Little Fires Everywhere é a nova minissérie do serviço de streaming americano Hulu, baseada no romance de Celeste Ng, de mesmo título. A adaptação para TV traz nomes de muito talento para dar vida às protagonistas Elena Richardson e Mia Warren.

Para fazer Elena, Reese Whiterspoon, recentemente destacada pelo sucesso em ‘Big Little Lies’ e ‘The Morning Show’. Para interpretar Mia, Kerry Washington, que estrelou o renomado seriado ‘Scandal’ e a peça na Broadway ‘American Son’.

O episódiopiloto inicia com o incêndio na casa dos Richardsons e logo de cara descobrimos que não foi acidental, alguém provocou as chamas. Elena tem seu palpite de quem causou o incêndio, mas ao longo dos episódios são apresentados aspectos em sua personalidade que podem desagradar mais de uma pessoa.

Ela é o tipo de mãe metódica, organiza as tarefas em tabelas separadas por cor para cada filho, anota seu peso todos os dias, tem sua rotina sempre programada e gosta de ter controle sobre as situações que vai precisar lidar. Seu jeito de madame traz à lembrança Madeline (personagem interpretada por Reese em Big Little Lies), as roupas bem arrumadas, cabelo sempre alinhado.

Além de dedicada aos filhos, a personagem de Whiterspoon trabalha em um jornal local de Shaker Heights, Ohio, e aluga uma casa, que passará a ter Mia Warren como moradora. A recente mudança de Mia para a cidade estimula o lado prestativo de Elena, que não é sempre bem visto pela inquilina e gera ótimas cenas de tensão entre as duas. Não sabia que precisava das duas atrizes trabalhando juntas até ver, é muita habilidade junta.

Mia Warren é uma artista nômade, já morou em vários lugares por conta de seu processo criativo, de acordo com a personagem. Essas mudanças não pareciam incomodar tanto sua filha Pearl, Lexie Underwood, até ela fazer amizade com Moody, Gavin Lewis, filho de Elena, que desperta a vontade de ter uma casa fixa, com seu próprio quarto e poder pintar mais de uma parede.

É certo que Warren guarda segredos e não está disposta a falar abertamente sobre seu passado, o mistério dessa personagem chega a causar desconforto em algumas cenas porque é nítido que ela não quer aprofundar detalhes de sua vida pessoal. Brilhante atuação de Kerry que consegue expressar os sentimentos da personagem apenas com o olhar.

A abertura também é um ponto alto da série, incríveis efeitos visuais do incêndio em objetos que são apontados ao longo da narrativa, combinados com o instrumental de marcações fortes, que ajuda a acrescentar um pouco mais de aflição ao motivo das chamas.

A história se passa nos anos 90, aborda os desafios da maternidade, o que as mães são capazes de fazer para o que consideram melhor para os filhos e os conflitos adolescentes de aceitação e decisões para o futuro. Como leitora do livro, eu gostei muito de como construíram a adaptação e foi ainda mais curioso assistir aos episódios finais porque nem tudo estava igual ao que já sabia e eu queria muito ver como resolveriam as situações que não existiam no livro. A série apresenta uma questão racial que não era exposta na leitura e foi muito bem criada, os diálogos bem articulados somados à incrível atuação mostram que foi um trabalho minimamente pensado e cauteloso para que não ficasse forçado.

Além da trama entre Elena e Mia, o seriado retrata a disputa judicial pela guarda da bebê May Ling ou Mirabelle, depende de qual lado da história você está, entre a mãe biológica e a mãe adotiva. O processo se desenvolve a partir do terceiro episódio e relaciona todos os personagens com suas diferentes opiniões, afinal de contas, o caso se tornou um grande acontecimento local envolvendo até a mídia.

Entre os diversos posicionamentos a respeito da adoção, estão os dos filhos da família Richardson, e o destaque em polêmica vai para Izzy, Megan Stott. Ela tem 14 anos e apesar da pouca idade, tem seus pensamentos próprios e bem decididos, muitas vezes descorda da mãe, pode até cumprir as ordens, mas deixa claro que não é fantoche de ninguém. Fica aí uma das minhas personagens preferidas da série que desperta a curiosidade em saber qual será a próxima atitude que vai elevar os nervos da mãe.

O elenco num geral é uma qualidade à parte, um show de atuação dos mais velhos e mais novos, a seleção de atores adolescentes de muito talento para interpretarem personagens da mesma faixa etária dão a sensação que foram escolhidos a dedo para cada papel.

E por falar em atuação, impressionante mesmo são as atrizes que participam para fazer Elena e Mia mais novas, na ordem, AnnaSophia Robb e Tiffany Boone. De expressões faciais à entonação de voz, a mente de quem está assistindo fica convencida de que elas são as protagonistas anos antes.

Little Fires Everywhere tem sua produção com elementos característicos dos anos 90, seja em figurino, trilha sonora ou personalidades da época. Para quem gosta de fazer maratona, deixo essa sugestão e para quem curte livros, também recomendo para analisar os aspectos um pouco diferentes, contudo ambas obras de muita qualidade.

A série ainda não está disponível no Brasil, acredito que os comentários positivos devem despertar o interesse em alguma outra plataforma para ter maior alcance do público. Os oitos episódios foram suficientes para contar a história de cada personagem e concluir o enredo inspirado no livro, portanto, não há previsão de segunda temporada, mas ninguém negou a possibilidade.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-nova-minisserie-little-fires-everywhere-e-uma-historia-cativanteLittle Fires Everywhere é uma minissérie de história cativante, elenco talentoso e produção de ótima qualidade, ótima distração para o período em casa.