Isso é Doctor Who.
“Under the Lake” e “Before The Flood” acabam de entrar para a minha lista de episódios favoritos. São episódios assim que me fazem adorar essa série do fundo do meu coração.
Sem muita enrolação, vamos falar do episódio. Logo no início, existe a quebra da quarta parede e podemos acompanhar o Doctor nos dando uma breve explicação sobre como funciona o Paradoxo de Bootstrap ou Paradoxo Ontológico. A explicação pode soar como desnecessária (já que esse tipo de paradoxo é constantemente explorado em tramas que giram em torno de viagens temporais e já é conhecido por quem acompanha DW. O arco “Bad Wolf” e o episódio “Blink”, por exemplo, são construídos sobre essa lógica.), mas a forma leve como Capaldi a conduz e brinca com ela (Google it) a torna muito atrativa. E para nos deixar com um sorriso ainda maior temos um solo de guitarra que se estende por toda a abertura. Adoro quando essas pequenas coisas surgem para nos surpreender.
Na última semana, eu havia me perguntado se “Under The Lake” teve a mesma duração de todos os outros episódios de DW, e nessa semana refiz a mesma pergunta em relação à “Before The Flood”. Quando eu percebi o episódio já havia acabado. Isso não é uma coisa ruim, pois eu gosto de episódios dinâmicos, que nos deixam vidrados e não nos deixam ter outras preocupações.
Eu não posso deixar de elogiar o trabalho do roteirista Toby Whithouse (que também já escreveu os ótimos “School Reunion” e “The God Complex, entre outros episódios para DW e Torchwood) nessa aventura. A maneira como toda a história é conduzida (nos apresentando uma ordem cronológica inversa dos acontecimentos, deixando o que ocorreu no passado para ser revelado após o que ocorre no futuro), os diálogos, as personagens, etc. são simplesmente sensacionais. Tudo é muito bem planejado e até os menores momentos, como a breve aparição do Prentis, são incríveis. Já podemos assinar uma petição para transforma-lo no próximo showrunner?
A viagem para o passado na tentativa de solucionar o problema dos fantasmas é uma decisão muito acertada, pois parece que a partir de agora decidiram que vão usar a potência que as viagens do tempo possuem. Aqui podemos ver que as viagens deixam de ser apenas passeios para o passado ou futuro para se tornarem ferramentas nas aventuras do Doctor. É claro que isso já aconteceu antes, mas é muito bom ver que estão começando a reconhecer todo o potencial que a TARDIS tem a oferecer para a série e criando, assim, histórias ótimas como essa.
Outro momento maravilhoso desse episódio é a sequencia em que a comandante Cass é seguida pelo fantasma nos corredores. Adorei a maneira como eles conseguiram elevar a nossa adrenalina mostrando o fantasma arrastando o machado no chão, causando todo aquele ruído, para logo em seguida nos mostrar Cass rodeada pelo silêncio e fazer com que percebamos que aquilo que para nós é uma ameaça óbvia, para ela não, nos deixando assim ainda mais temerosos pela vida da personagem (que já entra para o hall das melhores e mais carismáticas). E quando ela usou as vibrações no chão para perceber o perigo e escapar, eu pulei da cama e não pude segurar o grito de: É isso que eu gosto de ver, p###!!!
Falando de personagens carismáticas, eu venho nesse momento pedir um minuto de silêncio pela morte da querida O’Donnell. Eu espero que o Doctor não tenha deixado que ela morresse apenas para provar sua teoria, pois não sei se o meu coração aguentaria isso. Mesmo que ela não tenha tido uma história mais aprofundada, não consegui não lamentar a sua morte. Acho que a empatia por ela se deve ao fato de que como eu, ela também é uma fã do Doctor e é tão bom quando um personagem assim aparece, pois é como se eu e todos os fãs estivéssemos sendo representados ali. O’Donnell pode ter partido, mas não sem antes deixar um cliffhanger que poderá ser explorado nessa temporada ou nas próximas: quem será o Ministro da Guerra que ela citou?
Também gostei da interação entre a Clara e o Doctor. Nossa Impossible Girl está voltando a ficar interessante, mas ainda me preocupa essa aproximação que a personalidade dela está tendo da personalidade do Doctor. Desde “Flatline” podemos notar que ela vem agindo cada vez mais parecido como o Time Lord, dessa vez ela foi capaz de arriscar a vida de uma pessoa, mandando Lunn para enfrentar os fantasmas. Tudo bem que ele não corria tanto perigo, mas ainda assim foi uma atitude questionável da parte dela. E o Doctor parece ter superado qualquer magoa que ele possuía por ela. Na temporada passada eu tinha a impressão que o Doctor era azedo demais com a garota, mas agora estamos tendo uma interação bacana entre eles, que me lembra aquela que a Clara possuía com o Décimo Primeiro.
Acho que a única coisa que me incomodou um pouco foi o vilão. O Fisher King não era uma ameaça tão grande. Eu esperava um pouco mais. Mesmo assim nada que abale a qualidade desse episódio e da temporada até aqui.
Considerações finais:
– Fazem citação à Martha, mas esquecem da Donna. Como assim???
– Cronologicamente a O’Donnell morre pouco tempo depois do Prentis, então porque o fantasma dela surge só depois enquanto o dele está presente desde o início? Essa dúvida me incomodou um pouco.
– Eu fui o único que riu quando o Prentis disse que dentro da nave ele possuía os mais diversos acessórios para que o Doctor o escravizasse? Acho que a minha mente anda um pouco poluída.
– Podemos manter a guitarra na abertura e abandonar os óculos escuros?
– Semana que vem temos Maisie Williams em DW, no episódio intitulado “The Girl Who Died”. O que podemos esperar?
– Estou começando a achar que Clara terá um final trágico ou talvez eu esteja interpretando demais os diálogos sobre morte que estão surgindo nos episódios.















