Dante’s Inferno: The Nine Circles of Hell.

Spoilers Abaixo:

Apenas por este episódio ser o season finale da décima terceira temporada de CSI Las Vegas as expectativas em relação a ele já são enormes. Como é o comum em qualquer seriado, o espectador espera que o episódio que vai finalizar a temporada tenha uma qualidade superior aquela que vimos ao longo da temporada, o que é sempre um desafio. Um desafio que eu acredito que CSI conseguiu completar com maestria.

Skin in the Game começa mostrando a que veio em seus primeiros segundos, exibindo uma apresentação da banda Black Sabbath, com direito até a um pequeno diálogo entre Ozzy Osbourne e o jornalista John Merchiston. Logo depois, o seriado joga mais uma série de informações ao espectador, e a cada revelação temos mais um elemento que vai transformando um bom episódio em um maravilhoso season finale.

Sendo um season finale já era de se esperar que não teríamos somente um assassinato, ou mesmo que fosse somente um assassinato ele implicaria uma série de outros problemas para os personagens. Aqui, os dois casos foram explorados. Após a divulgação do rosto da primeira vítima, Angela Barnes entra em contato com a polícia de Las Vegas e diz que não somente reconhecia a primeira vítima, como também alertava para o desaparecimento de outras oito mulheres da uma igreja direcionada para ex-strippers e prostitutas.

E foi, juntamente com essa informação, que a primeira grande revelação deste season finale é feita: Ellie Brass estava na lista das mulheres desaparecidas. O que rapidamente coloca os nervos de Jim e dos CSI’s à flor da pele e, além disso, traz a tona uma história que já existe desde as primeiras temporadas do seriado, o que foi uma jogada muito inteligente do roteiro.

Aqui ao ritmo da investigação é acelerado e mais dois assassinatos e uma vítima em coma são descobertos. Outro ponto importante de ressaltar é que Ellie não é tratada como o principal elemento do episódio, mas sim os assassinatos que foram cometidos pelo Serial Killer. E o roteiro precisou ser muito bem escrito e trazer um assassino interessantíssimo para que o espectador esquecesse, até certo ponto, que Ellie estava desaparecida e colocasse seu foco nos assassinatos.

E os roteiristas conseguiram completar essa missão. O que pode ser evidenciado pelo fato de que o episódio teria sido ótimo mesmo sem o envolvimento de Ellie, e mais tarde de Morgan, e só contasse com os assassinatos. Mas, é claro, que Ellie e Morgan foram a cereja no topo do bolo, que transformaram este season finale em um maravilhoso episódio.

Mas antes de comentar o envolvimento das duas no caso vou analisar os assassinatos. Em primeiro lugar o que chamou atenção logo de cara foram as inúmeras signatures (assinaturas) do serial killer, como as caixinhas de madeira, a bíblia vermelha, os corações dourados, e os círculos. Esses elementos, logo de cara, me fizeram pensar que talvez o episódio possa ter retirado inspiração do livro Código da Vinci e do filme Seven. As caixinhas de madeira e a frase que somente poderia ser vista sob o efeito da luz negra me lembraram o livro de Dan Brown e a conjunção do primeiro assassinato com o terceiro (o da stripper com lingerie e a outra que havia morrido comendo) me lembraram Seven, em que o assassino faz referência aos sete pecados capitais em suas vítimas. E, no caso de Seven, acredito que o próprio seriado evidenciou essa ligação a partir de uma frase de Finlay: “I’ve already seen this movie before” (Eu já vi esse filme antes).

Bom, saindo das minhas divagações, vamos ao que importa. Logo quando descobrimos que as mulheres sumiram as dúvidas recaem sobre Daniel Larson, o pastor da igreja. O personagem em si, através de sua aparência e personalidade, já evidenciava que alguma coisa estava errada, o que leva o espectador a rapidamente colocá-lo em sua lista de suspeitos. No entanto, apesar dele ser um óbvio criminoso que não havia encontrado o caminho da luz como ele mesmo queria nos fazer acreditar, estava bem óbvio que ele não seria o serial killer em si, mas um acessório para o verdadeiro criminoso, que não se deixaria achar com tanta facilidade. Se fosse um episódio comum talvez o pastor poderia se revelar como culpado, mas não em um season finale.

