ONE PARAG… THREE PARAG… NO, FIVE PARAG… A FEW PARAGRAPHS

LATER

“ …havia uma inversão nessa timeline, hora aparecendo como Antes e hora aparecendo como Depois, mas tudo dentro do mesmo objetivo:…”

Spoilers Abaixo:

Quando Damages começou, ela usava um recurso que apesar de já ter sido usado no cinema, representava algo desafiador para uma série de TV. Não que narrativas fragmentadas fossem novidade, mas de fato, a inserção de imagens de episódios muito posteriores, dentro do piloto, parecia inovador. E pelo simples fato de que, logisticamente, isso era bem complicado, e por isso mesmo, irresistível. Para fãs de tramas continuadas como eu, o que seria melhor do que essa prova tão grande de planejamento?

Ellen abria as portas do elevador ensanguentada, para depois entendermos que aquela luz fosca dentro da cena, meio borrada, típica dos recursos de flashback, não imprimia a ideia de flashback. O flashback de verdade, era aquele que passávamos o resto do tempo assistindo. Essa, sem duvida, seria a maior versão da história para o bom e velho recurso do 24 horas antes. E o mais fascinante, é que no caso de Damages, dependendo do momento dramatúrgico do episódio, havia uma inversão nessa timeline, hora aparecendo como Antes e hora aparecendo como Depois, mas tudo dentro do mesmo objetivo: mostrar o que levou ao que aconteceu no futuro/presente.

Essa semana a série subiu outro nível no que diz respeito a essa dinâmica. Vimos a quebra na narrativa, dentro da própria quebra da narrativa. Se acompanhamos uma espécie de grande flashback, nesse episódio passamos a ver o flashback dentro de si mesmo.

Começando com Kate, que tem tudo para ser mesmo uma grande aquisição ao elenco. Somos levados a crer, no início do episódio, que haverá alguma espécie de traição da parte dela. E somos levados a acreditar nisso até o último minuto. Último minuto esse que nos presenteia com mais uma série de mistérios que vão salvando a série da pobreza que foi a temporada passada.

Espertamente, o roteiro tenta se organizar a favor da psicologia dos personagens. É hora de falar sobre confiança, já que como Patty diz “Se os fatos não ganham, quem ganha?”. Parece um pouco ingênuo inserir o problema da mãe de Ellen dentro do contexto, esperando que isso represente profundidade. No final das contas, soa um pouco forçado, mas não o suficiente para eliminar a analogia. Sabemos que Ellen destrincha o relacionamento de Naomi com a filha, ao mesmo tempo em que vemos que nenhuma relação entre mãe e filha é realmente verdadeira.

Isso esbarra ligeiramente nas questões entre Patty e Catherine, e no quanto tudo aquilo soa como um cenário fake. Chega a ser engraçado que os roteiristas julguem necessário o clichê do recadinho sendo eliminado sem querer pela criança enxerida. Ou mesmo do vilão com cara de psicótico que está do outro lado da linha.

Os problemas de confiança perduram através de Channing, que pra mim já entra na lista de personagens insuportáveis forçadamente ambíguos. O pessoal que escreve Damages tem essa necessidade. Apresentar figuras masculinas de personalidade dúbia, que quase nunca geram expectativas positivas. Para a série pode ser bom, mas sinto falta de me importar com alguém, o que dentro do programa é impossível, já que todos podem ser péssimos ali adiante.

Aqui no plot sobre Channing, temos mais uma inversão dos valores narrativos de Damages, quando passamos a ver versões diferentes para a mesma história, apresentadas como dramatizações criminalísticas.  Falando dramaturgicamente, pode ser um pouco vulgar, mas funciona na questão do apelo. Impossível não ficar grudado na frente da TV tentando pegar todos os detalhes.

A história, por fim, avançou pouco. Já tínhamos entendido que as coisas entre Channing e Naomi eram um pouco complexas e que ninguém ali estava falando a verdade. O melhor do episódio, de fato, foi ver o bem-me-quer / mal-me-quer entre Ellen e Patty começando, e cada uma ganhando um round a cada semana. E pelo menos pra mim, essas vitórias são comemoradas na mesma proporção. Ver Patty ganhar é soberbo, mas ver Ellen passando a perna nela é deleite puro. E o episódio fez a tensão crescer do jeito certinho… Com direito a sobreposição cênica, pra mostrar que as duas estão cada vez mais próximas uma da outra. Notem que a edição mostra Patty tomando um drink ao mesmo temo que Ellen, só que dessa vez, o triunfo trocou de lado. Um reflexo do quanto a história dessa semana tinha condições plenas de caminhar sozinha, foi que a muleta das “cenas do futuro” não foi usada nenhuma vez.

Ponto para Damages. Entregou um episódio 3 seguro, conciso e correto. Ainda falta muito pra acreditarmos que esse é o momento de viver uma “grande temporada”, mas já dá pra ficar contente em não estar perdendo tempo com enganações. Me preocupo apenas com a ideia de que Ellen precise se tornar cada vez mais Patty pra vencer. Eu gosto mais de Patty perdendo pra alguém diferente dela, não pra uma versão de si mesma.

Eu agora só quero mais tensão. Quero Ellen e Patty perdendo a elegância mesmo. Essa não é uma novela de Manoel Carlos, em que os conflitos têm que ser resolvidos com poesia e bossa nova. Eu quero sangue, suor e vísceras. Se havia um momento pra provocar o choque, o momento é esse.

Moção Aprovada: Ellen em sua versão desalmada, cagando para os problemas da mãe.

Moção Negada: Sanchez está ali ainda porquê???

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