O conto do homem que morreu duas vezes.

Assim que Dead Rails começou, com a mão da vítima saindo da terra, logo imaginei que o seriado ainda estava trabalhando a saída de Nick. No último episódio vimos a reação do personagem à um caso de pedofilia com o qual ele se identificou, e nesse a vítima foi enterrada viva, como também já aconteceu com o CSI. Mas, acabou que o roteiro não explorou esse lado da história e, apesar do episódio ter sido interessante, senti falta do roteiro explorar um pouco essa questão também.

Desde as primeiras cenas Dead Rails já mostrava uma história interessante, com uma vítima que “morreu duas vezes”, como disse Nick, a pele de cobra coral, encontrada apenas na América do Sul, a vítima era um ex-presidiário e ainda a possível ligação com a máfia. Mesmo assim ainda estava cética, já que muitas vezes episódios com início forte e muitos elementos diferentes acabam se perdendo e não conseguem entregar um roteiro consistente ao longo de seus quarenta minutos. Porém, essa décima quinta temporada veio para não decepcionar e o episódio conseguiu manter o interesse o tempo todo, com boas reviravoltas e explorando mais um nicho de pessoas de Las Vegas.

Apesar de não ser um grupo tão distinto quanto as bonecas de borracha, assistir sobre os jogadores profissionais de sinuca foi uma boa ideia e funcionou bem, nos mostrando diferentes locais em que eles jogam. Seja nos torneios femininos de cassinos, ou no ambiente chamado de “real” pela primeira suspeita dos CSI’s, The Hornet, ou Ms. Barrow.

Além de Barrow ainda vimos outros personagens secundários, como Ms Massey, Cal Tate e sua mulher, Zoe Tate, que, apesar de apareceram por pouco tempo, conseguiram utilizar bem esse tempo, se mostrando personagens interessantes. Todos eles foram degraus para que os CSI’s descobrissem o que realmente havia acontecido com Jimmy Turelli, o ex-presidiário. O roteiro trabalhou bem esses personagens e foram as diferentes suspeitas de cada um deles que levaram o episódio para frente. Dead Rails explorou cada personagem e sua possível conexão com a trama maior de forma inteligente e interligada.

Após suspeitar de Barrow, os CSI’s passaram para Cal Tate, jogador que possuía pele de cobra no seu taco de sinuca, que passou as suspeitas para Ms. Massey, quando logo descobrimos seu envolvimento com o círculo de prostituição. A sequência de eventos, porém, acabou voltando as suspeitas para Tate, já que foram encontradas evidências de sua mulher na cama de Jimmy. Passando de conexão com a máfia, por prostituição e crime passional, não sabia mais o que esperar. E ainda assim o roteiro acabou utilizando a mesma técnica mais uma vez, saindo de Tate e ligando sua mulher Zoe com o círculo de prostituição de Massey.

Para mostrar que todos os passos deste caso, desde os primeiros segundos, estavam total e completamente conectados, vimos a suspeita final ser da “desesperada” dona do carro que “sem querer” atropelou Jimmy na estrada. Os elos não estavam conectados apenas para nos mostrar novas suspeitas, mas estavam conectados a ponto de novas suspeitas nos levarem ao elo anterior da cadeia de eventos. Chegando ao ponto de a culpada ser alguém que eu nem cheguei a cogitar como suspeita, que foi responsável por dois assassinatos e era a responsável principal pelo círculo de prostituição.

P.S. – Gostei que o episódio explorou um pouco mais da vida de Morgan, apesar de ter sido apenas em poucos detalhes, que ela mesma não quis explicar muitos aos colegas. Mas, foi interessante vê-la descobrir as principais pistas do caso por ter sido jogadora amadora (há controvérsias) de sinuca! Tanto o truque das taças de champanhe como a bola de gelo foram pistas decisivas para a conclusão do caso e foi Morgan quem as descobriu!

15×11: Angle of Attack

Projeto Ícaro.

Angle of Attack foi mais um episódio nos moldes normais de CSI e, apesar de ter sido interessante e ter nos mostrado reviravoltas, para mim o episódio anterior teve maior capacidade em prender a atenção. Acredito que isso se deva ao fato dos personagens secundários terem sido trabalhados de melhor forma do que vimos aqui, já que a trama principal tinha potencial. Não achei o episódio ruim, inclusive gostei do que o roteiro nos apresentou, mas comparando ao episódio passado, acredito que Angle Of Attack deixou a desejar.

Da mesma forma que a mão saindo da terra chamou atenção, um homem morto que saiu de um prédio a quilômetros de distância da onde foi encontrado, onde aparentemente chegou voando, também prendeu a minha atenção. Porém, o episódio acabou se perdendo no caminho. Seu elemento mais interessante continuou sendo a busca por uma explicação plausível para o “homem foguete”, que ao ser assassinado acabou matando um inocente no seu caminho.

A principal reviravolta foi o caso do Capitão Holland com o seu chefe, Major Mills, que apesar de ter me surpreendido acabou soando como uma obrigação do roteiro de ter uma reviravolta para surpreender o espectador. Realmente funcionou, mas como elemento dentro da narrativa não era essencial. Mesmo que esse fato tenha nos revelado o verdadeiro assassino, outros caminhos poderiam facilmente ter sido seguidos e daria no mesmo resultado. Como seria se fosse culpa de sua mulher, Amanda, ou de sua chefe, Claudia Mason. Possibilidade inclusive mais plausíveis, já que haviam sido melhor trabalhadas.

Outro ponto interessante foi o assassinato do Capitão Ferris, que morreu na sala de interrogação enquanto ainda falava com Crawford e Nick. Porém, assim como a reviravolta final, foi um fato muito pontual, que foi unido à trama principal a partir da confissão de Mills, mas que pareceu apenas mais um elemento, sem a conexão maior que considero tão importante para os casos investigados pelos CSI’s. Fiquei o tempo todo imaginando uma operação sigilosa do governo que os dois poderiam ter descoberto e haviam sido assassinados por esse motivo, o que seria uma trama mais interessante.

No entanto, a história acabou sendo reduzida à um jogo de culpa entre a empresa TRP e a Força Aérea. A suspeita passou de um para o outro o tempo todo, até quando Mason foi tida como suspeita seu motivo era ligado à empresa. Assim que o caso se tornou pessoal as suspeitas foram para sua mulher e logo depois vimos a revelação do caso de Bobby e Mills. As explicações finais foram muito rápidas, jogadas sem maiores explicações, com um ritmo completamente oposto ao que estávamos assistindo até o momento.

Angle of Attack acabou se perdendo e não conseguiu mostrar uma trama tão conexa e amarrada como vínhamos vendo até aqui. Porém, afirmo isso em comparação com a temporada que está sendo exibida, porque este episódio teve uma boa ideia e conseguiu apresentá-la satisfatoriamente, dois importantes elementos que sabemos que CSI não conseguiu cumprir muitas vezes em temporadas passadas.

P.S. – Gostei muito da maior colaboração do detetive Crawford com os CSI’s. Já havia comentado que estava sentindo falta do detetive e o roteiro utilizou bem o personagem nesses dois episódios.

P.S. II – Desculpa pela demora com as reviews. Em função do meu trabalho, que fiquei de plantão, acabei não conseguindo assistir rápido o suficiente para escrevê-las conforme os episódios foram exibidos. Semana que vem encaminho mais uma review dupla para deixar tudo em dia!

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