Quando Only Murders in the Building foi anunciada, eu não dava muito pela série. Claro, um elenco que chamava a atenção e uma premissa interessante, mas nada que se destacasse. Porém não foi preciso mais que os três episódios iniciais, lançados de uma só vez, para que a série roubasse meu coração e me deixasse avida por mais.

Um assassinato acontece em um prédio antigo de Nova Iorque e três inquilinos viciados em podcasts de True Crime decidem que eles mesmos vão resolver o caso que a polícia não solucionou. Uma premissa interessante, porém simples que vai sendo elaborada no decorrer dos episódios. Qual a ligação deles com o defunto? Qual a ligação do defunto com outros moradores do prédio? Quem matou Tim Kono? Por que? Quem era Tim Kono?

Only Murders in the Building

A série se desenvolve em um misto de carta de amor ao gênero True Crime e uma tiração de sarro por meio de uma paródia deliciosamente escrita. Eles trazem a tona todas as esquisitices envolvidas em ser aficionado por crimes quase sempre sem solução, a forma abutre como quem desenvolve esses programas se apropriam das vitimas e também como, em alguns casos, podem ser a solução para perguntas sem respostas.

O trio de protagonistas Selena Gomez, Martin Short e Steve Martin não deixam a desejar um minuto se quer no que diz respeito a humor e química em cena. A interação dos personagens sempre traz boas risadas e é impossível não se apegar a eles. Você se vê investido não só no mistério que está sendo investigado, mas também na relação e desenvolvimento dos personagens. É muito sobre como eles aprendem coisas novas uns com os outros.

Only Murders in the Building consegue mostrar que a comédia é realmente um dos gêneros mais maleáveis que existe, acrescentando drama e profundidade sem perder o humor em momento algum. Com um texto esperto, acido e dinâmico, a série se mantem interessante por todos os 10 episódios e ainda termina com o gancho para a segunda temporada que já foi confirmada e encontra-se atualmente em produção.

Only Murders in the Building

É interessante como cada episódio conseguia trazer um elemento novo ao mistério, fosse um novo suspeito ou uma nova pista. Mais interessante ainda era nossa quebra de expectativa em quase todos os episódios. Sempre que achamos saber o que aconteceu e a direção do mistério, algum elemento novo aparece em jogo para mudar tudo. Não vou poupar elogios aqui em dizer que é uma das histórias de investigação mais bem elaboradas e interessantes que já assisti, sem se deixar ser pedante e cabeçuda em momento algum.

Eu falei do roteiro, então é importante pontuar que a série foi criada por Steve Martin e John Hoffman, que assinam o roteiro de todos os episódios, sempre apoiados por um roteirista diferente a cada episódio. Novamente preciso exaltar como o texto de Only Murders in the Building é diferenciado. O tempo da comédia nunca é perdido e a forma com que o mistério vai sempre entrando numa crescente sem ficar morno é algo que poucos roteiristas conseguem fazer. Existe um debate sobre comédia ser mais difícil de se fazer do que o drama e eu acredito nisso. Carregar uma história tão envolvente e interessante por 10 episódios sem se tornar apelativo e sem perder a visão cômica é louvável.

Only Murders in the Building

Preferi fazer esse texto sem spoiler para incentivar que mais pessoas assistam a série e tenham o prazer de se surpreender com cada nova pista, cada virada. Para que possam se apaixonar por Mabel, Charles e Oliver. Esse texto é um convite para que você, que ainda não deu uma chance para esse mistério venha se deliciar com essa comédia mistura com mistério. Venha conhecer Only Murders in the Building.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-only-murders-in-the-building-surpreende-com-humor-afiado-e-misterio-envolventeOnly Murders in the Building consegue nos envolver do começo ao fim com seu humor afiado e mistério que continua nos instigando a cada nova reviravolta.