uma escalada épica de eventos na esperança de agradar os fãs após o polêmico e divisivo plot envolvendo a Timeless Child, que acabou reescrevendo quase todo o canon da série.

Quando Chibnall assumiu o comando da série, ele já havia prometido uma nova forma de estruturar as histórias, apostando nessa linha de continuidade mais fluida, com interligações claras, mas nenhuma das temporadas anteriores seguiu por esse caminho. Apostando suas fichas nesse novo modelo, Chibnall criou um evento que deixaria Moffat com inveja. A primeira parte dessa aventura se foca na dupla Doutora e Yaz, a remanescente do trio de companions, em uma “caçada” através do espaço em busca de um alienígena conhecido como Karvinista, que pode ter as respostas que a Doutora busca sobre o seu passado. Ao mesmo tempo o nosso cãozinho rabugento acaba por sequestrar Dan, o novo integrante do time TARDIS, dando início a uma operação de resgate que se desdobrará e irá de encontro ao tão comentado Flux, uma ameaça interplanetária que destrói tudo que estiver em seu caminho.

E esse é só o plot de maior destaque, pois também há espaço para inúmeras participações ao longo do episódio que podem dar a sensação de um enredo inflado, mas que devem ganhar o seu espaço dentro do grande planejamento das coisas. Desde a escavação de minas no século XIX, passando por bases de observação espaciais, encontros fora de sincronia, anjos vagando pelas ruas, casais isolados e Sontarans, nós temos histórias para todos os gostos. É claro que tudo isso soa muito vago nesse início, mas essa é a ideia, já que é preciso que alguns elementos prendam a atenção para que a audiência permaneça atenta até o final. Muitas das questões levantadas aqui devem ajudar na resolução da catástrofe universal que se aproxima e tomara que Chibnall consiga justificar todos esses pontos deixados em aberto de forma coesa e satisfatória ou acabaremos com um gosto amargo depois de tudo.

Doctor Who

Não podemos nos esquecer da introdução do novo vilão e possivelmente o Big Boss dessa temporada conhecido como Swarm. Assim como vários dos plots apresentados, nós temos apenas um vislumbre sobre quem ele é ou suas motivações. Além do visual grotesco (o que é ótimo) tudo o que nós podemos cravar com certeza é que a sua presença aqui, buscando vingança servirá para que o passado da Doutora como parte da Divisão seja melhor explorado, pois já ficou claro que o encontro entre eles aconteceu antes do ciclo de regenerações que se iniciou com o Doctor de William Hartnell. Se Chibnall conseguir trabalhar bem com esse pedaço de história, talvez ele possa amenizar alguns dos aspectos que tanto desagradaram as pessoas com a introdução da Timeless Child.

Contudo, o que mais chama atenção no meio de tanta coisa acontecendo é como os companions soam mais orgânicos e críveis se comparados com aventuras anteriores. Yaz, por exemplo, possui muito mais personalidade do que ela conseguiu mostrar em duas temporadas. Mesmo com várias tentativas de criar uma base sólida, Chibnall nunca conseguiu alcançar um bom resultado com a garota. Após uma série de aventuras ao lado da Doutora, Yaz cresceu, se tornando mais independente, confiante e desenvolvendo uma dinâmica com a Time Lady totalmente diferente daquela com a qual estávamos acostumados. Dan (John Bishop) consegue marcar presença, mesmo com pouco tempo para uma introdução mais aprofundada. A sua personalidade cativante e vontade de pertencer a algum lugar fazem parte do pacote básico dos futuros candidatos à vaga de companion. Suas interações com seus amigos, Yaz e com o Karvinista rendem alguns dos melhores momentos do episódio.

Mesmo com pequenas falhas e muitas lacunas a serem preenchidas, esse ainda é um episódio marcante e corajoso. Chibnall pode, enfim, deixar sua marca positiva dentro do legado da série. O cenário envolvendo o Flux é muito promissor e o primeiro capítulo dessa saga consegue pavimentar muito bem todo o caminho para o desenrolar dessa aventura, entregando o sentimento de urgência e grandiosidade que ela pede. Chibnall nos prometeu algo épico e tomara que até o final dessa corrida ele não quebre essa promessa.

REVISÃO GERAL
Nota:
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doctor-who-flux-13x01-chapter-one-the-halloween-apocalypse-season-premiereO cenário envolvendo o Flux é muito promissor e o primeiro capítulo dessa saga consegue pavimentar muito bem todo o caminho para o desenrolar dessa aventura, entregando o sentimento de urgência e grandiosidade que ela pede.