Abrem-se as cortinas da quarta temporada. Capitaneada por uma Dama do cinema e da televisão, surge Damages vestida de escarlata, fitando incontáveis assentos vazios e o silêncio de um auditório abandonado. Os poucos críticos e entusiastas presentes se concentram em cada palavra dita, cada suspiro dos personagens, cada detalhe da trama – amanhã sairão às ruas para elogiar a produção, como os jornais e as revistas especializadas não se cansam de fazer. Hoje, entretanto, tal qual Dalida imponente e destemida à luz da ribalta, Damages assume o primeiro lugar da lista das melhores séries da atualidade no Série Maníacos. Palmas vermelhas.

Informações importantes sobre a lista: esse top 10 foi formado através de uma votação entre os colaboradores do Série Maníacos. Cada um escolheu três séries diferentes, que ainda estão no ar dando notas de 1 a 3. A série com a maior nota depois da somatória geral ganhou o título de “A Melhor Série da Atualidade”. Dexter e Breaking Bad fazem parte da lista de melhores séries da década, portanto fica claro que elas já estão entre as melhores séries da atualidade, na opinião dos colaboradores desse blog. Apenas séries veteranas com mais de uma temporada foram consideradas, ou seja, produções aclamadas como Game of Thrones não entraram. A lista será atualizada semanalmente até a medalha de ouro.

Damages conta a história de Ellen Parsons (Rose Byrne), a jovem advogada que conquista um cobiçado posto no escritório de Patty Hewes (Glenn Close), uma brilhante e inescrupulosa titã do mundo jurídico novaiorquino. Conquanto tenha a ambição de ser como Patty, Ellen logo percebe que sua nova chefe teve de fazer um bocado de penosos sacrifícios para alcançar o sucesso. Por outro lado, o envolvimento de Ellen com os negócios de Patty Hewes coloca em risco não apenas a sua própria segurança, como também a vida de seus amigos e parentes.

As três primeiras temporadas da série, exibindo diferentes crimes de colarinho branco com nuances societárias, trabalhistas, ambientais e mesmo sucessórias, receberam contínuo apoio da crítica especializada. As reviravoltas criadas pelos roteiristas, contudo, acabaram alienando a audiência: de 3.7 milhões, os ratings sofreram declínio para menos de um milhão de telespectadores. Foi quando o canal FX Networks (que hospedava a produção) anunciou o súbito cancelamento de Damages, deixando órfãos um pequeno contingente de fãs e admiradores.

Suor frio, mãos entrelaçadas, olhar atento para as notícias dos blogs brasileiros e americanos sobre televisão. Palpitações. DirecTV chegando para salvar o dia. Respiração de alívio.

Com o novo contrato de duas temporadas na DirecTV, Damages ganhou a sobrevida que os aficionados tanto queriam. É a oportunidade de dar um fechamento apropriado para uma série de primeiro escalão. Essa semana, será exibido nos Estados Unidos o quinto episódio da quarta temporada, cujo enredo se desenvolve a partir de suspeitas de crimes de tortura e abuso de autoridade de uma empresa privada contratada pelo Governo norte-americano para conduzir operações paramilitares no Afeganistão.

Talvez você tenha lido o texto até aqui e esteja se perguntando: “Tudo bem, mas por que Damages merece o primeiro lugar da lista?”. Bem, vou dar três motivos insuperáveis.

Em primeiro lugar, Glenn Close. Não estamos falando de um ator consagrado em papel coadjuvante, mas de uma atriz indicada cinco vezes para o Oscar (e que tem boas chances de finalmente conquistar a estatueta em 2012) compartilhando o papel principal com a Rose Byrne. Preciso dos dedos das mãos de uns dois ou três amigos para contar com quantas cenas memoráveis nos prestigiaram os roteiristas durante essas quatro temporadas, todas envolvendo a personagem Patty Hewes. Ainda sobre o elenco, impossível não mencionar o bom trabalho dos convidados especiais Zeljko Ivanek, Ted Danson, Marcia Gay Harden, William Hurt (repetindo: William Hurt), Lily Tomlin, Campbell Scott (que fez um arco perfeito na terceira temporada), Martin Short (Martin Short!), John Goodman e Dylan Baker.

Em segundo lugar, a narrativa de Damages chama a atenção por seu esmero em costurar os detalhes de cada mistério, cada enredo (quer principal, quer subalterno). A utilização das técnicas de flashback e flashforward, embora não agradável ao paladar de alguns seriadores traumatizados, é feita com todo o cuidado possível. É a preocupação dos showrunners em oferecer aos telespectadores uma história coesa e com um número mínimo de pontas soltas. Preste atenção em algumas das séries eleitas para nossa lista e tente dizer o mesmo sobre elas. Difícil, não é?

Por último, Damages ocupa a primeira posição por emprestar novo fôlego a um gênero cansado (qual seja o jurídico). Em vez de Tribunais, Damages apresenta os conflitos nos bastidores, mostrando a articulação negocial e política das ações judiciais. Poucas vezes testemunhamos qualquer das personagens da série diante de um juiz, ou sustentando determinada tese perante um júri. Damages adota uma abordagem mais prática e eficiente, desenhando as relações litigiosas de modo ímpar. Essa ousadia com o Direito na televisão é particularidade do nosso primeiro lugar.

Com isso, encerramos a nossa lista das melhores séries da atualidade. Sei que a coroação de Damages não vai satisfazer os conspiracionistas de Fringe, os sedentos de True Blood, ou quem sabe as crianças de seis anos de Glee. Pensando nessas intrigas da oposição, e sabendo que meus queridos (salve-salve) haters e trolls inundarão o espaço de comentários com mil e uma abobrinhas, trouxe esse vídeo especial. Aos contrariados, meu forte abraço.

E sim, eu sou advogado.

2ª – Doctor Who

3ª – Fringe

4ª – Community

5ª – The Good Wife

6ª – Mad Men

7ª – Modern Family

8ª – 30 Rock

9ª – The Vampire Diaries

10ª – Desperate Housewives

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