Ele viveu. Viveu além da imaginação. Viveu no espaço, na fronteira final, para o alto e avante. Viveu 24 horas – e mais 24, e mais, e mais, e mais.

Viveu numa família dinossauro e numa família moderna. Viveu com cinco amigos. Viveu como espião. Da CIA, da KGB, da SD-6. Participou da Segunda Guerra e da Guerra dos Tronos.

Viveu como produtor de drogas – azulzinhas, bagulho do bom – e como serial killer. Viveu como policial, como promotor, como advogado. Solucionou crimes por análise de ossos, por DNA e por linguagem corporal. Foi para Las Vegas, Miami, New York. Pegou um avião. Caiu. Viveu na ilha e saiu.

Viveu como médico. Viveu a morte – afinal, era o hospital da Shonda. Desceu a sete palmos. Viveu como vampiro. Fez sexo, muito sexo. Sexo com outros vampiros, com gente, com fada, com lobisomem, com pantera, com tudo que se mexe. Entrou para a política e saiu direto para a prisão. Vestiu o laranja – estão dizendo por aí que é o novo preto –, tatuou um mapa na pele e fugiu.

Viveu, viveu. Em várias épocas, vários tempos, com várias pessoas. Viveu romances, emoções e aventuras.

E assim, de tanto viver a vida dos outros, esqueceu de viver a sua.

Li uma vez, num livro, que a carga de emoção das histórias suprem a monotonia que é o dia a dia das nossas vidas. Por isso, a crônica de hoje é uma pequena reflexão sobre o tempo que dedicamos à TV e aos seus personagens. O mundo ficcional é muito interessante, mas penso que nunca deve ser mais do que o real. Pra terminar, deixo a questão: você usa as séries como fuga ou como distração?

Até a próxima.

Artigo anteriorCovert Affairs 4×10: Levitate Me [Summer Finale]
Próximo artigoBoardwalk Empire 4×02: Resignations