Senhoras e Senhores, eu vos apresento: Doctor Clara Oswald.

Já está mais do que claro que a relação Doctor/Clara é o foco principal dessa temporada e os roteiristas decidiram que vão explorar isso das mais variadas maneiras. Clara vem ganhando uma atenção muito especial por parte dos roteiristas e eu ainda não sei se tudo isso é porque ela é a “menina dos olhos” do Moffat ou porque todos os acontecimentos recentes culminarão em um desfecho grandioso para a personagem no fim da temporada.

Independente do que seja podemos notar que algumas pessoas não estão felizes em deixa-la apenas com o status de companion e assim a fazem assumir o papel de Doctor do episódio. Essa foi uma decisão arriscada, pois deixar uma personagem como ela assumir toda a trama poderia causar reações que não eram esperadas. Digo isso porque da mesma forma que existem várias pessoas que a adoram, existem outras tantas que a odeiam e isso é o suficiente para causar um rebuliço ou apenas alguns comentários raivosos no Twitter.

Talvez haja uma justificativa para essa decisão. Em “Kill The Moon” vimos como Clara ficou abalada ao ser abandonada pelo Doctor e ter que decidir sozinha o destino de milhões de pessoas. Para uma companion esse foi um caso isolado, mas se pararmos para pensar o nosso querido Doctor tem que fazer decisões como essa a todo o momento e ninguém pergunta como ele se sente. Ao ganhar o direito de usar a sonic screwdriver e o papel psíquico (Inveja On), Clara também recebe a responsabilidade de agir e pensar como o Time Lord e dessa forma entender como o próprio deve se sentir em situações como essa.

O Doctor sempre busca salvar o maior número possível de vidas, mas diante de algumas circunstâncias isso nem sempre acontece. Às vezes ele precisa mentir, omitir, dar falsas esperanças em uma tentativa de controlar a situação e nem sempre ele consegue ser o herói que gostaria de ser. Algumas decisões precisam ser feitas e na maioria das vezes ela não são as mais fáceis. Clara precisou agir da mesma maneira na tentativa de salvar o grupo pelo qual ela era responsável. Seu objetivo era manter todos vivos, mas diante de um inimigo desconhecido ela precisou agir da mesma forma que o Doctor, mesmo tendo criticado o comportamento dele algumas vezes. Não é fácil ser o Doctor e ela pôde sentir isso na pele. Ela viveu o lado ruim de ser o Doctor. O lado onde existem mortes, desespero, responsabilidade e medo.

Clara agiu como o Doctor agiria, mas ainda assim conseguiu se diferenciar ao colocar um pouco da sua personalidade na resolução do problema. Essa é uma das coisas das quais eu gosto na companion: quando tudo parece perdido ela consegue ter um olhar mais humano para a situação e chega a uma solução que talvez o Doctor não conseguisse chegar.

Enquanto isso, o Doctor precisou ficar em uma posição mais passiva, sem poder interferir no que estava acontecendo. Ele poderia usar o tempo em que ficou preso na mini-TARDIS e ficar um pouquinho mais humilde e perceber que os seres humanos não são apenas cérebros de pudim como ele gosta de insinuar.

Considerações finais:

– Adorei o visual dos monstros, um bom orçamento faz milagres.

– Mãozinha movimentando a TARDIS? Simplesmente demais!

– Nenhuma série é livre de erros de continuidade, mas como ninguém percebeu que o Capaldi estava com o cabelo mais curto em várias tomadas no interior da TARDIS? Está na hora da BBC contratar outros editores.

– Ao que parece a Missy foi mesmo a responsável por unir o Doctor e a Clara. Só nos resta saber o motivo.

– Quero compartilhar uma teoria com vocês: na cena da Missy reparem na janela que aparece do lado esquerdo. Ela se assemelha muito ao olho de um Cybermen. Será que a Missy está envolvida com eles? Isso poderia explicar o interesse que alguns robôs possuem nesse lugar.

P.S: Preciso ser sincero: eu não percebi isso. Um amigo me disse e essa ideia me chamou a atenção. Se essa teoria está certa ou não só o tempo dirá.

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