O jogo sujo, e estranho, do poder. 

Após um episódio super ultra mega power sofrível chega a ser reconfortante assistir ao caso da semana. Um roteiro pra lá de bem escrito, juntamente com uma direção primorosa. Qualquer série, ou até mesmo episódio, que esbarre no assunto política e poder tem tudo para dar certo. E deu, com um desfecho maravilhoso.

De cara já me ganhou nos minutos iniciais. Não tivemos várias vítimas, o que até nos ajuda a focar no X da questão junto com a equipe. Todos os membros da BAU foram importantes para a condução do caso (só eu achei estranho ver Hotch trabalhando de camisa polo?).

O caso só foi encaminhado para a BAU devido a vítima ser esposa do senador Benjamin Troy. “Maravilhoso” ver que até lá existem essas formas de QI – quem indica – para solução de casos. Mas sabemos muito bem que somente eles podiam desvendar o sequestro de Sophie Troy.

Durante toda a passagem do episódio jurei, de pé juntos, que Paul Troy, irmão do senador, era a mente perturbada por trás do sequestro. Ora, a ficha do cara já o colocava como suspeito desde o princípio, até suas atitudes o condenavam. Foi um episódio tão bem conduzido, que com o passar dos minutos, mudei de opinião sobre quem era o verdadeiro culpado dentro daquela família. Afinal, aquele lance de máfia russa, mísseis, foi apenas um jeito de tentar nos enganar, porque nada daquilo tinha sentido na história.

Desenterrar um caso extraconjugal do senador – mesmo que tenha sido mentira – foi o clichê do episódio. Mais brega ainda era ser um affair com a estagiária, afinal essa história é novidade naquele país, não é verdade? Tudo levava a crer que Benjamin sequestrou sua mulher. O combo amante + arma era um prato cheio, porém por mais que quiséssemos ver a safadeza e a sujeira, o senador era também uma vítima de todo aquele cenário.

Uma vítima desde a sua infância quando sua mãe o criou e moldou para ser o que ela queria. Ter ambição é natural do ser humano, o ajuda a crescer e a buscar desafios ao longo da vida. Mas e ambição demais? E quando você quer empurrar a sua ambição para outra pessoa? Incrível como a mamãe Troy conseguiu bancar a matriarca preocupada com a nora durante a resolução do caso. Não a incluí em minha lista de suspeitos em nenhum momento. Mas como eu sou apenas uma jornalista e não uma agente federal, me lasquei.

Loucura viver com uma senhora que é capaz de tudo para não ver o seu plano de vida, que na verdade é vivido por seu filho, indo por água abaixo. Já pensou se o nosso mundo fosse assim “eu não gosto do meu genro/nora, vou mandar sequestrar e matar”? Sim, eu sei que existem mães desse tipo, que na mente delas os filhos serão para sempre seus e de mais ninguém.

O desfecho foi sim maravilhoso. Senti tanta pena de Benjamin por ter uma mãe como aquela. Os minutos finais serviram como um tapa nessa minha cara gorda. Depois de sabe-se lá quantos anos com uma matriarca dominadora, ele saberia valorizar sua atitude por ter alcançado tamanho sucesso. Foi imperdoável sequestrar sua mulher? Foi, mas deu certo. O que fazer agora mamãe? E eu fico de boca aberta que nem uma idiota por ter sido enganada pelos dois.

Não usei a palavra unsub em nenhum momento porque não considero mamãe Troy um perigo para a sociedade, apenas para o seu filho. Podemos dizer que foi um caso atípico para a BAU, mas foi um episódio primoroso.

– Não vou comentar o convite de Reid para aquela agente avulsa. Ridícula, não curti. Sou mais Dra. Einstein.

– Aquela parte em que mostram a orelha de Sophie me lembrou, e muito, o sequestro do irmão de Zezé Di Camargo e Luciano.

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