Hoje eu terminei de assistir Gilmore Girls.
Minha história com Gilmore Girls é até bem bonitinha, em minha humilde opinião. Comecei a assistir lá pelas bandas de 2004, quando ainda passava na Warner Channel; às vezes eu até gravava no bom e saudoso videocassete. Eu estava no auge do começo da minha adolescência, então muitas coisas eu não entendia ou entendia pela metade. Por outro lado, assim como a Rory, eu também estava planejando me matar de estudar para entrar numa faculdade reconhecida e ter uma boa vida no futuro. Depois que a televisão a cabo deixou de ser uma realidade pra mim, lá pelas bandas de 2005, Gilmore Girls também deixou, retornando à minha vida alguns anos depois, mas só voltando a fincar raízes em 2012, quando me vi num período de seca de séries legais e lembrei-me daquela série sobre mãe e filha que eu adoraaaaava na adolescência. Foi o suficiente para baixar os primeiros episódios e ir até os últimos.
Terminei de assistir hoje, mas já fazia 1 ano que eu não participava das histórias de Rory e Lorelai, visto que, bem, eu tenho um problema sério com a própria questão de finalizar séries. E eu posso dizer que foi… Lindo. Foi um finale que acabou me surpreendendo bastante, embora algumas coisas já fossem previsíveis. A cena final, de um simbolismo maravilhoso, deixou a mensagem que a série sempre procurou passar em suas 7 temporadas: a vida continua. Se um relacionamento acabou, a vida continua. Se você não conseguiu um emprego, a vida continua. Se você tem uma mãe louca e possessiva, mas que te ama muito, a vida continua. E por aí vai. Fico em dúvida se o que mais me agradou foi a própria cena final em Luke’s Diner, o desfecho de Lorelai finalmente se acertando com quem sempre foi o homem que quis vê-la feliz ou a decisão de Rory de não terminar com Logan. E tudo isso feito de uma maneira singela e bela, como a série sempre fez.
Gilmore Girls pode ser chamada de “série de menininha” (nem vou entrar aqui na discussão sobre como esse termo é machista), mas, se ela for, é uma “série de menininha” absolutamente fora dos padrões, já que eu não curto muito esse gênero em que as mulheres são retratadas como seres com os quais eu mesma não me identifico. Com Gilmore Girls foi diferente. Eu me vi na Rory e na Lorelai. Eu vivi os estudos da Rory antes de entrar na faculdade. Eu chorei quando Lorelai viu sua pousada destruída. Eu torci para que ela e Emily se acertassem e fiquei absolutamente fascinada com a cena em que os quatro membros da família Gilmore discutem tudo que precisava ser discutido há tanto tempo, no episódio 13 da sexta temporada.
No final das contas, eu quis morar em Stars Hollow. Eu quis tomar café em Luke’s Diner todos os dias e jantar na casa dos Gilmore todas as sextas. Eu quis me hospedar no Dragonfly Inn e me empanturrar com as maravilhas gastronômicas da Sookie. Eu quis comparecer às reuniões da cidade com Taylor e Kirk, ter uma amiga como a Lane e estar em uma banda como a do Zack. E essa é a prova de que uma série passou do universo do entretenimento e entrou no próprio universo da sua vida. Sentirei saudades das minhas Lorelais favoritas, mas saberei que, no mundinho delas, nenhum adeus aconteceu. Afinal, a vida continua, aonde quer que você vá.






















