É inegável que histórias de viagem no tempo e universos paralelos estão em alta na cultura pop atualmente. “Dark”, “Loki”, “Homem Aranha” e “Projeto Adam” são apenas alguns exemplos atuais de obras que levam os espectadores em uma viagem multiversal, onde o tempo nada mais é que uma fina camada a ser rompida e explorada.
Ainda que levemente confusa, Universos Paralelos (Parallels), a mais nova série francesa do Disney+, apresenta uma divertida visão sobre o espaço e o tempo. Com uma trama cativante, seus personagens são extremamente carismáticos, conseguindo facilmente conquistar afeição por parte dos espectadores.

A série conta a história de um grupo de quatro jovens amigos – no melhor estilo “Stranger Things” –, que ao explorar um local misterioso na floresta acabam se envolvendo em um caso de desaparecimento – no melhor estilo “Dark”.
Quando os amigos Romane, Samuel e Victor levam o amigo Bilal para comemorar seu aniversário em um bunker abandonado nas florestas franco-suíças, algo estranho acontece: de um segundo para o outro, Samuel se vê sozinho, surpreendido por um homem que surgiu no bunker ao seu lado. Desesperado, o jovem foge e avisa a cidade do desaparecimento de seus amigos, que entra em alerta para encontrar este homem misterioso, o principal suspeito de tê-los sequestrado. O homem, entretanto, alega ser o próprio Bilal, não sabendo o que aconteceu e como envelheceu vinte anos de uma hora para a outra.

Recebendo uma dica no próprio título da série, o primeiro episódio acaba mostrando onde estão Romane e Victor: ambos estão em um universo paralelo, onde foram Samuel e Bilal que desapareceram naquela noite. Durante os próximos episódios da série, o espectador é convidado a alternar entre ambos os universos, vendo como as vidas das pessoas ao redor do grupo de amigos é afetada com o desaparecimento de cada um deles.
Os pais dos irmãos Samuel e Victor, por exemplo, aparentam estar muito mais devastados com o desaparecimento do primeiro do que com o do segundo – no universo paralelo. Enquanto o primeiro recebe todo o amor e suporte para lidar com o desaparecimento do irmão, os pais decidem transformar a tristeza em rancor no universo paralelo, culpando Victor pelo desaparecimento do irmão e o levando para um colégio interno. Já a mãe de Bilal, que tem um papel central na trama, se permite a sofrer pelo sumiço do único filho em ambas as realidades, decidindo fazer de tudo para reencontrá-lo – ainda que isso signifique mexer com o espaço-tempo.

Conforme os acontecimentos vão se desenrolando, mais um elemento fantástico é colocado na narrativa: superpoderes. Em diversos momentos, a série acaba ficando um tanto quanto confusa com relação ao que propõe, quase como se o roteiro dependesse dessa confusão para fazer sentido e funcionar. Por mais louca que possa parecer, mesmo não se esforçando para fazer tanto sentido, acompanhada de um ou outros furos de roteiro, “Universos Paralelos” consegue encaixar mil e uma noções bizarras de viagem no tempo e multiverso ao longo de seus seis episódios, trazendo consigo um autêntico entretenimento para os fãs de ficção científica. Dessa forma, se prova como uma série divertida e despretensiosa, que busca mais entreter seu público do que explorar e debater conceitos físico-quânticos.
Pode-se dizer, assim, que é quase uma “Stranger Things”, mas menos divertida e com menos referências; uma “Dark”, mas menos inteligente e elaborada; e um “Misfits”, mas sem tanto foco nos superpoderes. Ainda assim, pega emprestado um pouco do espírito de cada uma dessas séries, surpreendendo o espectador com reviravoltas em uma encantadora história de amizade, que facilmente faz os espectadores torcerem pelos amigos Sam, Bilal, Romane e Victor.















