Quando um ship inesperado te causa náuseas só de pensar nas possibilidades.

Nós tivemos mais um episódio bom essa semana, se formos contar o espaço em tela dedicado para cada trama e que uma teve que carregar outras. Acredito que essa temporada não teve um episódio ruim, mas tenho minhas ressalvas em relação a certas tramas. E falarei dela daqui a pouco.

“Two Men Talking” retoma tramas passadas, que por um momento pensei que seriam ignoradas, e isso não seria a primeira vez na série. Ao começar com a que eu mais aguardava: o trabalho de Ellie. Nós tivemos uma resposta para como ela voltaria: impiedosa e com sede de sangue, com direito a óculos e um alter ego.

Finalmente pudemos ver (brevemente) a que pé anda a Vinhobulância, o negócio de vinho de Travis. Eu, sinceramente, ainda acho que é algo prático somente em Gulfhaven, se a cidade for composta por centenas de cul-de-sac crew.

Jules e Grayson ficaram com a trama mais fraca, com a, devo concordar com Grayson: “nova obsessão desnecessária de Jules.” Chick (que eu até tinha esquecido que estava morando com Jules) parece solitário e Jules fica tentando forçar uma amizade com Grayson, só para descobrirmos que na verdade Chick está começando um relacionamento. Só valeu pelos bons diálogos, como por exemplo, a constatação de Jules que todo mundo precisa de alguém para ficar feliz, inclusive serial killers, que tem uma pessoa por um tempo… até não ter, mas eles acham uma nova pessoa.

Agora, nunca imaginei que escreveria essas linhas: estou chocado e um pouco enojado até. Cougar Town passou dos limites essa semana e nunca imaginei, nem em um milhão de anos (ou episódios) que isso pudesse acontecer. Não sei o que se passa na sala dos roteiristas, mas eles devem estar jogando tudo para o alto nessa temporada final e deixando escapar seus desejos sórdidos e obscuros. Acho que ninguém, eu digo NINGUÉM, shipparia esses dois. É como Ellie disse: “Travis todo pálido e assexuado, não oferecia perigo.” Mas quem imaginaria que aquelas caronas inocentes se tornariam algo mais? Nunca imaginei que Ellie e Travis iriam ter um caso! E eles tiveram um sórdido e proibido “caso emocional”.

Tudo envolvendo isso foi muito bom, desde a conclusão que dirigir um carro dá uma necessidade da pessoa se abrir, até quando eles finalmente se tocam do que isso virou, ri muito com Travis dizendo que foi Ellie quem se abriu toda para ele primeiro (emocionalmente) e o pegou desprevenido. Tudo começou e se fechou nesse episódio, com direito a clássica cena do reencontro pós-término. Tudo foi ridículo, mas ridiculamente engraçado. E acredito que esse será o máximo que veremos de uma trama “séria” em Cougar Town. Que, embora lá na primeira temporada, Bobby seja conhecido por trair Jules e ter um caso, o mundo criado por Cougar Town, e entre o grupo, nunca dará espaço para esse tema ser realmente abordado, mesmo que séries de comédia venham a fazer. Isso foge um pouco da realidade, mas bem, é justificável nesse universo.

Andy, Laurie e as Leah. Embora tenha sido interessante, essa fórmula de grupos sociais do colegial se aplicar à vida adulta soou um pouco cliché, à medida que quase todas as séries de comédia em algum momento (inclusive Cougar Town, em episódios passados) recorrem a ela. Ainda mais que tivemos algo parecido a dois episódios atrás. Ver Andy andando com as “garotas malvadas”, se tornando cachorrinho das mães no novo grupo, já nos mostrava a resolução óbvia e também comumente usada nesse tipo de série, com o amigo (no caso, Laurie) mostrando que ele é legal e não precisa andar com pessoas legais para se sentir incluso.

Então, somando, multiplicando e dividindo tudo, acredito que o saldo desse episódio foi positivo. Não foi o melhor da temporada, mas teve seus momentos e uma mistura de elenco que deu certo. E aproveitando que o episódio da semana foi focado em pares: acredito que Christa Miller seja a melhor personagem da série e é incrível que a maioria de suas tramas, não importa com quem ela faça par (levando em consideração que grande parte dos episódios de CT são feitos com divisão dos personagens em pares) são boas. E com Dan Byrd não é diferente. O caso emocional foi cliché? Foi. Mas foi bem direcionado e nos proporcionou ótimas falas e uma resolução absurda. Com Ellie sendo Ellie e Travis sendo Travis.  Quero ver mais pareamentos assim.

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