
Faltando apenas dois episódios para a Season (Series?) Finale, Damages alcança um nível de qualidade espantoso até mesmo para a própria série que, como já disse algumas vezes, é o melhor drama no ar atualmente. E a surpreendente qualidade dessa Terceira Temporada se deve, principalmente, a brilhante inclusão da família Tobin, que determinou com maestria os rumos que o roteiro foi seguindo até esse ponto.
Spoilers Abaixo:
Segundo episódio sem flashforward e, novamente, outro episódio surpreendentemente bom. Isso é a prova de que, mesmo sem o seu recurso mais famoso, o roteiro da série tem força o suficiente para se segurar e nos segurar, grudados na tela, por pouco mais de 40 minutos. Mas também, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo na trama principal, era de se esperar algo espetacular. E foi.
Começamos vendo Ellen indo visitar a mulher que ela acredita ser sua mãe verdadeira, o que não é uma verdade. O que descobrimos é que, durante a sua infância, seu pai era um homem muito violento, o que fez com que sua mãe a desse para que essa mulher pudesse cuidar dela enquanto os problemas em casa eram resolvidos. Não acho que essa história tenha terminado por aí, e nós ainda veremos muito disso nos próximos dois episódios, principalmente porque a trama da prisão da irmã de Ellen ainda está em aberto. Mas o interessante desse final aparente dessa história da suposta adoção de Ellen é que ele nos proporcionou um momento único na série.
Me refiro, obviamente, a conversa que Ellen teve com David, que foi um dos momentos mais bonitos que vi em toda essa curta vida de Damages. Graças aos problemas familiares de Ellen, passamos a conhecê-la melhor e, sobretudo, podemos descobrir as suas motivações para se tornar advogada e para começar a trabalhar para Patty. E naqueles poucos minutos que tivemos David em tela, fomos arremessados pelo túnel do devaneio e pudemos ver a Ellen da Primeira Temporada, escolhendo os detalhes de sua festa de casamento e, sobretudo de sua relação com David. Era outra Ellen, era outro David, eram outros tempos. Tempos mais felizes. Ou não.
Costumo achar significados em coisas que normalmente não têm, então, ver o David tão mudado fisicamente ali me pareceu um sinal do quanto caminho percorremos desde que o víamos com sua roupa do hospital, e não o fato mais provável de que, de fato, Noah Bean envelheceu esses anos. Superando OS MEUS devaneios, a aparição de David serviu para iluminar o caminho de Ellen, logo agora que ela foi afastada da Promotoria e perdeu a confiança de Patty. E dessa sutil aparição de David, nesse roteiro espetacular que nos faz se surpreender sempre, uma “nova” Ellen está para nascer, o que só poderemos ver a partir do próximo episódio, infelizmente.
Se o elo entre Patty e Ellen é o fato de as duas quererem destruir “valentões”, podemos ver que quando você não se certifica de que a destruição foi completa, eles podem voltar e te prejudicar, de qualquer forma. O retorno de Arthur Frobisher, para mim, já é uma excelente idéia só por nos trazer de volta um personagem tão magnífico. E a reconstrução de sua história com Patty Hewes com a adição do seu “lado negro” promete ainda mais.
Mas Patty não tem tempo para lidar com Frobisher. O caso Tobin está parado, Tessa está presa, o juiz lhe deu um ultimato e, além disso, ela acredita ter sido traída por Ellen. Patty Hewes, surpreendentemente, está no fundo do poço. Mas o choro e a bebedeira não duram muito tempo, afinal, é de Patty Hewes que estamos falando. Fazendo um acordo com Gates, Patty tem acesso a Tessa e coloca em ação seu plano para colocar as mãos no dinheiro dos Tobin. E é nesse momento que Marilyn Tobin ganha o destaque eu esperava da personagem desde o começo da Temporada.
Lily Tomlin é uma atriz extraordinária e desempenhou seu papel de maneira fantástica em cada cena em que apareceu. Mas sempre faltou algo. Qualquer ligação que fosse com o sumiço do dinheiro, qualquer demonstração de que ela fosse tão suja quanto toda a família. E foi nesse episódio que pudemos ver esse outro lado da Matriarca Tobin.
Como tinha comentado na minha última review, acabou sendo comprovado que Tessa era mesmo filha de Joe, e não de Louis. Filha essa que foi morta, a mando do próprio pai, para que o dinheiro não fosse descoberto. Obviamente, Joe não sabe que Tessa era sua filha, já que sua mãe soube manipulá-lo muito bem para garantir a “proteção da família”.
O mais fantástico na família Tobin é que eles fazem os maiores absurdos pelo bem da família, mas se destroem no caminho. Patty não vai precisar fazer muito para destruí-los, pois eles mesmos já fizeram isso no decorrer da Temporada. Quando as mentiras começarem a surgir, a família Tobin estará em ruínas.
E agora? Faltam apenas dois episódio e temos que ver a morte de Tom, descobrir quem bateu no carro da Patty, que rumo Ellen vai tomar na sua vida, que grande segredo esconde Lenny, qual a importância de seu pai nessa história, vermos o mendigo reaparecer, vermos o que acontece com a irmã de Ellen, vermos se Patty conseguirá recuperar o dinheiro… São tantas coisas que eu espero ver que me dão certeza de pelo menos uma delas: os próximos dois episódios devem ser de tirar o fôlego, daqueles que não dá nem para piscar. E eu aguardo ansiosamente o fim da melhor Temporada da melhor série no ar atualmente. Até lá.













