A Netflix anda chamando bastante atenção com suas produções adolescentes. Depois de fazer sucesso com A Barraca do Beijo e Para Todos os Garotos que Já Amei, é a vez da diretora Nzingha Stewart, que tem experiência no mundo teen pelo seu trabalho em Pretty Little Liars, e o roteirista Sam Wolfson de tentar nos dar uma história fofa para aquelas tardes tranquilas de domingo.
De certa forma posso dizer que Crush à Altura é essa história. Em menos de duas horas somos levados pela vida de Jodi Kreyma (Ava Michelle), uma garota que via a si mesmo apenas como a garota alta da escola. Jodi sempre foi maior do que todos da sua turma, um padrão que sempre se repetia não importava o quanto o tempo passasse, e ela gostaria de poder encontrar alguém especial que pudesse vê-la além disso.
Ela não podia imaginar que seu sonho iria se realizar quando seu melhor amigo, Jack Dunkleman (Griffin Gluck), recebe o estudante de intercambio Stig Mohlin (Luke Eisner), que é tudo que ela queria. O problema é quando sua grande rival Kimmy Sticher (Clara Wilsey) também coloca seus olhos nele e um triangulo amoroso tem início.
Primeiramente, tenho que parabenizar os atores. Ava fez um bom trabalho em nos mostrar uma garota que já está cansada de ser a diferente e precisa muito de algo para lhe tirar desse mundo. Enquanto Luke mostra porque foi a melhor escolha para o filme Middle School: The Worst Years of My Life. Ele é ótimo para situações cómicas e isso ajudou a trazer uma certa leveza ao enredo que precisa balancear os dramas típicos de filmes adolescentes dessa linha.
Não quero dedicar um espaço para criticar esses dramas, que muitos podem chamar de clichês, porque acredito e muito no que a youtuber Alice Aquino falou no seu canal, Ali e Aqui, quando disse que o problema não é o clichê em si, mas como você o usa. Tem filmes que conseguem usá-lo de uma maneira surpreendente, os deixando até bem melhor do que o esperado, e aqui o que não falta é clichês. Desde a garota popular malvada, o amiguinho apaixonado e tantos outros que já compuseram vários filmes da Sessão da Tarde.
Vou apenas dizer que Crush à Altura não é um desses filmes. Talvez se a diretora tivesse dado mais espaço para seus personagens coadjuvantes, como a irmã de Jodi, Harper Kreyman (Sabrina Carpenter), e sua melhor amiga, Fareeda (Anjelika Washington), o resultado pudesse ter sido diferente. Essas duas trouxeram momentos que podiam ter sido muito mais bem desenvolvidos e o enredo se beneficiaria bastante com isso.
A verdade é que nem mesmo os atores e certas tiradas interessantes do roteiro vão fazer com que muitos não peguem o celular no meio do drama de Jodi para ver se chegou alguma nova mensagem. Não quero dizer que Crush à Altura não merece um pouco de seu tempo. Em termos de ser fofinho, meigo e trazer uma boa mensagem muitos vão terminá-lo se sentido até um pouco mais leves, mas sinto dizer que esse não vai ser o caso de todos. Uma boa parte vai terminar o longa na metade e ir atrás de outro filme fofinho adolescente.













