
A dança final.
Spoilers Abaixo:
É difícil começar o meu último texto de uma Season Premiere de Dexter. Escrevo reviews da série desde e a 2ª temporada, e na época afirmava sem medo de errar que essa era não apenas a melhor série da atualidade, como a minha série favorita. Embora não possa mais fazer tais afirmações, admito que meu laço afetivo com Dexter é enorme. Sabe aquela história que foi muito ouvida durante o fim de Lost, que o que importa é a jornada e não final? Pois é, é impossível prever se o final de Dexter será bom, mas antes mesmo de virarmos a curva para reta final, eu já me sinto muito satisfeito com o caminho percorrido até agora.
Uma das mais importantes decisões que o roteiro tomou para essa estreia foi o salto temporal de seis meses, e eu não poderia estar mais contente com essa decisão. Deixamos de conferir histórias com potenciais incríveis por causa desse salto temporal? Sim, com certeza. Seria interessante ver a temporada retornar exatamente logo depois da morte de LaGuerta, os primeiros dias de Deb no caminho da autodestruição, a decisão de Angel em cancelar a aposentadoria, o alívio no rosto de Dexter por ter todos os seus problemas evaporados da noite para o dia… Mas não podemos nos esquecer de que essa é a temporada da conclusão, que o tempo é curto e valioso, e que a melhor maneira de utilizar a reta final é pisando fundo.
Quando os primeiros acordes de “What A Wonderful World” emanaram do episódio, eu não tive dúvida que o mundo maravilhoso de Dexter estava para ser obliterado. Que bom que ele teve tempo para curtir seu time de boliche, treinar a liga infantil de futebol, “fazer novas amigas” e apreciar a calmaria antes da tempestade. Ao que parece, o maremoto da temporada atende pelo nome de Dra. Vogel. Minha primeira reação foi torcer o nariz para a Encantadora de Psicopatas, pois ela mais parecia uma versão remasterizada de Lundy, mas foi durante o diálogo no necrotério que ficou realmente claro o desafio. Vogel conduz uma dança perigosa com Dexter e traz a tona um dos debates mais recorrentes entre os fãs da série: ele é ou não é um psicopata?
Vou precisar de ajuda para tentar enumerar quantas vezes terei que elogiar Jennifer Carpenter durante essa temporada. Ela entrega interpretações magnificas há tanto tempo, e mais uma vez conseguiu transmitir toda a dor e amargura de Deb. Se as decisões passadas são os arquitetos do presente, Deb não poderia estar com suas fundações mais danificadas e prontas para desabar como agora. Seu espiral de autodestruição chega a ser compreensível, pois tudo que ela acreditava como certo foi comprometido por Dexter. Suas férias da realidade ao lado de Billy Walsh são mais do que merecidas.
Minha grande defesa por não rotular Dexter como um psicopata é a simples máxima de que psicopatas são desprovidos de sentimentos. Confiança, moralidade e amor já foram expressos por Dexter inúmeras vezes e talvez isso seja exatamente o que o deixe tão atraente para a Dra. Vogel. Fiquei muito feliz que esse confronto entre os dois foi 100% cartas na mesa logo nessa premiere. Estava óbvio e não tinha por que enrolar. Como Vogel tem os desenhos da infância de Dexter e como ela sabe sobre o código de Harry? Será que ela era confidente de Harry e acompanhou a evolução de Dexter durante toda a sua vida? Será que teremos uma reviravolta estilo novela mexicana e na verdade ela é a mãe biológica de Dexter? Será que ela é novo assassino que colhe pedaços do cérebro que processam a empatia?
O caminho foi pedregoso, algumas vezes até mesmo doloroso, mas ao mesmo tempo foi fascinante e único. O final de Dexter dificilmente será feliz, mas eu me sinto muito feliz de estar percorrendo essa reta final. O potencial para um grande final existe, e a conclusão que a Dra. Vogel chegou sobre Dexter pode até ser assustadora, mas é muito bonita: Dexter não é um psicopata comum, ele é o Santo Graal, o psicopata impossível. Dexter é psicopata perfeito.
Pensamentos finais:
– “Fucking password” será a minha nova senha do computador.
– Quinn está com a babá, Angel é o novo Tenente e todos continuam inúteis.
– A epifania de que na verdade é Dexter quem precisa de Deb pode render uma inversão de papéis. Ele até demonstrou uma ponta de ciúmes quando achou que ela estava transando com Billy Walsh.
– Dexter fora de controle me lembrou muito o Dexter da 5ª temporada que matou um cara com uma âncora. A Dra. Vogel que se cuide se ela acha que está 100% segura por achar que ela não entra no código, pois na verdade ela entra sim. A regra número um é: não ser pego.















