Sete anos depois do lançamento do primeiro filme americanizado da série Millenium, A Garota na Teia de Aranha surge como uma sequência e até mesmo reboot para Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Agora sem a direção de David Fincher e sem Rooney Mara e Daniel Craig reprisando seus papéis, a obra encontra dificuldades em se mostrar como uma tentativa válida de ressuscitar a franquia.
Agora na direção de Fede Álvarez, a trama acompanha uma nova missão de Lisbeth Salander (Claire Foy), que lhe leva a lidar com o passado e a confrontar um grupo criminoso. Junto a Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason), ela tenta impedir que um programa de computador caia nas mãos erradas.
O primeiro erro da produção definitivamente está na escolha de qual livro adaptar. Mesmo sem conhecer as obras literárias, é bem visível que a existência da irmã da personagem principal é apenas uma muleta inventada de última hora para explorar o passado da protagonista, usando o fato da família Salander ser problemática e uma infância traumática como desculpa para Lisbeth nunca ter comentado sobre seus laços sanguíneos.

Além disso, a troca de elenco nada acrescentou ao universo Millenium. Foy faz um trabalho notável para manter a essência da protagonista e não ser uma imitação de sua antecessora, apesar do roteiro já apresentar uma Lisbeth diferente: menos esquisita e socialmente deslocada (como no primeiro filme) e mais badass e, ao mesmo tempo, emocionalmente vulnerável.
No que se refere ao lead masculino, Mikael não poderia ter ficado mais apático com seu novo intérprete, além de ser consideravelmente mais novo. Para piorar, o personagem sofre para encontrar seu lugar e relevância na trama, sendo resumido a alguém tentando entender o quanto depende da colega para ser um profissional de destaque.
Desconsiderando a péssima escolha de premissa do material original, o roteiro tem seus momentos. Mesmo não perdendo a oportunidade de ser cafona e soltar frases de efeito, a trama sabe explorar bem suas sequências emocionais, seus silêncios e a relação entre os personagens. Muito satisfatório perceber que ao fim de uma sequência repleta de ação e perseguição, o filme se deu ao direito de mostrar August Balder (Christopher Convery) sentindo o peso da perda do pai sem dizer uma palavra sequer.
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No mais, é difícil sair da sessão sem se perguntar se esse “reboot” era, de fato, necessário. Sim, temos personagens interessantes. Sim, é sempre importante ter mais produções com protagonismo feminino. Entretanto, é preciso que a história seja relevante, que nos faça nos importarmos com aquelas pessoas, que desperte curiosidade em seu mistério e que faça mais do que apenas tentar emplacar twists – que, ainda por cima, são previsíveis. A Garota na Teia de Aranha tenta, mas só uma atriz competente, uma fotografia bonita e dois ou três bons momentos dramáticos não são suficientes para sustentar a série.




















