“De fato, há momentos na vida em que o Tempo é gentil conosco: quando nos dá um segundo a mais, um minuto a mais, um momento a mais com aqueles que amamos.” – Narrador (James Brolin de Castle).
Em uma deslumbrante jornada em busca de respostas sobre a origem de uma pandemia que transformou o planeta Terra em um tremendo caos, Sweet Tooth, da Netflix, nos mostra a força da ternura infantil. Em apenas oito episódios, que mais parecem um filme dividido em partes, o queridíssimo e apaixonante Gus (Christian Convery de Pup Academy) e a sua turma viajam para o Colorado, na América, à procura explicações sobre o que está acontecendo após a disseminação do vírus H5G9. Foi uma delícia acompanhá-los e é evidente que desejamos uma segunda temporada, não é mesmo?!
Contudo, antes de chegarmos ao gancho para os novos episódios, vamos debater o primeiro ano da série. Já começo afirmando aquilo que eu já deixei bem claro nas minhas Primeiras Impressões: estamos diante da melhor produção original da Netflix, sem sombra de dúvidas. Sinto muito, Stranger Things (2016-atual) e La Casa de Papel (2017-2021), mas Sweet Tooth conquistou os nossos corações e chegou para ficar. É tanta fofura em cena que eu maratonei a primeira temporada duas vezes, não só para poder escrever a Crítica com maior propriedade de detalhes, como, também, por apreciar o Gus e os seus, agora, amiguinhos híbridos. Eu quero um bichinho de pelúcia do Bobby ou um funko dele, Netflix! Coloque nas lojas pra ontem, por favor!
E a jornada de busca por respostas, tanto aquelas relacionadas ao surgimento do vírus mencionado, causador da doença Flagelo, juntamente ao aparecimento dos bebês híbridos – metade animal, metade humano -, quanto da mãe de Gus, se iniciou a partir de uma bela amizade. Nela, estavam envolvidos o Tommy “Jeep” Jepperd, mais conhecido como “Big Man” (Nonso Anozie de Zoo), e o nosso esperto e inteligentíssimo protagonista. Quem diria que duas pessoas tão diferentes, com personalidades fortes, poderiam se amar, né?! A cumplicidade, o companheirismo e a lealdade foram construídos aos poucos, em uma narrativa fluida, pra lá de envolvente. Na parte que se refere ao Gus, a gente sabe que ele tem um coração puro, mas, no lado do solitário errante, restava-nos algumas dúvidas, que foram contadas da forma mais delicada e emocionante possível. Além de ser um ex-jogador de futebol americano, Jeep era casado e pai de uma criança, porque a sua esposa, em meio à desordem da pandemia, deu à luz a um novo bebê híbrido. Tal fato fez com que “Big Man” se desesperasse, em um primeiro momento, porém ele logo retornou ao leito para revê-lo. Infelizmente, mãe e filho não se encontravam mais no hospital e “sumiram” da vida do “gigante”. E por qual motivo eu estou falando isso tudo? Para justificar a sua afeição ao Gus, pois, na verdade, ele tenta protegê-lo como se fosse o seu verdadeiro filho, apesar de todas as estripulias e as teimosias do menino-cervo. Ainda bem que no final, apesar de ter sido ferido com um tiro (aquilo foi um tiro, né, pessoal? Teve até sangue!), o nosso “Big Man” acordou e, a partir de agora, com a ajuda da sua nova amiga, Aimee (Dania Ramirez de Once Upon a Time), uma ex-psicóloga, eles vão salvar a garotada híbrida do grupo Os Últimos Homens, assim esperamos que aconteça, amém!
Outra amizade formada foi com a jovem Bear/Becky/Rebecca Walker (Stefania LaVie Owen de Messiah), líder de um grupo/exército que protege os seres diferentes dos humanos de todo e qualquer mal. Eu não sei vocês, leitores, mas eu não me afeiçoei à personagem, não, muito menos após descobrir que ela é a irmã da fofa Wendy (Naledi Murray de The Bug Diaries), no final do oitavo episódio. Talvez o problema seja com a atriz – nada carismática, por sinal -, tendo, ao meu ver, só decorado as falas, e pronto. Com isso, a emoção fez falta, juntamente à desnecessária aparição dos ex-colegas dela para proteger os híbridos tão fofinhos. Fez algum sentido eles serem retratados em apenas um episódio e, depois de uma desavença, não mais voltarem? Foi um evento muito fora da curva narrativa apresentada no primeiro ano de Sweet Tooth. Ah, não posso me esquecer do casal que, no segundo episódio, ajudou os nossos forasteiros. Eu entendo que eles serviram de ponte para acolhê-los, mas a amizade construída com o filho do casal foi tão bonitinha, que eu estava na expectativa de ela ser retomada. Tomara que na continuação da história, eles possam voltar, porque eu adorei a cama em forma de barco e aquele espaço de jogos e de guloseimas à vontade, gente! Gus tem um bico doce e não é pra menos!
