Como prever as consequências das nossas escolhas?
Desde que os primeiros promos dessa nova temporada começaram a circular por aí, a participação de Maisie Williams (Game of Thrones) foi uma das coisas mais esperadas por todos os Whovians e muitos começaram a especular qual seria a sua relação com o Doctor. Muitos apostaram em uma regeneração da neta do Doctor, Susan Foreman, outros em um algum inimigo, uma nova companion e outros disseram que era seria um eco perdido da Clara (não quero ser chato, mas já podem parar com as teorias que qualquer personagem novo é um eco da moça.). Acontece que a pequena Ashildr não é nenhuma dessas alternativas (ao menos, por enquanto, não sabemos se ela se tornará um inimigo ou companion), mas sim, uma daquelas pessoas que encontram o Doctor pelo caminho e o modificam de alguma forma.
E isso não é uma coisa que diminui a personagem, afinal são várias as pessoas que o Time Lord encontra em suas viagens, mas são poucas as que causam algum rebuliço, mesmo que mínimo, dentro do Doctor. E Ashildr consegue isso, pois ela apresenta características que o Doctor admira: coragem, inteligência e até certa dose de prepotência. E isso é capaz de fazer com que ele quebre certos códigos de conduta para determinadas situações, mas falaremos disso um pouco mais para frente.
Ao contrário dos últimos episódios, “The Girl Who Died” foi muito mais leve e engraçado do que esperávamos. É claro que com um título desses qualquer um pensaria em um episódio mais carregado e sombrio, chegando até a cogitar que esse poderia ser o episódio de despedida da senhorita Oswald, mas o que vimos foi um episódio dinâmico e com diversos momentos cômicos.
E grande parte dessa comicidade se dá ao descontruir a figura dos vikings como um povo feroz e sanguinolento, trazendo assim algumas tiradas muito boas, como o cara que desmaia só de pensar em sangue, quando os aspirantes a guerreiros quase destroem a vila logo após pegarem em espadas pela primeira vez ou como o Doctor e os vikings derrotam os Mire usando um vídeo de celular.
E o que falar do Doctor de Capaldi nesse episódio? É incrível a capacidade que esse homem possui de transitar do registro cômico para o dramático em questão de segundos (eu gostaria de possuir essa capacidade como ator L). Sua imitação de Odin com o ioiô e o momento em que ele usa sua habilidade de falar “bebê” são ótimos exemplos do talento desse homem. E são essas pequenas coisas, essas facetas que transitam tão rápido, as expressões tão vivas que Capaldi traz que provam que ele foi uma escolha muito acertada para o papel.
E finalmente descobrimos o porquê da nova encarnação do Doctor possuir esse rosto. Foi uma forma que o seu subconsciente encontrou de lembrar que ele é o Doctor e que ele pode salvar as pessoas mesmo que tudo pareça perdido, assim como ocorreu em “The Fires of Pompeii”, quando ele decidiu voltar e salvar Caecilius e sua família. Tudo bem que essa explicação não era tão necessária, caso isso só tenha acontecido para justificar a escolha de um ator que já havia aparecido na série para interpretar o Doctor. É comum que atores desempenhem papeis menores e depois retornem em outras funções na série, mas se isso ocorreu para dar novos rumos para a história, aí sim o argumento é válido.
Até porque foi por causa dessa “descoberta” que o Doctor resolveu salvar a jovem Ashildr. Ele pode ter exagerado um pouco, pois existe uma diferença entre salvar uma família de um vulcão e trazer alguém de volta a vida e, nesse caso, a uma vida imortal. E como ele disse muito bem, a imortalidade é uma coisa complicada, pois não se trata apenas de viver para sempre, mas sim de viver e ver todos a sua volta morrerem. Isso pode transformar a personalidade de uma pessoa e pode ter sido um grande erro da parte do Time Lord. Agir por impulso nunca é uma boa coisa. E essa escolha pode acabar causando algo muito mais poderoso do que pequenas ondulações nos tecidos do tempo.
Agora nos resta esperar e descobrir quais serão as consequências dessa decisão na próxima semana com “The Woman Who Lived”.
Considerações finais:
– Clara está cada vez mais próxima da personalidade do Doctor. A maneira como ela tenta convencer os aliens a deixar a aldeia lembra muito a forma como o Time Lord age frente a um inimigo.
– Os Mires são uma das raças mais mortais do universo? Acho que ficaram devendo no quesito ameaça.
– Os óculos quebraram!!!!! Ebaaa! Espero que não sejam consertados.
– Como é bom revê-la, Donna!
– Como é bom revê-lo, 10º Doctor!
– Temos o Diário de Dois Mil anos. Já tivemos outras versões na série clássica: um de quinhentos anos e outro de novecentos anos.
– Seria Ashildr o híbrido citado por Davros nos primeiros episódios?





















