Bruxas em Las Vegas?

Logo que este episódio de CSI começou me lembrei do caso da semana passada de Law and Order SVU, os dois seriados utilizaram o recurso de um dos personagens fazendo um vídeo em seus primeiros momentos. Exatamente por esse motivo, quando vi o rosto de Mason pela primeira vez fiquei imaginando se, assim como em SVU, estaríamos vendo um criminoso ou se CSI faria diferente e ele seria a vítima. Em função da personalidade que o personagem estava nos mostrando eu logo imaginei que ele se encaixava melhor no perfil de vítima e, apesar de não ter sido uma vítima direta, acredito que Mason tenha sido sim uma vítima no final das contas.

Mas, não vou me adiantar ao final do episódio antes de falar de seu início. Logo fica claro que o estudante fazendo o vídeo era apenas um recurso narrativo para que nos fosse apresentada a real vítima: Chet Messner, o professor de química. Achei o vídeo de Mason muito grande, o recurso narrativo teria sido mais bem utilizado se tivesse ficado um pouco menos de tempo em ação. No entanto, a cena em que Messner aparece pegando fogo foi ótima, serviu muito bem para quebrar a monotonia do vídeo que nos estava sendo mostrado.

Não achei esse episódio sensacional, mas também não o considero ruim. The Book of Shadows cumpriu sua função como um procedural nos mostrando diferentes tramas e cenários possíveis para encontrar o assassino de Messner. Ao longo do episódio os CSI’s possuem inúmeras diferentes teorias sobre o que poderia ter acontecido com o professor, e a cada passo dado por eles vemos um grande leque de possibilidades surgindo. Inicialmente vemos as suspeitas recaírem sobre o próprio Mason por causa de uma mensagem, logo depois surge a possibilidade de o professor ser fabricante de metanfetamina. Qualquer semelhança com Breaking Bad é pura coincidência! #sóquenão

Essas duas primeiras suspeitas rapidamente são eliminadas pelos CSI’s porque logo descobrimos a existência de um grupo de bruxas do qual Messner fazia parte, deixando muito claro porque o nome do episódio é “O Livro das Sombras”. Ao longo dos seus quinze anos de história CSI muitas vezes buscou episódios em que fosse explorado esse lado mais sobrenatural. Porém, diferente de The Book of Shadows, quando o episódio se dedicava à isso era para mostrar um lado mais sombrio da narrativa e dessa vez o grupo de bruxas foi apenas mais um recurso para nos afastar das suspeitas anteriores. Um recurso que funcionou bem, já que após essa revelação eu acabei nem cogitando que a explicação estivesse fora dessa sociedade secreta que permeava a escola Jefferson High.

Porém, logo vemos as suspeitas voltarem para o mundo das drogas, mas não o mundo explorado em Breaking Bad. Acabou que, na verdade, Messner estava fabricando esteroides para os alunos atletas do colégio, fazendo surgir mais uma série de diferentes suspeitas sobre o que havia acontecido. O que nos levou ao jogador de futebol americano, Turk e às respostas de uma prova que haviam sido enviadas à ele. Ou seja, aqui vemos o mundo da bruxaria sair completamente do centro da narrativa para que outra possibilidade fosse explorada. Mas, não por muito tempo!

Assim que o detetive Crawford vai atrás do nosso mais novo suspeito encontramos mais uma dificuldade no caminho dos CSI’s: Turk também havia sido assassinado. Neste momento é que descobrimos que Messner não era para ter sido a primeira vítima e sim Turk desde o início. O papel envenenado que foi responsável pela morte do professor estava destinado ao aluno que precisava das respostas de uma prova. E aqui ainda vemos uma história completamente paralela à trama principal quando Hanna, vizinha de infância de Mason, é questionada sobre a morte de Turk por ter sido seu celular que enviou a mensagem avisando a ele onde estava o papel com as respostas da prova. Porém, quando eu já não esperava mais nenhuma complicação, Hanna confessa para Morgan que o quarterback a havia estuprado e por isso seria muito fácil para alguém tentar incriminá-la, mas a CSI consegue confirmar o álibi da aluna e logo ficamos completamente sem suspeitos para tudo o que havia acontecido.

Nesse momento vemos o grupo de bruxas voltar ao centro dos acontecimentos já que os CSI’s descobrem que sangue havia sido retirado de seu corpo. Descobrimos ainda o caso que a diretora do colégio tinha com Turk, que o faxineiro era o membro principal do grupo e que a mãe de Mason, Rebecca Brewer, era o mais novo membro dele. A finalização do caso acaba sendo completamente diferente do que eu poderia ter imaginado depois de tantas diferentes suspeitas, mas uma explicação que faz sentido. Aqui CSI explora até onde vai o amor de uma mãe que tenta salvar o seu filho e, nesse caso, Rebecca cometeu dois assassinatos para tentar curar a doença de seu filho. Achei a explicação coerente e gostei bastante da cena em que Hanna aparece para falar com seu amigo de infância e diz que ele pode morar em sua casa.

Foi somente escrevendo esta review que percebi a quantidade absurda de informações que nos foi passada ao longo desse episódio. Não sei como tanta coisa diferente coube em 40 minutos. Mas isso não necessariamente é sinal de um bom episódio ou de uma boa trama. The Book of Shadows ganha muitos pontos por ter feito isso de forma coerente e bem explicada, mas mesmo assim o maior esforço do episódio foi nos confundir e não nos mostrar um bom roteiro. Vimos um episódio razoável que cumpriu sua função como entretenimento, mas que não chegou nem perto do que essa temporada vinha nos mostrando.

P.S: Um dos principal elementos deste episódio para mim foram as referências à outras obras. Além de Breaking Bad que o diálogo entre Nick e Russel deixa muito claro, vi ainda a referência de Morgan ao filme Clube da Luta quando está falando sobre as regras do grupo de bruxas. Mason cita ainda Oliver Twist, e quando a diretora está explicando sobre o ritual que devia ter sido feito com o sangue de Turk cita o nome Kratos, que só me fez lembrar do jogo God of War. Essas foram as referências que eu peguei, e vocês têm mais alguma para adicionar?

P.S. II: Não tem como não amar Hodges vestido de bruxa! Na review anterior citei que senti falta do personagem, então aqui deixo minha satisfação de tê-lo visto nesse episódio e ainda por cima vestido de bruxa.

P.S. III: Mesmo que não tenha tido uma explicação sobre a volta de Finlay, gostei de ter visto Russel observando o quadro com as informações do Gig Harbor Killer.

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