A opção por adaptar a história do garoto que recebe poderes de um mago talvez seja uma das escolhas mais acertadas da DC Comics desde que começou sua tentativa de emplacar um universo estendido nos cinemas. É impossível não levar em conta o quão não tão bem sucedidas grande parte das produções da parceria com a Warner Bros. foram. Retratar a trama de Billy Batson, por outro lado, parece ter sido uma boa estratégia para renovar os ares da franquia.

Dirigido por David F. Sandberg, Shazam! acompanha um jovem escolhido para ser o “Campeão da Humanidade” e enfrentar a personificação dos setes pecados capitais. Ao gritar “Shazam”, ele se transforma numa versão adulta e mais forte de si mesmo. A premissa é rica o suficiente para criar o equilíbrio ideal entre drama e comédia que o estúdio vem tentando encontrar em suas obras mais recentes.

A personalidade adolescente de Billy Batson imprimida na imagem crescida do herói torna a trama instantaneamente interessante. É nas sequências mais rotineiras vividas pelo protagonista que podemos ter uma noção melhor de quem é aquela personagem e em que o filme oferece as cenas mais cômicas. Por outro lado, é preciso dizer que em alguns momentos é questionável se os dois são até a mesma pessoa. Há uma diferença clara nas escolhas de atuação de Zachary Levi e Angel Asher. O último, inclusive, apresenta mais maturidade que sua versão adulta. Mas, ambos dão vida a Billy com competência, apesar de que de formas distintas.

Em contrapartida, quase todo o restante do elenco faz um trabalho muito respeitável, coerente e contam com bastante carisma. Além disso, o fato de que todas as personagens – ainda que sigam certos estereótipos e sejam pouco desenvolvidos – são cativantes contribui ainda mais para tornar o elenco uma das razões de ir ao cinema. O destaque é obviamente Jack Dylan Grazer e Faithe C. Hall, que transbordam personalidade em seus Freddy e Darla, respectivamente.

Apesar de todo o esforço de Mark Strong, não tem talento que salve um texto fraco como é o de Doutor Silvana, antagonista do longa-metragem. Com toda sua capacidade, o ator ainda escapa de algumas armadilhas que os diálogos possuem, mas há momentos que não se consegue fugir do didatismo.

Por sorte, Shazam! assume suas falas cafonas ao aderir um roteiro autocrítico por colocar em pauta, com frequência, a cartilha das tramas de super-heróis, chegando a ser praticamente um filme em metalinguagem. Isso faz com que muito das falas de gosto duvidoso funcionem como piada e o longa executa isso com mérito.

Se não fosse pelo CGI um tanto decepcionante, seria possível dizer que Shazam! é competente e relevante em sua técnica. Temos cenas esteticamente incríveis (com algumas delas desperdiçadas em trailers, inclusive) e uma mixagem de som que não se vê por aí com facilidade em produções do mesmo gênero, entretanto, também temos sete monstros com os efeitos aquém do esperado.

Definitivamente, a DC aparentemente encontrou uma fórmula bastante eficaz para os seus títulos, consertando alguns errinhos do passado. Sem se debandar inteiramente para o lado da comédia, Shazam! consegue alternar entre sequências memoráveis tanto para o cômico quanto para o dramático, isso tudo mantendo o clima e o visual já característicos do universo. Além disso, só de terem sido capazes de inserir um desenvolvimento de personagem (leia-se protagonista) mais perceptível e relevante é um feito e tanto. Sem falar no quão louvável e prazerosa de ver é a construção da amizade de Billy e Freddy.

> 3 SÉRIES CLÁSSICAS IMPERDÍVEIS!

Shazam! é um grande acerto. Ao final de tudo, é um filme sobre família (com e sem trocadilhos) disfarçado de filme de super-herói. Ainda por cima, é capaz de prender o espectador às imagens, arrancar algumas risadas e deixar um sorriso besta na cara da maioria ao fim de sua duração.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-shazam-e-o-grande-acerto-da-dc-comicsShazam! é um grande acerto. Ao final de tudo, é um filme sobre família (com e sem trocadilhos) disfarçado de filme de super-herói.