Seguindo a onda de adaptações de John Green, que acabaram ganhando tanto formato cinematográfico quanto televisivo, Deixe a Neve Cair é o mais novo trabalho do autor a ganhar um novo formato, mas o primeiro a ter as mãozinhas da Netflix tentando dar vida a seus personagens.
Sou um pouco suspeito em falar das obras de John Green. Livros como Quem é Você, Alasca? e Cidades de Papel me marcaram muito pelo modo como lidam com seus personagens e os problemas que os marcam. Desde então sempre vou atrás de tudo que tem o seu nome, mesmo em casos especiais como esse, em que o autor esteve junto de Maureen Johnson e Lauren Myracle para contar as típicas histórias de amor que só acontecem nessa data. As roteiristas Laura Solon, Victoria Strouse e Kay Cannon tinham muito o que trabalhar.
Antes de mais nada, para analisar uma adaptação muitas vezes é preciso tentar deixar a obra original um pouco de lado. É difícil adaptar qualquer coisa para uma outra mídia, já que nem sempre algo que funcionou num livro vai funcionar num filme. São espaços muito diferentes. É claro que também existem casos em que tanta coisa é mudada que o diretor e roteirista acabam criando algo único, carregando apenas o nome original consigo. Nem sempre isso é um problema, já que existem inúmeros casos em que o novo acabou superando o antigo.
No caso do diretor Luke Snellin, ele optou por fugir bastante do livro. Isso é algo que pode irritar os fãs mais raivosos desses autores, mas fico feliz em dizer que ele nos entregou uma história bonita e divertida para o fim de ano, mesmo que um tanto sofrida ao ficar presa demais no clichê. Isso é algo que não se pode negar. Deixe a Neve cair nos entrega diversos núcleos diferentes lidando com seus próprios dramas românticos, o roteiro não consegue acertar com todos do mesmo jeito que outros filmes do mesmo gênero conseguiram.
Mas acredito que a maioria dos arcos entregaram exatamente o que precisavam para uma história como essa. Afinal, não estamos falando de um filme com grandes pretensões, apenas mostrar algo fofo com muita neve para você relaxar enquanto monta sua árvore de natal, e para mim eles conseguiram. Ainda mais com o carisma de seus personagens, que conseguem compensar muitas vezes o roteiro pouco inspirado.
Principalmente quando nos concentramos no arco de Kiernan Shipka e Mitchell Hope, que deram a vida a dois adolescentes que não sabiam como confessar seus sentimentos um pelo outro. De todas as histórias, essa foi a que mais deu tempo para seus personagens se desenvolverem e trabalhar a doçura do casal. Embora se trate de um tema nada inovador, acredito que esses dois serão aqueles que mais tem chance de conquistar o público.
No final, Deixe a Neve não é o melhor filme do gênero, mas ao dar espaço a tantos personagens descobrindo ou aprendendo com os relacionamentos, o filme se beneficia pelo fato de que você vai se identificar pelo menos com um e o diretor sabe como tirar o melhor do seu elenco. Esse é um tipo de filme que se destaca mais pelos seus personagens do que qualquer outra coisa.
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