Um dos trunfos do roteiro de Sweet Tooth em conseguir cativar o telespectador está justamente na narrativa envolvente, de Jim Mickle (Hap and Leonard), em que ele soube trabalhar entre a bondade a maldade, sem exageros ao apelações. Vai me dizer que você não sentiu que as vitórias soaram mais saborosas em meio aos perigos ameaçadores? Tudo o que rodeia o Gus exala paz, ternura e amor, afinal de contas, ele é um garoto especial e para o salvamento da população mundial ele será de extrema importância, futuramente. Por falar no dito cujo, aproveito o parágrafo para contar sobre a origem do menino: primeiro, o seu nome – GUS – é uma abreviação da sigla G.U.S. 1., que possui o seguinte significado: Genetic Unit Series 1, ou, em tradução livre, Unidade Genética Série 1. Tal nomenclatura quer dizer que ele foi – de fato – criado em um laboratório, sendo o primeiro bebê híbrido de proveta. Tadinho! O meu coração e, com certeza, o de todos nós, foi dilacerado ao vê-lo triste e com raiva por ter sido enganado, sentindo-se desamparado, sem pai, tampouco a presença materna em seu passado. Porém, é entendível que o seu pai, Pubba/Richard (Will Forte de O Último Cara da Terra), ao ter ficado com ele por 10 anos em uma casa isolada, fez de tudo para protegê-lo dos seres humanos, tão perversos em condenar os bebês híbridos pela desordem pandêmica. Será mesmo que eles têm alguma parcela de culpa? Onde está a origem, seja do vírus, seja dos bebês? Inclusive, uma dúvida pertinente: como o bebê do “Big Man” nasceu com as informações genéticas de um ser híbrido? A mãe pegou o Flagelo durante a gravidez? Alguém sabe o motivo? Me contem nos comentários, por gentileza, pois eu estou perdido nesse detalhe, confesso.

“Não faça uma pergunta se não quer saber a resposta!” – JEPPERD, Tommy.
Além disso, destaco novamente as características lindíssimas vistas na season premiere de Sweet Tooth: a bela fotografia de cinema dos cenários e das paisagens da Nova Zelândia (Oceania), país escolhido para a rodagem das cenas. A vontade de entrar na tela da televisão e poder viver aquele universo tão cheio de cor e de vida foi imensa em todos os episódios, evidentemente. Tem que aplaudir com muitas palmas o excelente trabalho do Robert Downey Jr. (O Homem de Ferro), o produtor executivo, e a sua companheira de vida e dos bastidores, Susan Downey (Perry Mason), concomitantemente à equipe de roteiristas. Eles foram geniais! Por favor, jurados, técnicos, assessores ou qualquer pessoa envolvida nas principais premiações pelo mundo afora: indiquem Sweet Tooth em várias categorias, porque ela merece, e muito! A mensagem final de esperança e de amor esteve presente em todos os momentos e eu aposto que a produção e o elenco, em seus futuros discursos, com as estatuetas nas mãos, vão dizer sobre isso em suas falas de agradecimento. Isso se dá, também, em virtude de a produção ter escolhido um tom mais alegre e fantástico, diferentemente da obra original homônima, criada por Jeff Lemire (Homem Animal), em 2009, pela Vertigo, uma subdivisão da DC Comics, com uma temática mais sombria e mais sangrenta. E toda e qualquer mensagem positiva direcionada ao público é mais do que bem-vinda, ainda nos atuais tempos tristes em que vivemos com a pandemia do novo Coronavírus.
Já no que diz respeito a parte da vilania, tivemos Os Últimos Homens em busca dos híbridos, no comando do General Steven Abbot (Neil Sandilands de Flash). Ele, o personagem, me lembrou muito o vilão de Sense8, Whispers (Terrence Mann de Smash), que aparecia e desaparecia nas cenas, todo caracterizado de uma forma cruel: roupas escuras, óculos vermelhos chamativos e uma barba grande, detalhes do primeiro vilão mencionado. No entanto, as suas falas não exalaram medo, sequer mostraram a justificativa de tanta vilania. Sim, eles queriam as criaturas fofas por dois motivos: dissecação para uma possível cura da doença ou a exterminação. Contudo, faltou um algo a mais para sair daquele famoso vilão caricato, porque o General ficou em segundo plano, com pouco desenvolvimento, infelizmente. E a maldade poderia ter sido trabalhada de forma mais significativa, afinal de contas, os seres híbridos tiveram um destaque, ao terem representado os indivíduos de grupos excluídos e erradicados da sociedade ao longo dos anos. Isso, é claro, não ficou explícito, por se tratar de uma série de fantasia e, nessa perspectiva, o seriado não foi tendencioso para nenhum tipo de representatividade. Entretanto, para quem sabe lê e, no caso aqui, para quem sabe ver e ouvir, qualquer fala é claramente um pingo no “i” no entendimento sobre a ignorância do ser humano em “esquecer” o próximo.
