Entre novembro de 2016 e agosto de 2017, o podcast Homecoming, criado por Eli Horowitz e Micah Bloomberg, se tornou famoso por ser o primeiro projeto ficcional da Gimlet Media e por trazer nomes reconhecidos para viver suas personagens, como Catherine Keener, David Schwimmer e Oscar Isaac. O sucesso foi tamanho que a Universal Cable Productions adquiriu os direitos do podcast para produzir uma série que teve duas temporadas encomendadas logo de início pelo Amazon Prime Video. A produção manteve os criadores originais do podcast e trouxe Sam Esmail, o criador de Mr. Robot, como diretor de todos os episódios da temporada inicial. Homecoming acompanha Heidi Bergman, uma ex-assistente social do Homecoming Transitional Support Center, uma instalação que tinha como objetivo preparar soldados veteranos para o retorno à sociedade. Quatro anos após sua saída do projeto, Bergman tem uma nova vida e, quando é questionada sobre seu trabalho na instalação por Thomas Carrasco, um investigador do Departamento de Defesa dos E.U.A., o mistério sobre os acontecimentos volta à tona. A trama alterna entre passado e presente, mostrando o tempo que Heidi trabalhou no Homecoming e sua atual busca por respostas.
Heidi é interpretada com maestria pela incrível Julia Roberts, entregando uma personagem que sempre parece estar confusa e insegura. Subordinada e explorada pelo detestável Colin Belfast (Bobby Cannavale), Heidi é uma mulher que quer mostrar toda sua capacidade estando disposta a se esforçar no trabalho. O ápice da personagem é o mistério e a forma como a atuação de Roberts desenvolve isso.
Destaque também para Stephan James como Walter Cruz, o personagem que cria um vínculo afetivo com o espectador pelo seu carisma, e Shea Whigham como Thomas Carrasco, sempre ávido por respostas e quase nunca conseguindo-as, o que deixa-o confuso de forma cômica. Bobby Cannavale também entrega um bom personagem, odiável em sua essência, e as participações de Sissy Spacek e Marianne Jean-Baptiste são bem desenvolvidas.
Se tratando de história, em nenhum momento a trama trata o espectador como leigo, evitando informações redundantes. A cada episódio existe uma revelação para quem assiste descobrir por si só o mistério. Dessa forma, descobrimos o que está acontecendo antes dos personagens e acompanhamos os desdobramentos dessas revelações. Outro fator importante é que Homecoming entrega o que promete, em momento algum tentando ser algo que não é.

O suspense da série é muito bem construído, fazendo a paranoia que os personagens passam ultrapassar a tela e atingir o espectador. Paranoia essa que é desenvolvido com uma sonoridade soturna e movimentos de câmera que indicam uma observação obsessiva (e até claustrofóbica) por parte de quem assiste, como se estivéssemos observando constantemente algo de forma escondida. Dessa forma, a história cria um ritmo que cativa por meio do mistério. Seu formato de apenas dez episódio com cerca de trinta minutos cada favorece esse quesito.
Entretanto, alguns poucos episódios que não trazem informações relevantes podem desacelerar a narrativa, o que fica a cargo de quem assiste decidir se é bom ou não. A promessa de uma segunda temporada é preocupante, já que a história se fecha nesse primeiro ano sem deixar nenhum gancho importante que possa ser desenvolvido.
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Em sua forma. Homecoming é concisa e conta sua história de forma direta, sem enrolação. Assim, o produto final é algo que entretêm enquanto deixa uma mensagem para se pensar, usando de artifícios como a trilha sonora e a parte técnica para complementar sua narrativa.
Observações:
- Homecoming foi indicada em três categorias no Golden Globe Awards 2019 : Melhor Série de Drama, Melhor Atriz em Série de Drama (Julia Roberts) e Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama (Stephan James);
- As indicações se repetem no Critics’ Choice Awards 2019, com exceção de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama, pois Shea Whigham foi indicado nessa categoria;






















