A infância e sua justificativa para crimes.
Os dois episódios tiveram uma semelhança muito grande para mim. Cada unsub praticou seu crime por conta de algum trauma na infância. Mas para esses crimes acontecerem os seus “vilões” foram o gatilho para assassinar inocentes. Na minha opinião, por mais que seja indefensável tirar a vida de alguém, esses homicídios foram justificados. Afinal, se você pensar um pouco, deve lembrar de algum trauma dos seus primeiros anos, aquele que o acompanha até hoje. E esse foi o caso dos unsubs.
Em Drive, o unsub era a favor da moral e dos bons costumes, todo mundo tinha que andar na linha e NUNCA pecar porque é fácil levar uma vida certinha. A maneira mais fácil dele conseguir uma vítima era ser motorista – senti uma leve cutucada ao estilo do UBER, mas não tenho como afirmar, só sei por alto como funciona o serviço, não tem em Manaus ainda. Quantos de nós já falou toda sua vida ao celular enquanto estava em um táxi? Imagino o quanto esses profissionais devem ouvir. E era dessa forma que James escolhia suas vítimas, ao confessarem seus pecados.
O mais louco era a forma medieval em que matava suas vítimas, na guilhotina. Até achava que ele tinha essa loucura de tentar recriar tradições antigas e se sentia poderoso ao encarnar um carrasco. Acho até que faria mais sentido para mim como uma justificativa para os assassinatos. Confesso que o motivo foi fraco, tudo bem que existe toda a história traumática na infância, mas não achei plausível. James estudava em uma escola em que o diretor era a favor da punição severa, bater nas crianças e expor um mural da vergonha. Fora que deveria ser seguida a cartilha de Deus. Só que tudo era hipocrisia, o diretor era pedófilo e isso revoltou James a ponto de cometer os crimes.
Enquanto isso, em The Bond, vimos a ligação entre mãe e filho, separados por 24 anos. Esse episódio mostra o quanto a ligação maternal é forte e doentia. Digo isso porque sempre quero acreditar que esse é o sentimento mais duradouro e a proteção de tudo e todos é o que os une. Mas sempre existe aquele 1% fora da curva. Randy, nosso unsub, é filho de um estupro. Sua mãe, Flora, foi atrás de vários caminhoneiros e matou um por um, como uma caçada pelo seu agressor. Até que finalmente o encontrou e o matou, junto com o filho menor de idade. E após esse crime eles foram separados.
Após um reencontro, a mãe conseguiu manipular o filho para que ele continuasse a sua empreitada assassina. Só que a sua vingança foi direcionada para quem tirou o convívio entre mãe e filho. Tudo foi seguido a risca, de acordo com os primeiros assassinatos da mãe, como um bom filho obediente.
Gostei bastante da trama dos dois episódios, mas aqui entra um empecilho que vim perceber somente nesta temporada. A história não é ruim, quem não consegue vender aquela tensão, que muitas vezes Criminal Minds nos proporciona, são os personagens. E nessas duas narrativas nenhum unsub me convenceu, nem da sua loucura e nem fez eu sentir pena, já que quando entra o tópico infância, sempre enxergo aquela luz no fim do túnel “se tivesse uma infância saudável, tudo seria diferente”. Em comparação com o Entropy – até agora o melhor episódio na temporada na minha opinião – a série deu uma estagnada. O que é normal, afinal é muito difícil entregar 22 a 24 episódios impecáveis.
Galera, quero pedir desculpa pela review dupla. Na semana passada fiz um procedimento e não pude acompanhar a série 🙂















