Mesmo perdendo no final, o Mal vence o Bem muitas vezes antes de cair.

Esta frase representa na minha concepção, aquilo que chamaríamos de “moral da história” nas fábulas, contos e derivados. Essa é a “moral” de Narcos: México. A série em sí, em termos de enredo e história não é grande novidade, inclusive esse é um tema já bastante esgotado (nunca desnecessário) no mundo das séries e será uma das minhas críticas ao longo desta review, porém, antes de tudo, gostaria de comentar um pouco mais sobre a tal moral.

Temos como jargão popular que “No fim, o bem sempre vence o mal” e esta frase nos traz certa esperança, até conforto. O Fim da história de Narcos: México, todos já sabem. A série se baseia em fatos reais, logo o final não é uma surpresa, sim, o bem “vence” o mal. Mas a que custo? A custo de quantos, de quem?! É nisso que a série se foca, ela nos mostra a realidade de um narcotráfico. Onde sistemas são aparelhados, onde as forças de segurança são corruptas, onde o governo é cúmplice de todo o mal causado á sua população. Onde não existe final feliz!

Bom, sobre a série em sí, como um produto, não temos muitas novidades. Ela se passa no ínicio dos anos 80 e não é uma “prequel” de Narcos (Original), nem mesmo uma continuação. A história de Félix Gallardo (Diego Luna) e Kiki Camareña (Michael Peña) se passa durante a ascensão do império de Escobar (para fins de contextualização se passa em algum momento da S1 de Narcos antes da prisão de Escobar), que faz uma aparição na série, juntamente com outros personagens da série original. Porém é puro “fan service”, pois apesar de terem uma importância grande no background da coisa toda, os colombianos não participam ativamente das sub-tramas que acompanhamos.

Sobre Luna, eu senti uma falta de “pegada” ao ator. Miguel Ángel Félix Gallardo não chega nem perto de Pablo Escobar no quesito intimidação e sensação de poder. O vilão interpretado por Wagner Moura tem muito mais “carisma” (estranho esse termo) que o “jefe de jefes”. Esse é um dos pontos que torna a “sequência” de Narcos, menos interessante que a obra original. A força dos protagonistas mexicanos deixa a desejar (exceção feita a Don Neto (Joaquín Cosío) que dá show).

Infelizmente o tema esgotado que comentei no início, atrapalha o desenvolvimento de Narcos: México, pois todo o caminho de um grande traficante costuma sempre passar pelas mesmas vias e a série não se esforça para tornar esse progresso menos enjoativo ou maçante. São mais de 10 horas de temporada e muitas delas podem ser bem frustrantes para os série maníacos mais fanáticos que estão acostumados com esse tipo de história. Talvez oito episódios de 40 minutos fossem mais do que necessário para contar a história do Cartel de Guadalajara.

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Ao final, temos um gancho para uma possível 2ª temporada. Miguel continua livre, o que achei um atraso, pois esperava que a próxima temporada partisse para história de “El Chapo”. Félix não é um personagem muito empolgante e mais um ano com ele pode ser um tiro no pé, mas, veremos. Até a próxima.

Rodapé do João:

– A cena inicial do 1×09 é um show de atuação de Joaquín Cosío (Don Neto)

– Wagner Moura está diferente por aqui, a sua interpretação de Escobar soa menos caricata.

– Até o Calderoni se vendeu ao Miguel. O Sistema é…

– Muita pena da família do Kiki, principalmente da esposa.

– “pendejo” está para Narcos: México, assim como “mal parido” está para Narcos (Original).

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-a-moral-de-narcos-mexicoCom a responsabilidade de ser a "sucessora espiritual" de Narcos, a versão mexicana mantém a pressão da trama narcótica, mas perde força em seus personagens.