Jenny! Jenny, Jenny, Jenny, Jenny!

Spoilers Abaixo:

Aqueles que assistem Doctor Who ficam com uma pulga atrás da orelha quando falamos sobre um episódio escrito por Mark Gatiss, afinal reza a lenda que os “não tão bons” episódios da série são escritos por ele. Eu direi logo de cara que não faço parte desse grupo, talvez porque simplesmente não consigo lembrar de um episódio realmente ruim de Doctor Who (sim sou esse tipo de fã).

Como podemos reclamar de um episódio que marca a volta, sempre ótima, de Madame Vastra, Jenny e Strax. Reconheço que algumas pessoas têm dúvidas quanto a história desses três, portanto tentarei ajudar. Após o episódio “A Good Man Goes to War” foi divulgado um vídeo chamado “The Battle of Demons Run: Two Days Later” que mostra como os três de fato se reuniram como um time de investigação em uma Londres vitoriana. Esse vídeo também pode ser considerado mais um prequel para o episódio “The Snowmen”. Além do vídeo foi divulgado também um e-book chamado “Devil in the Smoke”, uma história de investigação protagonizada pelos três. Inclusive nesse e-book é jogado no ar que a musa inspiradora para o personagem Sherlock Holmes é ninguém menos que a madame Vastra. Não vou deixar vocês na mão, portanto aqui está o vídeo para aqueles que ainda não viram:

Com todas essas informações podemos entender melhor a vibe de “The Crimson Horror” que é uma história de investigação bem no estilo Doctor Who e que mesmo assim me fez lembrar de Sherlock Holmes, talvez mais pela trilha sonora bem sugestiva do que pelo roteiro de Mark (que também escreve para Sherlock da BBC).

Aqui, o ano é 1893 e o local é Yorkshire, Madame Vastra é convocada para investigar o “The Crimson Horror” uma misteriosa causa de morte que transforma a pele das vítimas em um tom vermelho brilhante. Ela inicia sua investigação com a ajuda de uma foto da vítima e principalmente com a ajuda da superstição que gira em torno do optograma (imagem retiniana formada pela destruição da púrpura visual por influência da luz). E para surpresa de todos a imagem retida na retina da vítima é de ninguém menos que o Doctor.

Jenny então se infiltra em Sweetville, uma comunidade que é liderada pela estranha sra. Gillyflower (Diana Rigg – a rainha dos espinhos de GOT). Gillyflower recebe ajuda da filha, que é cega, Ada e diz ter um parceiro chamado sr. Sweet. Jenny não foi a única a se infiltrar na comunidade, mas isso é óbvio, afinal onde tem confusão tem também Doctor e sua companion.

Jenny resgata o Doctor que começa a esclarecer o que realmente está acontecendo na comunidade. Usando a desculpa mais esfarrapada e ao mesmo tempo mais utilizada por fanáticos em dominação ou até mesmo reestruturação da nação, a religião, a sra. Gillyflower avisa sobre a chegada do apocalipse para encorajar as pessoas a irem para Sweetville, com a real intenção de criar uma nova população depois claro, dela mesma dizimar a atual. Então entendemos que o “The Crimson Horror” nada mais é que o efeito colateral no processo de conservação das pessoas que povoarão a “nova nação”. Ou seja, as pessoas escolhidas passam por um processo similar ao embalsamento para ficarem em um estado de conservação e proteção contra a destruição. Aqueles que rejeitam o processo acabam mortos e com a pele vermelha. O Doctor só resiste a essa rejeição porque não é humano.

Como uma boa detetive a madame Vastra reconhece que a substância usada nas pessoas em Sweetville é o veneno de um parasita pré-histórico vermelho. Então quando o Doctor e Clara confrontam a sra. Gillyflower eles descobrem que o plano é lançar um foguete para espalhar esse veneno por todo o céu. E então a identidade do sr. Sweet é finalmente revelada. Ele é o próprio parasita vermelho que formou um relacionamento simbiótico com a sra. Gillyflower. E como toda pessoa devidamente louca a sra. Gillyflower usa de métodos insanos que não poupam sequer sua filha, já que Ada foi seu primeiro experimento na criação da substância capaz de preservar as pessoas e o resultado desse experimento foi sua cegueira. Mas o pior (ou melhor, dependendo do ponto de vista) é que a sra. Gillyflower consegue usar essa cegueira como exemplo da iminência do apocalipse e transformação da civilização em condenados e pecadores. Afinal, ela afirma que o culpado da cegueira da filha foi o próprio pai que a espancava na infância.

Claro que no fim tudo dá certo, como deve ser em Doctor Who. Devo admitir que a cena que resulta na morte da sra. Gillyflower e do sr. Sweet foi uma tosqueirice total e eu ri bastante. Mas Doctor Who tem pontos de sobra que me fazem relevar esse besteirol todo. No geral foi mais um bom episódio e não tinha como ser diferente já que os elementos próprios da série estavam ali.

Doctor Who é assim, quando pensamos estarmos diante de um episódio simples e sem nada geral a acrescentar, vem um simples fato/momento que muda tudo. E aqui esse fato/momento foi a descoberta de Angie e Artie (as crianças de quem Clara cuida) sobre as atividades de Clara fora do trabalho. Foi um toque tão de mestre eles descobrirem as fotos de Clara e Doctor através do tempo e episódios, mais especificamente em 1974 – “Hide”, 1983 – “Cold War” e 1892 – “The Snowmen”, que eu nem me importei com a facilidade com a qual eles aceitaram que Clara é uma viajante do tempo e principalmente com a chantagem mequetrefe que eles fizeram para irem na próxima viagem! O Doctor pode ter escapado de explicar a situação Clara para Jenny, mas não escapará de explicar para a própria Clara como é possível a existência de uma foto sua em uma Londres vitoriana ao invés de em uma Yorkshire vitoriana.

Continuam chovendo referências a série clássica. Quando o Doctor e Clara chegam em Yorkshire, todo aquele diálogo sobre tentar durante muito tempo levar uma “Gobby Australian” para o aeroporto de Heathrow e quando o Doctor diz: “brave heart, Clara” são referências diretas a Tegan Jovanka, a companion do Doctor em sua quarta e quinta encarnações. Na sequência de flashback, o Doctor explica que os Romanis acreditavam que a última imagem vista por uma pessoa morta é retida em sua retina. Essa explicação é similar a versão que o Doctor em sua quarta encarnação diz em “The Ark in Space”.

Eu não sei quanto a vocês mas achei a cena entre o Doctor e Jenny, logo depois dele se recuperar, simplesmente fantástica. Inclusive assisti a essa cena tantas vezes que quando fecho os olhos consigo ver a cara de safado do Matt Smith. Sensacional!

O próximo episódio é o escrito por Neil Gaiman que conta ainda com a volta dos Cybermen, não preciso nem falar sobre ansiedade, certo? E são só mais dois episódios para o fim da temporada. Todos choram!

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