Desde o momento em que os os CSI’s descobrem os três assassinatos já podemos perceber que esse caso nada terá de comum ou simples, e o principal agora era descobrir o porquê das “assinaturas” do serial killer. E, quando Russel, a partir de uma observação do jornalista, descobre a ligação entre os assassinatos e os nove círculos do inferno do livro Dante’s Inferno, o episódio se tornou ainda melhor. Somente essa referência já faria um ótimo episódio, porém o roteiro vai além e nos traz a volta e o desaparecimento de Ellie e o sequestro de Morgan, que foi previsível, porém muito bem executado.

A partir do momento que a referência aos nove círculos do inferno foi descoberta seria mais fácil chegar ao assassino já que os CSI’s poderiam imaginar seus próximos passos. E, aqui, preciso comentar outro elemento importante do episódio, que foi a parte em que Larson se vê encurralado pela polícia e diz que ainda era cafetão e usava as mulheres que iam à sua igreja para lucro próprio. Ou seja, o roteiro ainda teve o cuidado de ligar a igreja, para onde todas as evidências apontavam, com o serial killer, e mostrar que o pastor era um criminoso sim, porém não aquele que era culpado pelos assassinatos. E agora chegamos a um dos melhores momentos do episódio, que foi ver Morgan como uma undercover agent (agente secreto).

A personagem foi colocada em uma situação que nunca a havíamos visto antes e ainda representando uma prostituta, o que nos permitiu vê-la com uma personalidade completamente diferente daquela que estamos acostumados, e a atriz representou essa mudança muito bem. Assim que ela entra na casa do suspeito já ficou óbvio que ele, de fato, era o culpado. Quadros e objetos gritavam sua culpa, agora Morgan precisava conseguir fazê-lo confessar, o que era óbvio que não funcionaria. Assim que ela entra na casa do Anônimo já estava claro que a operação havia sido descoberta e que a situação ficaria complicada rapidamente. Quando ela entra na SUV preta, o cronômetro estava marcando o final do episódio e o iminente cliffhanger estava chegando.

Skin in the Game é finalizado com um vídeo mostrando que Ellie havia sido capturada, o sequestro de Morgan e o caos total se instalando na LVPD. Este season finale completa com maestria o seu objetivo, e me deixou um tempo parada olhando para a tela assim que Russel fala “We have a 444” (nós temos um 444) e Finlay completa “Contact Xerif Ecklie” (entre em contato com xerife Ecklie).

O primeiro episódio da próxima temporada promete ótimos momentos, e o roteiro vai ter a difícil tarefa de conseguir captar a atenção e suprir as expectativas dos espectadores que devem estar loucos, assim como eu, para descobrir o que acontece. Skin in the Game fecha com chave de ouro uma temporada que aos poucos vinha mostrando que CSI ainda tem força para continuar no ar. Agora o jeito é esperar pela Fall Season e a décima quarta temporada de CSI Las Vegas.

P.S: Ainda não entendi muito bem qual a função do jornalista neste episódio, o personagem causou certo desconforto com os CSI’s quando se metia no meio da investigação e acabou fazendo a descoberta dos círculos que levou Russel a pensar nos nove círculos do inferno. Aliás, de todos os elementos deixados pelo serial killer nas cenas do crime, esta dos círculos foi a que me pareceu a mais forçada. E, apesar de ter sido a chave para o caso, achei a referência desnecessária e o roteiro poderia ter encontrado uma forma melhor de fazer com que Russel descobrisse a ligação.

P.S II: Mesmo que a ausência de Sara no season finale tenha sido explicada no episódio anterior achei que a personagem fez falta  e gostaria de saber quais são os planos do roteiro para ela, que desde o episódio de sua separação com o Grisson, e até mesmo nos anteriores, tem estado meio apagada.

P.S III: Adorei quando Nick faz referência a Grisson, que foi seu professor de entomologia.

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