Outros personagens mostrados ao longo dos oito episódios e que, no final, se interligam por conta da captura dos híbridos, são: Dr. Aditya “Adi” Singh (Adeel Akhtar de Les Misérables), ao lado de sua esposa, Rani Singh (Aliza Vellani de Arquivo X), em que ele abandonou a sua profissão de médico depois que o Flagelo foi disseminado e atacou a sua cônjuge. De lá pra cá, ele só pensa em cuidar de Rani, mas acaba sendo surpreendido pelo vilão, o General, que deseja uma única cura da doença, por meio de uma vacina, pois uma nova onda de contaminação é iminente (infelizmente, o Brasil segue a mesma linha de raciocínio perante à Covid-19). Todavia, será que ele conseguirá produzir a substância? Até que ponto ele vai resistir em não matar os híbridos, afinal de contas, ele fez um juramento médico? Vale lembrar que a Ética para o General é inexistente. Temos também Aimee que, após ter ficado confinada meses a fio para se proteger do H5G9, descobre o propósito da sua vida: A Reserva – lugar seguro para híbridos: cuidaremos de você! (slogan do panfleto), posteriormente ter adotado a Wendy, ainda bebê.

“Se conseguimos ver além do medo, descobrimos o que realmente importa… E aprendemos que, às vezes, aquilo que nos separa, também pode nos unir, porque nós formamos a nossa família. Cada um de nós: juntos!” – Narrador.
E, por fim, e não menos importante – aliás, a cena mais pertinente – foi a aparição da mãe de Gus, Birdie (Amy Seimetz de Stranger Things), estando no Alasca, se não me engano. Ela atendeu ao walkie-talkie da Bear, servindo de cliffhanger nos minutos finais, o famoso gancho, para uma possível e obrigatória segunda temporada. A senhora está querendo matar a gente de curiosidade, né, Netflix?! Será que Gus e a sua nova turma de amigos vão ser resgatados? Qual é a importância do personagem para a história, justamente por ter sido o primeiro a ser criado em laboratório? Espero que a “gigante do streaming” já esteja gravando os inéditos episódios, pois criança, como é evidente, cresce rápido demais. Logo, mesmo com a caracterização perfeita, a fofura do Cristian Convery pode ser perdida, em longo prazo, apesar de a série já deslumbrar um futuro brilhante pela frente. Inclusive, quantas edições/capítulos tem a obra original? Já quero prever as minhas teorias para as próximas temporadas.
Enfim, caracterizada por apresentar uma história em road movies, na qual os protagonistas sempre estão em movimento em um território físico, ao mesmo tempo em que a trama também tem o seu seguimento, Sweet Tooth se torna uma série imperdível. Vale muito a pena indicar para o coleguinha que está na dúvida do que assistir no catálogo da “gigante do streaming”.
OBSERVAÇÕES FOFAS:
p.s.01: Alô, O Legado de Júpiter! É assim que se produz uma série boa, viu?! Quem sabe na próxima, você evita de ser cancelada, hein?!;
p.s.02: Sweet Tooth recebeu quase 100% de aprovação positiva no portal Rotten Tomatoes, que concentra a crítica especializada.Não dá pra discordar quando as atuações, por exemplo, são formidáveis;
p.s.03: A bela trilha sonora é super envolvente. Olha, se alguém achar uma lista no Spotify, por gentileza, me avisa;
p.s.04: Na série documental A Corrida das Vacinas (2021), do Globoplay, a pesquisadora Natália Pasternak explica que a vacina contra a Covid-19, que está sendo feita pelo Instituto Butantan, em São Paulo (SP), promissora para a imunização dos brasileiros, será feita a partir de ovos de galinha. Qualquer semelhança entre a realidade e a ficção não é uma mera coincidência. Vamos torcer para que ambas as vacinas sejam aprovadas e as respectivas pandemias, ficcional e verídica, cessam no mundo, amém;















