Cinema é estruturalmente metalinguístico; por mais que cineastas, ao longo da história, busquem regrar filmes dentro de métricas e padrões que agradem público alvo específico, o tiro pode sair pela culatra quando o realizador esquece da “alma” que toda película precisa. A identificação com os personagens, a humanidade, a refletividade dos temas inerentes ao que vivemos… Detective Pikachu, felizmente, cumpre os requisitos de uma obra e não tenta ser mais do que sua proposta inicial: diversão regada à nostalgia e um início bem ancorado para uma franquia.

A trama inicialmente é bem simples: um jovem une forças com um Pikachu falante e viciado em cafeína para desvendar o mistério por trás do desaparecimento de seu pai. Perseguindo pistas pelas ruas de Ryme City, a dupla dinâmica logo descobre uma trama desonesta que representa uma ameaça ao universo Pokémon.

É a premissa básica de qualquer animação do universo Pokémon elevada pelo status emocional da fragilidade dos personagens. Justice Smith encarna Tim, o hesitante protagonista que se fez alheio ao mundo em que vive devido aos traumas infantis; num primeiro momento somos levados a crer que se trata de um personagem plano e chapa branca, seu conflito inicial parece mero capricho, em seguida, no primeiro flashback (usado de forma competente e orgânica), vemos que ele nos entrega mais e suas razões são válidas. O mesmo pode se aplicar à construção de Kathryn Newton como Lucy Stevens, a divertida e improvável parceira de investigação de Pikachu e Tim. Ken Watanabe aparece como coadjuvante de luxo e Bill Nighy claramente está se divertindo durante todo o longa como um dúbio Howard Clifford. Ryan Reynolds brilha com a voz do Pikachu gordinho, sarcástico e viciado em café, trazendo sua veio cômica mostrada em Deadpool para o público PG. O elenco enxuto faz bem a trama ao não entulha-la com desvios desnecessários.

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Por falar em roteiro, vamos ser claros aqui ao pontuar que, o fato dele ser tão básico e reproduzir integralmente a Jornada do Herói não o torna simplório ou ruim, na verdade, simplesmente o torna palatável a qualquer pessoa que o assista. É agradável, pontua bem (até demais em alguns momentos) suas forças narrativas e fecha arcos satisfatoriamente. Os ganchos e previsibilidades, os clichês, fazem parte e não comprometem a experiência. Diria que o mais desfavorável, de fato, é a clareza excessiva de algumas passagens, explicitando pensamentos que nos fariam pensar um pouco, porém, dos ônus, o menor.

A parte estética e gráfica do filme surpreende por sua simplicidade e uso inteligente. Os pokémon são muito orgânicos dentro do universo de Remy City, não há uma preocupação em apresentar cada um e fazer um espetáculo, não, eles estão lá, normatizados, e as pessoas interagem entre si e com os monstrinhos com a naturalidade necessária para uma construção de mundo crível. A fotografia granulada e dessaturada foi uma saída inteligente para o orçamento limitado, de outra forma a inserção das criaturas ficaria destoante aos olhos.

A dinâmica da fofura dos bichinhos contrapondo ao perigo de seus poderes é muito interessante também quando pensamos em franquia, afinal, batalhas e ginásios são mencionados casualmente e deixam aquela pulga atrás da orelha para os não iniciados no universo dos Pocket Monsters.

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Com uma execução correta e agradável, fazendo um mix de toda a mitologia pokémon existente, Detective Pikachu entrega coesão, bom divertimento e simplicidade como há tempos um blockbuster não fazia, na medida certa e com sabor de infância.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-detective-pikachu-uma-homenagem-a-infanciaCom uma execução correta e agradável, fazendo um mix de toda a mitologia pokémon existente, Detective Pikachu entrega coesão, bom divertimento e simplicidade como há tempos um blockbuster não fazia, na medida certa e com sabor de infância.