
O bipolarismo de Damages.
Spoilers Abaixo:
Havia quem garantisse que dessa vez Damages ia sair do buraco. É lógico que ia. Eu mesmo fui um desses. Os últimos episódios foram tão interessantes e ativos que dava mesmo pra ter fé num andamento de temporada coeso e irrepreensível. Os rumos dramatúrgicos andavam intensos, cheios de uma tensão poderosa, que mesmo revestida daquela elegância de costume, poderia significar fatos de verdade, e não enrolação.
Claro que apesar de todo o otimismo sempre soubemos que o fantasma da incompetência estava ali, nos rondando. A quarta temporada (e até um pouco da segunda, sejamos francos) nos ensinou que Damages acreditou demais na própria reputação e começou a achar que bastava existir pra ser boa e respeitada. Os flashes do que acontecia no finale eram como uma extensão das promos enganadoras, que prometiam mundos e fundos, mas não entregavam nada.
Semana passada tivemos uma promo dessas. Daquelas que fazem a expectativa crescer aos montes. O tão aguardado embate entre Patty e Ellen. Cenas de uma tempestade de neve, as duas presas no aeroporto, Patty provocativa… Era uma grande promessa… Que acabou em frustração.
Sentado diante da TV, eu olhava o marcador e 34 minutos de episódio já tinham se passado. O embate? Nem sinal dele. Claro que eu não esperava por uma grande briga, ou o ultimate fight dos meus sonhos, mas esperava um diálogo franco sobre tudo que já tinha acontecido e mais algumas farpas cheias de desejo de vingança. Acho que não é mais o momento de ficar criando sutilezas. É a última temporada. Precisamos nos comprometer e arriscar… Não haverá mais chances de consertar erros.
Patty e Ellen começaram sua tão esperada conversa. Patty não assume suas motivações, e Ellen ainda parece uma gata assustada, mesmo que não queira. De súbito, percebi que estava bem aborrecido. Não consigo mesmo entender essa necessidade de elegância, que nos afasta do clímax, entregando relações frias e indiferentes. Elas não disseram nada de novo, e pior, disseram tudo como sempre disseram.
Em volta desse embuste, coadjuvantes tentando completar o tempo necessário para um episódio ir ao ar. E pegaram pesado conosco, nos obrigando a engolir a mãe de Ellen, o mala do Sanchez (agora com seu próprio plot), os funcionários chatos do Channing e o próprio e insípido personagem. Pra se ter uma ideia, até hoje chamo o empregado do hacker de Batiatus, já que ele é tão desinteressante que não consigo lembrar o nome dele.
Tem a voz que fica me pedindo pra ter calma, que tudo é um estágio de preparação, mas tenho o direito de reclamar, quando sou levado a crer em coisas que não são verdadeiras.
Vejam o promo desse episódio:
Agora me digam que aquele embate sem sal corresponde ao que nos foi prometido? Foi para aquilo que esperamos tanto tempo? É ridículo. Eu estou enfezado, muito enfezado. Não estive esperando esse tempo todo só pra ver Patty fazer a sonsa e colocar a culpa toda numa pessoa morta. Sinceramente esperava mais de Tate Donovan, que fez parte dessa engrenagem toda e que dirigiu esse episódio.
Não acredito mais nas promos, e infelizmente, esse episódio também me fez desacreditar nos destinos. Damages recupera a desorganização e pretensão que a destruiu na temporada passada, e vira aquela produção frouxa, que precisa enganar seus espectadores pra garantir as migalhas da semana seguinte.
Moção Aprovada: Num episódio como esse, só mesmo a bundinha do Channing.
Moção Negada: Num episódio como esse, quase tudo.





















